05 de fevereiro, de 2014 | 00:00
Mitos e preconceitos sobre o câncer
Dia mundial de combate é celebrado com reflexão sobre os estigmas acerca da doença
IPATINGA Apesar do maior acesso à informação, o câncer continua sendo uma doença cercada por mitos e estigmas. Para tentar mudar esse cenário o tema Derrube os mitos” marcou o Dia de Combate ao Câncer, celebrado nessa terça-feira, 4. A campanha para reduzir o estigma e dissipar os mitos sobre câncer é realizada pela Organização Mundial da Saúde com apoio do World Cancer Day Advisory Group. O objetivo é trabalhar pela conscientização da população no combate a quatro mitos: Não é necessário falar sobre câncer; Não há sinais ou sintomas de câncer; Não há nada que eu possa fazer sobre câncer; e Eu não tenho direito a tratamento de câncer.
Em Ipatinga, uma das entidades que trabalha com campanhas de prevenção ao câncer e atendimento de pacientes é a Associação de Assistência às Pessoas com Câncer (Aapec). A entidade e suas filiais atendem a cerca de 4 mil pacientes em Ipatinga e 400 municípios vizinhos. Com base no convívio e atendimento dessas pessoas, a coordenadora da Aapec, a nutricionista Karoline Reis, falou sobre os mitos em entrevista ao DIÁRIO DO AÇO. A coordenadora afirma que ainda existe preconceito com a doença. Há pessoas que acham que câncer pega. A população está muito mais esclarecida, mas ainda nos deparamos com situações de nítido preconceito”, declarou. Em relação ao primeiro mito”, a coordenadora ressalta que é necessário falar sobre o câncer. Fazemos muitos eventos de prevenção e em abordagens ouvimos pessoas dizer que nunca terão a doença. Não é bem assim, é necessário falar e muito sobre o câncer”, comentou.
O segundo Não há sinais ou sintomas de câncer” e terceiro mito Não há nada que eu possa fazer sobre câncer” andam juntos e podem ser combatidos com uma palavra simples: prevenção. Karoline Reis ressalta que os exames preventivos podem apresentar um diagnóstico precoce e possibilitar melhoria na qualidade de vida do paciente. Muitos não procuram o médico porque não estão sentindo nada. Os exames preventivos indicados anualmente são para a detecção precoce. O mito da falta de um sintoma precisa ser derrubado”, enfatizou a coordenadora.
Em relação ao tratamento, Karoline Reis alerta para o direito de tratar a doença por meio da rede pública de saúde. Tratamento é direito de todos e aquele disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é o mesmo da rede particular. Claro que alguns exames ou técnicas mais avançadas ainda não estão (disponíveis) na rede. O tratamento básico será o mesmo. Todos têm direito e devem ser tratados, independentemente do grau da doença”, resumiu.
Para casos incomuns, em que são necessários medicamentos caros e não fornecidos pela rede pública, a Aapec presta apoio jurídico. Entramos com processo em algumas situações e, em 100%, a causa é ganha. Em média, recebemos resposta em 15 dias”, informou Karoline Reis.
Desafios
No Brasil, cerca de 576 mil novos casos de câncer devem ser diagnosticados até o fim deste ano, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca) e o Ministério da Saúde. Os tipos mais comuns serão os de pele com 182 mil casos, de próstata (68,8 mil), de mama (57,1 mil), de intestino (33 mil) e de pulmão (27 mil).
Diante do panorama de crescimento da doença, a coordenadora da Aapec, aponta a falta de aceitação da doença como principal desafio no combate diário ao câncer. Ainda temos falta de informação muito grande. É preciso bater na tecla dos exames preventivos. Apesar de ter informação, o paciente às vezes não aceita bem e já pensa que vai morrer ao receber o diagnóstico”, pontuou Karoline Reis.
Uma equipe da Aapec faz visitas domiciliares de pacientes cadastrados para acompanhá-los em parte do tratamento. Karoline Reis revela que encontra em relatos de pacientes muita resistência ao tratamento. Quando chega o diagnóstico ou dependendo do tipo de tratamento necessário, o paciente se recusa a fazê-lo. Muitos não concordam com a conduta médica, não querem tomar medicação”, observou Karoline Reis.
Assistência
Com onze anos de trabalho, a Aapec tem sede em Ipatinga e filiais em Viçosa, Governador Valadares e Sete Lagoas. Ao todo, cerca de 4 mil pessoas recebem atendimento, que consiste em recebimento de medicação não disponibilizado na rede pública (exceto os de alto custo), suplementação nutricional, curativos, entre outros. Os pacientes são acompanhados por profissionais em nutrição, assistência social, farmácia e enfermagem. O telefone de contato é 3827-0001.
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