08 de fevereiro, de 2014 | 00:00

Impacientes, moradores de Cava Grande ameaçam novos protestos na MG-760

DER afirma que só voltará a se reunir com moradores e Ong’s quando houver novidades no processo


MARLIÉRIA - Moradores de Cava Grande, distrito de Marliéria, pretendem retomar, nos próximos dias, as manifestações pró-pavimentação da MG-760, até que o Departamento de Estradas de Rodagens (DER) dê uma resposta sobre a retomada das obras, paralisadas desde dezembro passado. Um os coordenadores do movimento, José Carlos Mateus, disse no fim da tarde de ontem que a população está determinada a retomar a paralisação da rodovia neste sábado.

“Ocorreu o seguinte: o coordenador regional do DER, Nívio Pinto de Lima, havia nos pedido, nas semanas anteriores, um voto de confiança para que nós suspendêssemos a paralisação, pois até esta sexta-feira (ontem) haveria um acordo para sanar os questionamentos ambientais e o DER já teria uma informação sobre o prazo para o reinício das obras”, enfatizou.

José Carlos afirmou que, para surpresa da comunidade, nesta sexta-feira o coordenador do DER teria feito uma reunião no bairro Macuco, em Timóteo, com representantes da empreiteira Tamasa, responsável pelas obras; com o vereador de Marliéria, Marco Túlio Martins (SDD); com um representante da Secretaria de Governo de Marliéria; um representante do Conselho Consultivo do Parque Estadual do Rio Doce e da Fundação Relictos, que foi quem provocou o Ministério Público para embargar a obra. “Chamaram todo mundo, menos os representantes da população”, reclamou José Carlos.

Com o impasse, José Carlos informa que foi deliberado pelos populares, nessa sexta-feira, que será iniciado hoje um “plano de novo modelo de paralisação da MG-760”. A proposta dos organizadores do manifesto é parar a rodovia na entrada do córrego dos Antunes. Também será promovida uma paralisação na Estrada Parque, na entrada do povoado de Santa Rita, em Marliéria. “Mas vamos chamar primeiro a adesão a esse protesto. Não vamos parar a estrada neste sábado, mas vamos definir hoje quando fazer e a que horas será deflagrado o movimento”, enfatizou.

O vereador Marco Túlio, por sua vez, afirmou que apoia o movimento reivindicatório e informou que aproveitou a conversa com os manifestantes ontem para alertar sobre os rumores de possíveis retaliações ao Parque Estadual do Rio Doce. Desde que as obras foram embargadas, por causa de questionamentos dos ambientalistas sobre os impactos da rodovia asfaltada no entorno da unidade de conservação, por mais de uma vez populares chegaram a falar em provocar incêndios no parque. “O que é um despropósito. Afinal, o Perd é o nosso maior patrimônio e não tem culpa por essa situação criada”, concluiu.

Esclarecimentos
Em entrevista por telefone, o coordenador regional do DER, Nívio Pinto de Lima, informou que não realizou nenhuma reunião com a empresa Tamasa e que, ao contrário, ele estava reunido com os membros do Conselho Consultivo do Parque Estadual do Rio Doce (Perd), e que o teor deste encontro nada tinha a ver com a MG-760. “Nós só vamos voltar a nos reunir com os moradores, com as Ong’s ou com o Ministério Público, quando tivermos algo concreto para tratar. No momento, aguardamos a manifestação do Ministério Público para podermos analisar as condicionantes do TAC e, quando tudo estiver acertado, vamos assinar esse acordo, para possibilitar a liberação da obra”, esclareceu.

Propostas
Segundo o promotor de Justiça Leonardo Castro Maia, o Ministério Público tem forte expectativa de uma solução negociada com o DER para os problemas relacionados com o licenciamento ambiental da MG-760. O promotor avalia que a área do empreendimento é especialmente sensível, em razão da proximidade com o Parque Estadual do Rio Doce, importante unidade de conservação de proteção à fauna e flora em Minas Gerais.

A proposta ao DER é firmar um acordo que assegure o levantamento de todos os impactos ambientais da obra, mediante a elaboração de estudo técnico, a proteção ao meio ambiente, da fauna e da flora, além do desenvolvimento sustentável, limitando-se, por exemplo, o transporte de cargas perigosas, como certos produtos químicos na estrada em questão.

O promotor de Justiça tem convicção de que será obtida em breve uma posição favorável do DER, compatibilizando todos os interesses envolvidos com a preservação ambiental.


O que já foi publicado sobre o assunto:

 

Obra da MG-760 deve ser liberada por meio de TAC - 06/02/2014

MG-760 foi interditada novamente nesta terça-feira - 28/01/2014

Moradores reivindicam retomada das obras de pavimentação da MG-760 - 24/01/2014

DER recorre de embargo da MG-760 - 18/12/2013
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