11 de fevereiro, de 2014 | 00:00

Cenibra quer ser ouvida em audiências sobre Plano Diretor

Empresa contesta com números projeto que prevê extinção de florestas de eucalipto em Ipatinga


DA REDAÇÃO – As audiências a serem promovidas pela Câmara Municipal para discutir o projeto de lei do Plano Diretor deverão inserir o debate sobre a atuação da Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra) no território de Ipatinga. O motivo é um inciso do artigo 7º do anteprojeto, que determina um prazo máximo de dez anos para que seja encerrado o plantio de eucalipto e incentivada a plantação de árvores nativas na Área de Preservação Ambiental (APA Ipanema), que abrange uma parcela considerável do território rural do município, nas regiões de Tribuna, Ipaneminha e Ipanemão.

Proprietária de terras e com atividades de florestas replantadas de eucalipto, a Cenibra já tratava do assunto com sua área técnica, desde dezembro de 2013, quando ficou pronto o anteprojeto com a revisão e atualização do Plano Diretor elaborado em 2006, e a elaboração, revisão e atualização da legislação complementar (Lei de Uso e Ocupação e Parcelamento do Solo, Código de Obras, Código de Posturas, Código de Meio Ambiente, Código de Vigilância Sanitária e Código Tributário).

Caso seja mantido inalterado o artigo, a Cenibra teria suas atividades de plantio de eucalipto encerradas em Ipatinga. O inciso foi inserido no anteprojeto de lei durante as discussões na Regional 8, que abrange a APA Ipanema.

A empresa reconhece que cabe à sociedade, a partir de um diálogo ético e democrático, avaliar e decidir quais as melhores formas de ocupação do território que contribuam para o desenvolvimento sustentável do município. Entretanto, a Cenibra nega, com dados técnicos, que sua presença seja a causa de danos ambientais em Ipatinga, a ponto de ter pedida a sua saída do município.

Em nota, a diretoria da Cenibra informou que maneja uma área total de 254 mil hectares, dos quais são 51% de plantio de eucalipto, 41% de áreas destinadas à conservação da biodiversidade e dos recursos naturais (preservação permanente, reserva legal e floresta nativa, o que corresponde a mais de 100 mil ha), e o restante em áreas destinadas para infraestrutura e outros. Especificamente na bacia do ribeirão Ipanema, a empresa possui uma área de 2.096,22 hectares, sendo 880,43 hectares de plantio de eucalipto (o que corresponde a apenas 5% da área total da bacia do ribeirão Ipanema, estimada em 15 mil hectares) e 1.202 ha de áreas de matas nativas, que fornecem suporte a uma rica fauna silvestre e proteção a inúmeras nascentes e corpos d’água.

Mas nem todo o eucalipto plantado na região é diretamente da Cenibra, porque é dada a oportunidade a pequenos proprietários rurais para o cultivo do eucalipto. Atualmente existem 98,70 hectares cultivados nessa modalidade, o que gera alternativa econômica para os agricultores.

A empresa também enfatiza que os aspectos mais importantes relacionados às suas atividades são identificados e analisados de modo que passivos legais, conflitos sociais, impactos ambientais e riscos à saúde e segurança do trabalhador e das comunidades sejam prevenidos ou minimizados, utilizando-se sempre as melhores opções técnicas e econômicas disponíveis.

Manejo
Entre outros cuidados, a empresa informa que os plantios são feitos em forma de mosaicos, nos quais as áreas de eucalipto se misturam às áreas de reserva e de preservação permanente, e a propriedades rurais de terceiros com suas pastagens e áreas de cultivo, aspectos importantes para a manutenção da qualidade ambiental da região.

Água
Sobre os efeitos resultantes de sua atuação nos recursos hídricos, a Cenibra destaca que o manejo praticado utiliza o conceito do cultivo mínimo, pelo qual o solo é mantido com uma cobertura vegetal que o protege contra processos erosivos, subsolagem que contribui para a infiltração da água de chuvas, manutenção de extensas áreas de reserva e preservação permanente, prevenção e controle de incêndios florestais, entre outros. “Isso contribui para que os corpos hídricos de bacias manejadas pela empresa possuam qualidade superior àquelas onde, por exemplo, predomina a existência de pastagens, estando com perfil próximo, em determinados parâmetros, aos dos corpos hídricos de bacias ocupadas somente por cobertura florestal nativa”, detalha.

Abrangência

Conforme a nota, as áreas cultivadas com eucalipto pela Cenibra representam 5% do total da bacia do ribeirão Ipanema, dado que, aliado ao manejo praticado, confere uma condição de impacto pouco significativo pela sua presença na região.

Dessa forma, a eliminação do plantio do eucalipto não iria contribuir significativamente para a mudança de indicadores ambientais da bacia, conforme expectativa da proposta do Plano Diretor, uma vez que o manejo praticado pela empresa já contribui para a conservação dos solos, recursos hídricos e suporte para a fauna, possibilitando que uma atividade econômica seja desenvolvida de forma harmônica com os interesses de conservação ambiental.

“Ao mesmo tempo, essa eventual proibição implicaria a saída de cena de um importante agente econômico, que participa do desenvolvimento do município, gerando trabalho e renda, alternativa econômica a pequenos proprietários rurais e que contribui de forma significativa na proteção e manutenção de um importante patrimônio natural (cerca de 1.200 ha de matas nativas)”, explica a área técnica da empresa.

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