29 de março, de 2014 | 00:00

Em lote particular, ocupantes temem reintegração de posse

Donos da área da antiga Martins Klein não apareceram o que gerou expectativa entre os sem casas


IPATINGA - Das ocupações irregulares registradas neste ano em Ipatinga, restaram cerca de 20 barracos em uma antiga área da Construtora Martins Klein, no bairro Esperança. No terreno privado, os donos ainda não apareceram e os ocupantes temem dar continuidade à ocupação dos lotes. Há quem já tenha comprado materiais de construção, mas existe a insegurança de que, a qualquer momento, o proprietário dê as caras e reivindique a posse da área.

Uma das entradas do terreno ocupado fica na avenida Hortênsia. Por lá existem barracos vazios e há quem resida nos barracões com estruturas precárias. A ocupação da área particular começou na segunda quinzena de janeiro, segundo os próprios ocupantes. “Ninguém apareceu até hoje. A prefeitura não pode intervir por não ser um terreno público”, comenta um morador.

Desempregado, o pedreiro Antônio Paulino, 56, afirma que reside no local desde o início da invasão, que ocorreu dias depois da ocupação do Nova Esperança e Recanto. “Por enquanto ninguém vai construir. Vamos esperar um pouco”, conta o homem que se mudou para lá com a esposa e o filho.

Wôlmer Ezequiel


Ocupação Martins Klein 2


Antônio assegura que faz mais de 30 anos que o terreno está ocioso, isso porque ele lembra que tentou um emprego no auge das atividades da construtora. Durante um período, um morador que cuidava do espaço teria residido lá, mas se mudou há cerca de três anos a pedido dos donos. “É o que todo mundo comenta”, diz. A possibilidade de retorno dos proprietários e as ações de reintegração de posse deflagradas em conjunto com a Polícia Militar nas últimas semanas dão o tom da incerteza em consolidar a ocupação.

Alda da Silva, 53, e o marido, Jorge Felipe, 52, trabalhavam juntos em uma firma de limpeza, mas foram demitidos. O dinheiro do acerto e do seguro está no fim e eles ressaltam que conseguir um emprego agora, dado a idade, não está sendo fácil. A casa onde pagam um aluguel de R$ 280 foi considerada de risco, e quando souberam da invasão, se juntaram aos ocupantes, com os filhos. “Manter um aluguel, comer e pagar as contas com um salário mínimo não é fácil, o que dirá sem ele. Oportunista tem em todo lugar, mas há quem de fato precise”, defende Alda da Silva.

Nos vários lotes bem demarcados, já foram escavadas as bases das construções. Um caminhão já descarregou um monte de areia, inclusive. Mas, por enquanto, é só lona, madeira e telha. “A esperança é a última que morre”, diz outro ocupante, quanto à expectativa de que na área privada a ocupação dê certo.

Wôlmer Ezequiel


Família ocupação Martins Klein


Nesta sexta-feira, o DIÁRIO DO AÇO procurou em órgãos oficiais e fontes populares sobre o paradeiro dos proprietários, mas nenhuma delas soube informar quem são e onde estão os proprietários do terreno. 


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