26 de julho, de 2014 | 00:00

“Falta investir em políticas de fortalecimento das famílias”

Advogado destaca a necessidade de informação para lidar com as novas formas de crimes via internet


IPATINGA – Os avanços e desafios para implementação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) foram discutidos na tarde de ontem durante a sessão plenária solene do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA). O evento, promovido no auditório da Associação Comercial de Ipatinga (Aciapi), marcou a comemoração dos 24 anos do ECA. Na ocasião, o advogado e ex-presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, James Andris Pinheiro, apresentou uma palestra sobre o tema “A Violação dos Direitos Humanos Fundamentais da Criança e do Adolescente”.

Em entrevista ao DIÁRIO DO AÇO, o advogado apontou a necessidade de investir em políticas públicas para a família como um dos desafios para evitar crimes praticados contra crianças e adolescentes e também atos infracionais cometidos por eles. “Falta investir nas políticas de fortalecimento de vínculos familiares, não temos espaço para discutir com a família. Ninguém nasce sabendo ser pai ou mãe, muitas pessoas precisam aprender”, afirmou.

Com a modernidade, a figura do pai e da mãe nem sempre são as referências na criação de uma pessoa. Mas, independentemente da figura da autoridade, na avaliação de James Andris, o importante é que a família tenha estrutura. “Essa família tem que funcionar bem e cuidar das crianças para que elas tenham a capacidade de lidar com adversidades sem se envolver com as coisas erradas”, opinou.

Na atualidade, os crimes de abuso praticados contra crianças e adolescentes com auxílio da tecnologia, em especial as redes sociais, tornaram-se frequentes. Questionado sobre esse novo desafio, o advogado voltou a citar a família como fator de prevenção. Para ele, os responsáveis por crianças e adolescentes precisam buscar informações sobre como acompanhar o uso da internet. “Além de não estarem estruturadas para os novos desafios fora de casa, muitas famílias não sabem lidar com a tecnologia. A capacitação profissional dos pais não é só pelo sustento, mas também os ajudam a cuidar dos filhos”, pontuou.

A dificuldade de evitar crimes por meios tecnológicos passa pela falta de acesso qualificado à internet. “Muitos pais não sabem bloquear sites e a navegação do filho na rede, sem ser invasivo, para prevenir os problemas. Daí a importância em termos políticas públicas para a família”, salientou James Andris.  

A vigilância dos pais quanto ao uso da internet é bem delicada. Afinal, não é possível proibir o acesso que hoje é tão facilitado, inclusive por dispositivos móveis como o smartphone. “Os pais precisam é de acesso à informação para saber acompanhar e orientar a vida dos filhos. Em fase de desenvolvimento, a criança não está preparada para filtrar o que pode ou não pode. Por mais que se discuta o direito à privacidade dela, há o limite e o cuidado que o pai deve ter, até porque ele pode responder por isso, inclusive legalmente”, destacou o advogado.
 
Leis
Wôlmer Ezequiel


evento ECA
Essa nova forma de abordar as vítimas gera amplas discussões no campo jurídico, que ainda busca mecanismos de penalizar os agressores. Na avaliação de James Andris Pinheiro, o acesso amplo à internet pela população brasileira pode ser considerado recente, assim como a legislação que carece de constantes correções. “Recentemente, tivemos aprovados o Marco Civil da internet. Até então, não havia limites para capitular tal coisa como crime cibernético. O próprio governo brasileiro foi vítima de espionagem na rede. Se nas relações diplomáticas não têm uma legislação própria, imagina essa situação no dia a dia da família que não tem preparo para lidar com isso?”, argumentou.

O ex-presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente reconhece que a legislação relacionada ao crime de internet, incluindo abusos contra crianças, é falha. “Até pouco tempo não tinha materialidade de crime contra uma criança assediada pela internet. A legislação está em constante avanço e precisa continuar nesse caminho”, enfatizou.

 

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