08 de agosto, de 2014 | 00:00
Insatisfação com intervenção na BR-458 gera abaixo-assinado
Documento com 500 assinaturas será entregue ao Ministério Público Federal e Tribunal de Contas da União
IPATINGA Está programada para a tarde de hoje a entrega, ao Ministério Público Federal (MPF), de um abaixo-assinado com 500 assinaturas de moradores que se declaram insatisfeitos com a intervenção no asfalto da BR-458. O documento também será encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU). Conforme já foi amplamente divulgado pelo DIÁRIO DO AÇO desde maio deste ano, a obra de caráter preventivo contempla 50 quilômetros entre o entroncamento com a BR-116 até Ipatinga e está orçada em pouco mais de R$ 13,8 milhões. No fim de julho, a intervenção na avenida Cláudio Moura, em Ipatinga, foi finalizada, e o resultado gerou reclamações de moradores.
De iniciativa do aposentado Alaor de Sales Botelho, morador do bairro Cariru, o abaixo-assinado foi iniciado no último domingo (3). O documento questiona a qualidade do serviço no trecho de Ipatinga e sua necessidade. A consistência áspera do asfalto é alvo de muitas queixas. Sem falar no barulho que faz dentro do carro. Isso é um crime. Tínhamos um asfalto razoável neste trecho, que já foi recapeado. Agora, ficamos com um asfalto de péssima qualidade, grosseiro, e que já está soltando da pista”, criticou Alaor Botelho.
Ele trafega com frequência pela BR-458 para viajar até Muriaé e questiona a intervenção feita também ao longo da rodovia. O objetivo de formalizar a reclamação junto ao MPF e TCU é pedir uma investigação da obra. A expectativa é de que o MP verifique quais as reais razões para fazer recapeamento”, comentou.
Ouvidoria
As reclamações em relação à obra são numerosas também na Ouvidoria da Prefeitura de Ipatinga. Os registros motivaram no fim de julho, uma reunião de representantes da administração municipal com a superintendência estadual do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit). O secretário de Serviços Urbanos e Meio Ambiente, Gustavo Finocchio, informou que fotografias do asfalto na avenida Cláudio Moura foram apresentadas ao órgão.
Também mostramos que as alças de ligação das duas mãos da BR-458 e acostamento não foram feitas. Aguardamos uma equipe técnica no Dnit para fazer vistoria no local”, disse Gustavo Finocchio. A administração municipal também questionou o motivo do material utilizado não ter sido o CBUQ (asfalto quente).
Acostamento e alças
O pedido de intervenção no acostamento e nas alças da BR-458, em Ipatinga, é analisado pela superintendência do Dnit, conforme informou, por telefone, o supervisor do órgão em Caratinga, Milton Genelhu. Os acostamentos e o retorno não estavam previstos no projeto do Crema 1. Então, estamos fazendo um projeto de revisão para encaminhar para a superintendência do Dnit. Se for aprovado, ele será executado e com o mesmo tipo de pavimento”, explicou o supervisor.
Motivação da obra
O Crema 1, programa do governo federal, prevê a recuperação do pavimento e também da base, de acordo com a demanda de cada ponto do trecho. A empresa CCM Construtora executa a obra com um efetivo de aproximadamente 120 trabalhadores. Milton Genelhu destaca que o objetivo do Crema é fazer uma manutenção do asfalto para evitar que a rodovia chegue ao estado caótico que ficou na época da intervenção do exercício em 2005.
Em Ipatinga, a intervenção feita é o microrevestimento do asfalto utilizando asfalto frio, com o objetivo de rejuvenescimento e selagem de trincas do piso existente. Milton Genelhu informou, ainda, que a obra em Ipatinga está concluída e as demais intervenções ao longo da rodovia cessam em 60 dias. Depois disso, até maio serão feitas apenas obras de manutenção, como roçada, capina, limpeza de drenagem e tapa-buraco. O contrato com a CCM prevê recuperação e conserva”, detalhou o supervisor.
Desconhecimento
Questionado sobre o comentário comum que circula na cidade de que o asfalto ficou pior”, Milton Genelhu rebateu as críticas, alegando falta de conhecimento técnico de quem critica. O comentário de que foi jogada uma borra de asfalto na pista é normalmente de pessoas que desconhecem esse tipo de serviço”, respondeu. O supervisor do Dnit detalhou o processo realizado na BR-458. Ele frisa que o asfalto frio, usado em Ipatinga, exige tempo de até cinco horas para romper e virar asfalto puro. Mas na avenida Cláudio Moura muitos carros passaram em cima do asfalto antes de ser curado. Houve falha em consequência disso e não na execução do serviço”, explicou.
Milton Genelhu esteve em Ipatinga ontem e afirma que passa pelo trecho pelo menos duas vezes por semana. Ele contesta as alegações dos motoristas de Ipatinga. Não há trepidação no volante. O asfalto é mais áspero porque não é usado um rolo liso e sim um caminhão-usina, que apenas espalha o material. Ele tem aspereza maior e provoca barulho no pneu, mas em compensação no período de chuva é muito mais antiderrapante do que o outro por oferecer maior aderência”, alegou.
Estudo técnico
A escolha do material usado em Ipatinga em detrimento do CBUQ é justificada por Milton Genelhu com base no estudo realizado pelo Instituto de Pesquisas Rodoviárias (IPR) do Dnit. O tipo de revestimento usado é normatizado pelo Dnit. Em todo o trecho, foi realizado um Levantamento Deflectométrico, que consiste em um equipamento que avalia o nível de deflexão na pista e com base nisto define-se o tipo de intervenção e material utilizado em cada ponto. Em alguns pontos, foi necessária uma base nova e em outros apenas o microrevestimento como é o caso de Ipatinga”, especificou.
O supervisor do Dnit enfatiza que, no estudo, verificou-se que a pista estava em boas condições e não precisava de uma intervenção significativa. As condições apontaram que o microrevestimento era suficiente para manter o pavimento dentro do período de dois anos de garantia do Crema 1”, justificou.
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