21 de agosto, de 2014 | 00:00

Endividados evitam longo parcelamento nas compras

Em Ipatinga, a inadimplência com cheques e crediário registra aumento de 4% em julho


IPATINGA – A devolução de cheques no país por insuficiência de fundos no mês passado chegou a 2,24%, o maior nível registrado para o mês de julho desde o início das medições em 1991, conforme aponta a empresa de consultoria Serasa Experian. Entre as regiões, a Norte foi a que liderou o ranking de cheques devolvidos, com 4,31% de devoluções, e a Região Sudeste foi a que apresentou o menor percentual: 1,62%.

Em Ipatinga, dados do setor SPC/Serasa da Associação Comercial, Inustrial e Prestação de Serviços de Ipatinga (Aciapi) e Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) apontam um aumento entre 3% e 4% da inadimplência, no comparativo de julho deste ano com o mesmo mês em 2013. A informação é do presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Ipatinga, Cláudio Zambaldi.

Ele destaca que o dado corresponde a consultas de cheques, crediários e de inclusões e retiradas no cadastro de inadimplentes. “O cheque ainda é moeda muito forte e respeitada, porém o cartão cresce devido à acessibilidade e praticidade. Com ele, os clientes têm facilidade de acesso ao crédito por já ter o cadastro aprovado. É mais rápido e prático”, afirmou Cláudio Zambaldi.

As transações com cartões de débito e de crédito movimentaram R$ 455 bilhões no Brasil, no primeiro semestre deste ano. Conforme levantamento da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços  (Abecs), isso representou um aumento de 16,3% em comparação a igual período do ano passado. Para o presidente da CDL, o cenário percebido em Ipatinga acompanha o cenário econômico brasileiro que sente os reflexos de facilidade no crédito há três anos.

Cláudio Zambaldi lembra que as facilidades propiciaram a muitas famílias realizar o sonho da casa própria e do carro, por meio de financiamentos. “Criou-se uma parcela de compromisso mensal por um longo tempo e diante de tropeços, como o desemprego, veio a inadimplência. Na região, a crise no setor industrial surtiu muito desemprego. Neste contexto, famílias tiveram que priorizar questões mais essenciais e o comércio sofreu com isso”, avaliou Cláudio Zambaldi.  

No dinheiro
Polliane Torres


cláudio zambaldi
Diante desse cenário de endividamento das famílias, o comportamento na hora das compras está mudando, conforme aponta Cláudio Zambaldi. “Percebemos que hoje há um crescimento grande de compras à vista. Para sair um pouco fora desses compromissos mensais os clientes compram no dinheiro, cartão de débito ou parcelam em no máximo quatro vezes. Por isso, acreditamos que em pouco tempo a inadimplência vai reduzir”, ressaltou.

Apesar das facilidades do cartão de crédito, uma antiga forma de pagamento que ainda é popular entre consumidores é o crediário. “O crediário ainda é muito forte, principalmente no interior de Minas Gerais. Ele oferece uma vantagem muito grande porque quando o cliente retorna para pagar ele pode comprar novamente. O crediário cativa o cliente e promove fidelidade”, destacou Cláudio Zambaldi.

Retomada
A aposta do momento no comércio é para o Natal. A expectativa é que a data ajude a amenizar os prejuízos do primeiro semestre. Antes disso, Cláudio Zambaldi acredita que as eleições ainda devem impactar no comércio, mas passado o mês de outubro a tendência é de aquecimento. “Acredito que teremos aquecimento devido à demanda reprimida no primeiro semestre. É importante que lojistas se preparem com campanhas e produtos com preço acessível para termos bons resultados no fim de ano”, salientou Cláudio Zambaldi.

 

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