24 de agosto, de 2014 | 00:00
Faltam médicos onde não há condições para trabalhar”
Presidente de entidade critica programa criado para ampliar o número de profissionais no SUS
IPATINGA Passado um ano de lançamento do Programa Mais Médicos, criado por meio da Medida Provisória nº 621 em julho de 2013, entidades médicas endossam críticas à polêmica iniciativa. O presidente da Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), Lincoln Lopes Ferreira, afirma que apesar da expressiva importação” de profissionais para atender regiões de vulnerabilidade social do país, ainda não há impactos significativos na melhoria da saúde do brasileiro. Desafio qualquer autoridade a me apontar um único indicador de saúde que tenha sido impactado pelo Programa Mais Médicos”, dispara o médico.
Cirurgião geral gastroenterologista e administrador de saúde, Ferreira veio ao Vale do Aço para participar do ciclo de debates da XII Jornada Acadêmica da Saúde e III Congresso de Atualidades Médicas do Vale do Aço, realizado pela Faculdade de Medicina do Vale do Aço (Univaço) e encerrado na sexta-feira, 22. No evento, o dirigente da AMMG pontuou desafios de mercado do profissional médico.
No que tange à iniciativa do governo federal, dados divulgados pelo Ministério da Saúde no mês passado indicam que o Mais Médicos contratou 14,4 mil profissionais (11,4 mil deles cubanos) distribuídos em 3,7 mil municípios e em 34 distritos indígenas. Cerca de 75% dos médicos, conforme a pasta, estão em regiões como o semiárido nordestino, a periferia de grandes centros e regiões com população quilombola.
Lincoln Lopes Ferreira reconhece que a presença dos médicos no Brasil está mais concentrada nos grandes centros urbanos e regiões mais ricas, o que dificulta o acesso de toda a população a esses profissionais. Na opinião do especialista, esse problema se justifica pelo sucateamento da saúde pública e pela má infraestrutura dos hospitais e postos de saúde existentes no interior dos estados.
Aí está o grande engodo do Mais Médicos, que é tentar matar a fome aumentando o número de cozinheiros, quando falta comida. Enquanto a saúde brasileira não atingir patamares internacionais de financiamento, nós iremos continuar vendo pessoas nos corredores (dos centros médicos), mortes sem necessidade, mau atendimento, não importando o número de profissionais existentes”, argumenta.
Nos, 853 municípios mineiros, Lincoln discorre que 488 têm 10.000 ou menos habitantes e nesses últimos, faltam políticas que possam fixar médicos. O cenário preocupante, observa o cirurgião, está distante do que é apontado por mero corporativismo dos profissionais brasileiros. Quem é que se arrisca, depois de 10 anos de investimentos 6 de escola e outros 4 de especialização a ir para um regime precário de trabalho? Poucos. Aí começamos a entender que não somos contra o programa Mais Médicos, mas que tenhamos uma estrutura que permita ao profissional trabalhar adequadamente”, endossa.
O futuro da Medicina no país, defende Lincoln, depende, dentre outros envolvidos, da população. A sociedade brasileira, até certo momento, entendeu que o melhor era ter uma Copa do Mundo. Temos hoje bons estádios do chamado padrão FIFA. Se a sociedade brasileira entender que ela precisa ter hospitais padrão FIFA, condições econômicas nós temos para isso. Nos cabe ver as condições políticas. Resta saber qual é a escolha que a população faz, e ela tem uma grande chance de fazer isso em outubro”, encerra, citado as eleições, com 1º turno em 5 de outubro.
Avaliação positiva
O diretor acadêmico da Faculdade de Medicina do Vale do Aço (Univaço), José Carlos de Carvalho Gallinari, avaliou a XII Jornada Acadêmica da Saúde e o III Congresso de Atualidades Médicas do Vale do Aço, como uma iniciativa exitosa. Sob o tema Medicina de Urgência e Emergência”, o evento foi realizado durante a quinta-feira, 21, e sexta-feira, 22, da semana que se encerrou, no teatro do Centro Cultural Usiminas. Trouxemos grandes palestrantes que trouxeram muito conhecimento. E tivemos a oportunidade de ver o nível de apresentação dos alunos da faculdade de Medicina que tem avançado de sobremaneira. Os temas foram muito qualificados, e nos surpreendeu”, disse no encerramento do evento.
O coordenador de extensão e professor da Faculdade, Vinícius Lana Ferreira, por sua vez, lembrou a oferta de educação continuada e extensão dos conhecimentos propiciada aos alunos e profissionais da área. Ele frisou ainda a relevância do debate da estruturação da Rede de Urgência e Emergência na região macro leste mineira. Esse ano trouxemos o tema da Medicina de Urgência e Emergência pensando não somente na perspectiva da formação do médico para o campo, mas também para discutirmos o processo de formação da própria região, de como a estrutura do serviço de saúde tem pensado a questão da urgência e emergência”, elencou.
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