02 de setembro, de 2014 | 00:00

Retração na construção civil

Delegado regional do Sinduscon afirma que crescimento baixo do setor reflete na grande oferta de imóveis


IPATINGA – Depósitos de materiais construção com pouco movimento, grande oferta de imóveis para venda e escassez de novas construções. Esse é o resumo do atual panorama do setor da construção civil na região, que acompanha o cenário de retração nacional. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV), o Índice Nacional de Custo da Construção do Mercado (INCC-M) teve alta de 0,19% no período de 21 de julho a 20 de agosto, o que representa expressivo decréscimo em comparação a julho, quando a taxa havia atingido variação de 0,80%. O ritmo de correções reduziu tanto em relação aos preços dos materiais, equipamentos e serviços (de 0,45% para 0,15%) quanto ao valor pago pela mão de obra (de 1,11% para 0,23%).

O delegado regional do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Kleber Muratori, afirma que os números traduzem o momento de dificuldade que o setor enfrenta. Ele atribui às políticas econômicas voltadas para contenção da inflação, incluindo a elevação da taxa de juros, como um dos fatores para o desaquecimento da construção civil. “O setor vive muito de financiamento em longo prazo e isso requer confiança do próprio consumidor. Ninguém vai arriscar a se endividar pelos próximos 10, 15 anos se não tem confiança na sua condição econômica, como a empregabilidade. Não só na construção, mas na economia de forma geral há uma grande retração no mercado”, avaliou Kleber Muratori.

A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a construção civil neste ano não gera impactos permanentes, conforme aponta o delegado regional. “Isso só tem impacto no primeiro momento. Depósitos estão esvaziados. E eles não vendem só para grandes construções, pessoas físicas também recorrem a eles para melhorias e reformas. Mas sem uma perspectiva otimista em curto prazo, elas estão adiando esses trabalhos”, enfatiza.

A consequência disso é o valor do metro quadrado estabilizado, uma vantagem para quem pretende adquirir imóvel. Kleber Muratori informa que, na região, esse valor gira em tono de R$ 4 mil a R$ 5 mil, enquanto na capital a média é de R$ 10 mil o metro quadrado. “Na região, vivemos nos últimos tempos uma estabilidade de preços, depois de uma alavancada e supervalorização com expectativa de duplicação da Usiminas e explosão de otimismo com desenvolvimento regional”, pontuou.

Por isso, o momento é favorável para quem quer e pode comprar imóvel. “Quem comprar agora não vai perder dinheiro, porque a condição dos preços está favorável. Não sabemos quando o preço vai voltar a subir, mas nesse tipo de negócio não há prejuízo futuro. Há propostas muito atraentes na região”, adiantou.

Infraestrutura
Polliane Torres


Kleber Muratori
Para melhorar a situação da construção civil no país, o delegado regional do Sinduscon, Kleber Muratori aponta a necessidade de investimentos em infraestrutura. “Isso alavanca a construção civil e estimula o mercado como um todo, por demandar recursos de mão de obra e materiais. Vivemos um momento crítico, temos que acompanhar propostas dos candidatos (a Presidência da República) para ver qual perfil econômico teremos. Sabemos que a crise mundial nos afeta, mas outros países até menores que o Brasil estão crescendo muito”, criticou.

Neste contexto, a realização da obra de duplicação da BR-381 é apontada por Kleber Muratori como alternativa de aquecimento para o setor. “Esperamos que o ritmo da obra seja continuado com o novo governo, independentemente de qual for. Apostamos que a região terá uma nova dinâmica econômica com essa duplicação”, concluiu o dirigente.

 

 

Plano Diretor em Ipatinga

 


Muito atribuem essa estagnação no setor da construção como reflexo da demora na aprovação do Plano Diretor, que foi sancionado em junho deste ano. No momento, discute-se na Câmara Municipal a lei sobre Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo. Kleber Muratori afirma que a aprovação das leis por si só não resolvem o problema da construção civil. “É preciso buscar mecanismos de desenvolvimento econômico sustentável que vão devolver a confiança no futuro”, disse.

O delegado regional do Sinduscon acredita que ainda neste ano, as novas regras do Plano Diretor estarão aprovadas. Ele lembra que essas leis de uso do solo são cíclicas. “Novos planos diretores, como em São Paulo e BH, por exemplo, reduzem as vagas em garagens dos prédios, em locais onde há adensamento maior de população para que ela use um sistema de transporte coletivo. Em Ipatinga, temos uma quantidade considerável de vagas adequada para a condição de cidade média que temos”, destacou Kleber Muratori.

 

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