04 de setembro, de 2014 | 00:00

Entidade cobra divulgação do diagnóstico da saúde regional

Documento aponta que Vale do Aço possui déficit de 600 leitos hospitalares


IPATINGA – O Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Vale do Aço (Sindeess) protocolou junto ao Ministério Público (MP) de Ipatinga o pedido de acesso ao conteúdo do diagnóstico sobre a saúde pública no Vale do Aço, além do acompanhamento das ações traçadas partir do documento. O levantamento foi realizado em 2013 pela Comissão de Trabalho de Mediação Sanitária, formada em 2012 com representantes dos hospitais da região, prefeituras, Ministério Público e Gerência regional de Saúde (GRS). A apresentação do diagnóstico pelas Comissões de Trabalho de Mediação Sanitária ocorreu durante encontro realizado em novembro de 2013, na sede da Procuradoria-Geral de Justiça, em Belo Horizonte.

A entidade pede que os dados tenham ampla divulgação para a sociedade.  O presidente do Sindeess, Aguiar dos Santos, afirma que a entidade pediu ao MP que fiscalize a implementação desse diagnóstico, em documento protocolado no último dia 27. “Fizemos o pedido tendo em vista a Lei Federal 8.080 que determina a aplicação do dinheiro na saúde mediante um levantamento completo no caso de região metropolitana”, disse Aguiar dos Santos.

O presidente alega que procurou, em abril deste, ano a Gerência Regional de Saúde (GRS) de Coronel Fabriciano e as prefeituras da região para ter acesso às informações e debatê-las, mas não obteve sucesso. “Não tivemos respostas satisfatórias. As prefeituras retornaram dizendo que já atendiam conforme a sua política de saúde”, disse.

O gerente da GRS, Anchieta Poggiali, em contrapartida, informou que o diagnóstico é um documento público, elaborado inclusive pelo próprio MP e pode ser acessado por qualquer pessoa. “Não tem nenhuma objeção, o documento é público. A SRS tem uma cópia que pode ser acessada a qualquer momento, desde que solicitada”, esclareceu Anchieta Poggiali. 

Demandas
O superintendente regional de Saúde relata que o diagnóstico aponta a necessidade de implantação de uma rede de urgência e emergência regional, o Samu, e revela um déficit na região de 600 leitos hospitalares. Entre as ações práticas motivadas pelo documento está a ampliação dos leitos nos hospitais São Camilo Coronel Fabriciano (antigo Siderúrgica) e São Camilo Timóteo (antigo Vital Brazil). “Teremos 150 novos leitos somando esses dois hospitais e mais 50 no hospital que será reativado em Belo Oriente. Isso não é suficiente, mas reduz de forma substancial esse déficit de leitos”, declarou Anchieta Poggiali.

Aguiar dos Santos reconhece a melhoria nos atendimentos nos municípios da região, mas reitera que a crise na saúde pública persiste. “Queremos saber quando vamos resolver a crise, pois os hospitais continuam sobrecarregados. A crise não foi resolvida de fato e os usuários são os mais prejudicados”, criticou o presidente do sindicato.

Hospital SUS
Uma das bandeiras levantadas pelo Sindeess é a construção de um hospital Regional 100% SUS para atender a demanda da saúde da região, que continua reprimida. “O sindicato defende a implementação do hospital regional e nós precisamos conhecer o teor do diagnóstico para saber se ele apresenta possibilidade de implementá-lo”, argumentou Aguiar dos Santos.

Em resposta ao questionamento, Anchieta Poggiali, disse que o diagnóstico da saúde não faz apontamento para a necessidade, ou não, da construção de um hospital regional. “Ele apenas mostra a demanda por mais leitos hospitalares”, reafirmou o superintendente.

 

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