04 de setembro, de 2014 | 00:00

“Ela merecia um enterro digno”

Na ausência do coveiro, familiares tiveram que abrir cova para sepultar mulher centenária em Iapu


DA REDAÇÃO – No município de Iapu, o sentimento de quem conheceu Alzira Rodrigues, 106 anos, é de indignação. Ela, a pioneira mais idosa do município, morreu na madrugada de terça-feira (2) e, para que seu corpo pudesse ser sepultado, os familiares e amigos tiveram que fazer a cova eles mesmos e ajudar a enterrar a idosa. Isso porque no precário cemitério da cidade, os coveiros não compareceram ao sepultamento na hora marcada.

Alzira Rodrigues faria 107 anos no dia 22 de setembro. Dias atrás, ela foi hospitalizada em Ipatinga, mas não resistiu ao avançar da idade. Moradora da casa de número 294 da rua Jair Fernandes de Melo, no Centro de Iapu, ela foi velada ao longo da terça-feira sob a comoção dos conhecidos. No fim da tarde, ocorreu o cortejo fúnebre. A surpresa foi quando as pessoas chegaram ao cemitério: não havia ninguém por lá.

“Ligamos para o prefeito, coveiro, todo mundo. Celular não dava rede, ninguém atendia. Daí os homens deram um jeito de fazer a cova enquanto outros iluminavam com lanternas. O cemitério não tinha luz, tampouco água. Foi um horror”, relata a aposentada Idalina Moreira de Carvalho, vizinha de Alzira.

Reprodução


reprodução Alzira


Mais de uma hora depois, afirmam os vizinhos, o coveiro foi localizado e levado ao cemitério. Foi quando familiares e amigos descobriram que o funcionário não havia sido comunicado do sepultamento. “É uma coisa inaceitável e que não pode acontecer. Ela morava em Iapu bem antes de se tornar município. Já foi notícia por ser uma das pessoas mais velhas do Vale do Aço”, diz, por sua vez, o radialista Emerson Aguiar, que trabalha em Ipatinga, mas que cresceu ao lado da idosa.

Na casa onde morou Alzira por tantos anos, um silêncio cortante. “Foi uma falta de respeito. Até agora ninguém nos procurou para, pelo menos, pedir desculpas. O que aconteceu foi uma humilhação para a gente. Minha vó faz parte da história desse município e merecia mais que isso”, afirmou a neta, Diná Araújo Gouveia.

Prefeitura

A administração do município enviou um comunicado ao DIÁRIO DO AÇO onde lamentou o ocorrido. A Prefeitura de Iapu reconheceu ter ocorrido uma falha de comunicação entre os funcionários que atenderam à solicitação do serviço. “O prefeito José Carlos de Barros (PSDB), irá pessoalmente se desculpar e solidarizar com a família de dona Alzira, e lamenta profundamente o acontecido”, ressaltou o órgão.

A prefeitura reiterou que ao tomar conhecimento da situação ocorrida na terça-feira enviou, imediatamente, os funcionários do cemitério para dar sequência ao sepultamento. Agora, todos os fatos são apurados para que medidas cabíveis sejam tomadas pela administração municipal. “Informamos ainda que alguns parentes e amigos ajudaram na abertura da cova, não pela ausência dos coveiros, mas sim pelo atraso, em virtude do incidente ocorrido, uma vez que já era noite e queriam agilizar o sepultamento”, encerrou o comunicado.
 

Emerson Aguiar


cemitério alzira


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