06 de setembro, de 2014 | 00:00

Acesso à odontologia ainda é restrito

País possui 70 mil dentistas na rede pública; o preconizado pela OMS é 200 mil profissionais


IPATINGA – Para muitos, a ida ao dentista ainda é um luxo, devido à falta de condições financeiras. Outros não vão por ignorarem a importância da saúde bucal. Com o programa do governo federal Brasil Sorridente, o acesso a esse serviço de saúde na rede pública aumentou no Brasil, mas está longe de ser o ideal. Nos últimos anos, o número de dentistas na rede pública aumentou de 16% para 30%. Mas em geral eles atendem 37% da demanda o confirma a sobrecarga. Os dados são citados pelo Sindicato dos Odontologistas de Minas Gerais (Somge).

O resultado dessa matemática, que não fecha, são filas de espera que podem demorar mais que um ano e agravar problemas que a princípio seriam simples. Presente nas palestras da Ação Social de Prevenção ao Câncer Bucal, realizada em Ipatinga na semana que passou pelo Conselho Regional de Odontologia de Minas Gerais e delegacia regional do CRO, o presidente da entidade, Eduardo Carlos Gomide, explicou que a Organização Mundial de Saúde preconiza que o país deveria ter pelo menos 200 mil profissionais na rede, mas atualmente são 70 mil. “Estamos longe do ideal, mas temos avançado. O mais importante agora é a organização do serviço. Houve estruturação, mas há uma grande insatisfação da categoria em relação às condições de trabalho”, disse o Eduardo Gomide. 

Em relação à qualidade dos serviços atendidos, Eduardo Gomide aponta a necessidade de ampliar os procedimentos na atenção básica, como por exemplo, a prótese. “O Ministério da Saúde não tem entendido a prótese, mesmo a provisória, como atenção primária. Isso é lamentável, porque entregamos o paciente muitas vezes sem condição mastigatória, nem estética. E a saúde bucal influencia nas relações sociais”, criticou.

A valorização da odontologia na atenção primária será tema do III Congresso Brasileiro de Atenção Primária em Odontologia, realizado entre 6 e 8 de novembro deste ano, em Natal (RN). “Há uma tendência natural dos municípios em desqualificar os serviços de odontologia, por falta de conhecimento da importância da odontologia no contexto da saúde”, pontua Eduardo Gomide.

Audiência pública

Polliane Torres


eduardo gomide
Também presente no evento de prevenção ao câncer bucal, o presidente do Conselho Regional de Odontologia de Minas Gerais (CRO-MG), Luciano Eloi Santos, adiantou que a entidade vai pautar uma audiência pública na Câmara de Ipatinga para debater a odontologia no município. “Vamos tentar avançar propondo uma saúde bucal melhor, mais abrangente e inclusiva. Que permita o livre acesso”, comentou o presidente.

Em sua avaliação, Luciano Santos aponta que o Brasil Sorridente aumentou o acesso à odontologia, mas precisa avançar principalmente com a qualificação de profissionais. Desta forma, é possível ampliar ações de prevenção ao câncer bucal que está entre os dez tipos da doença que mais matam no Brasil. “Devemos dar mais visibilidade à doença para que a população possa fazer o autoexame da boca. Em caso de ferida que não cicatriza é preciso procurar cirurgião-dentista que vai encaminhar para o tratamento oncológico”, explicou.

 

Rede de dentistas protegidos é apresentada em Ipatinga

 

Polliane Torres


luciano santos
Durante as palestras na Ação Social de Combate à Prevenção do Câncer Bucal, o Conselho Regional de Odontologia (CRO-MG) apresentou a Rede de Dentistas Protegidos que já funciona na capital mineira e outras cidades do interior. A iniciativa do CRO-MG, do Sindicato dos Odontologistas de Minas em parceria com a Polícia Militar, prevê a instalação de aplicativo que aciona dez pessoas simultaneamente no caso de ataques de bandidos a consultórios.

O presidente do CRO-MG, Luciano Eloi Santos, alerta para o alto número de furtos, arrombamentos e até abuso sexual cometido em consultórios odontológicos. “Essa proposta tem dado bom retorno na capital e viemos apresentá-la a Ipatinga. O aplicativo possui um botão antipânico que aciona dez pessoas ao mesmo tempo. Na maioria das vezes, consultórios e clínicas são vulneráveis pelas suas características”, ressaltou Luciano Santos.

Ele relata que muitos desses estabelecimentos possuem apenas o dentista e mais uma atendente e recebe parte dos pagamentos em dinheiro ou cheque. “Os bandidos visam agendar o último horário quando não tem pessoas na recepção e o profissional está sozinho”, pontuou.


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