07 de setembro, de 2014 | 00:00
Simplificação tributária como alternativa
Classe empresarial vê reforma distante e tributos muito altos
IPATINGA A carga de impostos cobrada no Brasil tem sido questionada por empresários e lideranças ao longo dos anos. A reforma tributária, reivindicada em reiterados mandatos presidenciais, já é considerada como uma possibilidade distante, razão pela qual será defendida a simplificação tributária, como explica o vice-presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado de Minas Gerais (Federaminas), Valmir Rodrigues.
Especialista em gestão empresarial e consultor contábil e tributário, Valmir Rodrigues esteve em Ipatinga para uma palestra na Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e de Prestação de Serviços de Ipatinga (Aciapi) e da Câmara de Dirigentes Lojistas de Ipatinga (CDL). Ele explica que, muito debatida e cobrada, a reforma tributária já parece uma utopia e que nunca irá ocorrer.
Porém, nos últimos tempos, teve início a discussão não da reforma, do modelo de redução tributária, mas sim um modelo de simplificação tributária. Ou seja, quando você simplifica, naturalmente o imposto tende a cair e o simplificar soa melhor aos ouvidos da classe política brasileira”, avalia. Valmir Rodrigues exemplifica o impacto dos impostos na vida do cidadão comum. Uma pessoa que recebe R$ 1.000 por mês, tem um poder de compra de apenas R$ 480, ou seja, ela perde 52% do poder de compra.
Tudo isso relacionado a tributos, é um impacto grande. E na vida do empresário, quase 40% de tudo aquilo que ele produz é imposto, então realmente o custo é muito alto. Isso precisa ser revisto, não só a tributação, mas a forma de distribuição e de retorno, porque hoje a nossa tributação é alta, mas se torna mais alta ainda pelo fato de não termos retorno”, aponta.
O dirigente pontua que o Brasil é a 14ª maior carga tributária do mundo, e, em uma pesquisa sobre o retorno desse tributo para a sociedade com 30 países, o Brasil ficou em último lugar, ficando atrás de Chile, Argentina, Uruguai, por exemplo. O retorno é mínimo. Tenho uma comparação onde o elefante diz eu sou o imposto, e a formiguinha diz, eu sou o retorno, só para ilustrar o que vivemos”, relata.
Valmir Rodrigues revela que já existem algumas discussões sobre o tema e a própria Federaminas irá fazer um movimento no mês de novembro sobre essa questão da simplificação, onde pretende colher um milhão e meio de assinaturas. Temos conversado com a classe política para que, no primeiro ano de governo, independentemente de quem seja eleito, comecemos a discutir, porque, se alguma coisa não for feita no primeiro ano, dificilmente nos outros anos será. Então, a nossa expectativa é que em 2015 consigamos movimentar tudo isso, para realmente trabalhar a simplificação tributária”, disse.
Dirigente reitera a
necessidade de mudança
O presidente da Associação Comercial, Industrial e Prestação de Serviços de Ipatinga (Aciapi), Luís Henrique Alves, também vê a simplificação tributária como uma necessidade. Ele pontua que
alguma coisa tem de ser feita, porque além de ser muito complexa a legislação, onde a cada dia ocorre uma mudança, enquanto as pessoas dormem, uma alíquota é criada. Concordamos que tem de ser feita essa readequação. A simplificação é o caminho e essa questão da União ficar com praticamente toda receita, prejudica não só a classe empresarial, mas a sociedade também, porque o dinheiro desse imposto fica mais difícil para ser revertido para a comunidade. Essa divisão também precisa ser revista”, aponta.
Luís Henrique acrescenta que, entre a classe empresarial, o que se comenta que de janeiro a junho, se trabalha apenas para pagar impostos, alíquotas altas, e diversos tipos de regimes de tributação diferentes. Por exemplo, no caso da substituição tributária em alguns produtos é até benéfica, mas em outros casos é praticamente cancerígena, porque se paga imposto sobre um produto que você nem sabe se irá vendê-lo. Então, é complicado em alguns segmentos e é um dos impostos, em minha opinião, que precisa ser feito um novo estudo sobre ele, porque do jeito que está, o empresário está sendo muito sacrificado”, concluiu.
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