14 de setembro, de 2014 | 00:00
Escassez de operários e técnicos
Formação técnica no país abrange somente 6% dos jovens, entre 16 e 24 anos
IPATINGA Em curto prazo o Vale do Aço terá disponíveis cursos de qualificação de profissionais para a indústria automotiva e o início de aulas à distância no segmento de segurança do trabalho e redes de computadores. Para 2015, a abertura de turmas na área de refrigeração industrial e a instalação do aguardado centro de tecnologia de solda. Esses projetos estão em pauta na maior unidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Minas Gerais, localizada em Ipatinga. Apesar de um cenário desfavorável para a indústria local, a oferta de cursos técnicos e profissionalizantes continua sendo uma aposta na região.
Gerente da Unidade Integrada do Senai Ipatinga, Plínio Verçosa Perruci avalia que a demanda por operários e técnicos qualificados é alta no mercado nacional, demanda muito acima da carência por profissionais de nível superior, inclusive. Dessa forma, profissionais formados no Vale do Aço são exportados” para todo o país. Alunos formados na região ingressam, por exemplo, no setor promissor de petróleo e gás em estados como o Rio de Janeiro. O mercado regional, por ora, não tem sido tão promissor aos alunos. No mercado de fora é diferente. Os salários são mais altos e as funções estão sendo mais valorizadas em função da escassez de mão de obra”, analisa Perruci.
Um levantamento feito pela Fundação Dom Cabral (FDC), em São Paulo, publicado em abril deste ano e veiculado pela BBC Brasil, informa que nove a cada dez empresas brasileiras apresentam dificuldades em preencher seus quadros. Em uma análise por área, a produção/chão de fábrica continua sendo a mais difícil de encontrar trabalhadores capacitados (47,3% das empresas consultadas). A pesquisa também revela que as funções técnica e operacional são as posições de qualificação mais precária (50,62%).
A falta de preparo do trabalhador brasileiro e o estigma associado aos cursos profissionalizantes, que faz com que muitos jovens prefiram optar pela universidade do que pela escola técnica, estão entre os motivos dessa escassez de mão de obra. No Brasil, a formação técnica chega a 6% dos jovens de 16 a 24 anos, conforme o Senai. Nas 34 nações mais desenvolvidas do mundo, a média dos jovens fazendo educação profissional é 35%, de acordo com a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico. Para reverter o quadro, o governo federal espera elevar o número de matrículas do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) das atuais 8 milhões para 12 milhões nos próximos quatro anos.
A expectativa é atrair mais alunos para cursos de aprendizagem, profissionalizantes e técnicos, muitas vezes gratuitos. Com seis anos de criação, a unidade do Senai no município de Ipatinga tem cerca de 1.200 alunos atualmente, que estudam no período da manhã, tarde e noite. Plínio Verçosa Perruci entende ser o curso técnico uma ferramenta de acesso rápido ao mercado de trabalho, além de um meio de redução da desigualdade social. Os jovens estão enxergando que existe uma possibilidade de uma profissão bem remunerada e com a chance de entrar mais rápido no mercado”, diz.
Olimpíada abre as portas do mercado de trabalho
Atento ao trabalho, o estudante Wallace Santos da Silva, 19 anos, prepara uma peça no torno mecânico. O jovem sai diariamente do município de Belo Oriente, no Vale do Aço, para acessar à unidade do Senai em Ipatinga. O curso de aprendizagem em manutenção mecânica ele já concluiu. Agora treina para a seletiva da Olímpiada do Conhecimento estadual, durante a tarde, e frequenta as aulas do curso técnico de automação durante a noite, por meio do Pronatec. Ano que vem pretendo ir para Belo Horizonte competir na Olímpiada do Conhecimento, na modalidade de manutenção mecânica”, afirma o aluno.
O evento a que ele se refere é a maior competição de educação profissional das Américas. Na semana passada, o Senai organizou, em Belo Horizonte, a oitava edição nacional da Olímpiada do Conhecimento. Ao todo, mais de 800 jovens participaram da olimpíada e de competições paralelas. Minas Gerais foi recordista no número de medalhas e o aluno Vitor Santos Ota, de Ipatinga, conquistou o quinto lugar na área de Tecnologia da Informação.
A experiência que temos com a olímpiada é de ver um aluno sair da imaturidade técnica e chegar a degraus onde ele sai do curso pronto para o mercado”, elenca o instrutor de formação profissional da unidade da instituição em Ipatinga, Willy Marlon Dutra Campos. Estudantes que se destacam nessa olímpiada, tem prioridade, por exemplo, para serem trainees da instituição e futuros instrutores de cursos.
É o caso de Raphael Mardhen Assis Costa, 21, medalhista de bronze na olímpiada estadual do ano passado, no segmento de Tecnologia da Informação. Concluí o curso de aprendizagem em instalação e manutenção de redes; passei a treinar para olímpiada, fui bem colocado; me tornei trainee; faço técnico agora e pretendo ser instrutor”, afirma o aluno, satisfeito.
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