05 de outubro, de 2014 | 00:01
Expectativa sombria para o período pós-eleitoral
Independentemente do resultado, eleitos encontrarão sérios desafios a partir de 2015
IPATINGA O resultado das eleições gerais é motivo de expectativa para as lideranças regionais. Independentemente de quem for eleito, sejam deputados, senadores, governadores e presidente, eles terão um cenário desafiador pela frente. O DIÁRIO DO AÇO ouviu alguns dos representantes de entidades de classe e empresas da região, que avaliaram as principais demandas do Vale do Aço e que serão cobradas a partir da posse dos novos parlamentares e governantes.
Presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Ipatinga (Sindimiva), Jeferson Bachour destaca o momento crítico vivido pela indústria. Diante desse cenário, o dirigente espera que o próximo presidente trabalhe com uma política industrial mais consistente para o Brasil, para que o país retome o crescimento industrial.
Precisamos criar produtos com maior valor agregado. Mas para isso precisam ser feitas algumas correções e isso só poderá ocorrer por meio de uma política consistente para atender o segmento industrial”, avaliou. Ele acrescenta que é necessário ser feita uma reforma tributária, promessa antiga e que o governo não tem força política para fazer. Além disso, aponta, há o problema do câmbio, com o real muito valorizado, precisando de algo que possibilite a exportação do produto brasileiro.
Outro ponto a ser trabalhado é o parque industrial de máquinas no Brasil, que hoje conta com equipamentos defasados, com uma média de 17 anos de uso. Na Europa eles trabalham com máximo de 2 ou 3 anos de uso. É quase impossível competir com os europeus em termos de produtividade. Falei de máquinas, mas precisa ser feito algo em relação à produtividade do trabalhador também”, enfatizou.
Espera
Para Jeferson Bachour, não só a indústria, mas toda a população está em compasso de espera por ainda não saber o que irá ocorrer a partir do próximo ano. As pesquisas eleitorais ainda não nos dão a certeza de quem vai sair vitorioso. Há expectativa de um segundo turno entre Dilma (Rousseff) e Marina (Silva) ou Aécio (Neves), e se houver isso mesmo, da Dilma e do Aécio já se conhece alguma coisa, mas a plataforma da Marina ainda é desconhecida. Acredito que todo mundo está esperando para saber o que vai acontecer em 2015, já que ninguém tem uma bola de cristal para dizer o que vai ocorrer, temos de aguardar mesmo”, pontuou.
Já para o gerente executivo da Agência de Desenvolvimento de Ipatinga (ADI), Elísio Cacildo, a única certeza no horizonte é que os próximos gestores irão encontrar dificuldade. Se verificar hoje, a classe C passa por dificuldade. Já não se consegue mais comprar com o mesmo dinheiro aquilo que se comprava há seis meses. Ou seja, a inflação está aí, está batendo no teto e temos alguns itens que pesariam ainda mais na inflação e que estão sendo represados, como é o caso do combustível, da energia elétrica, por exemplo, que tem seu preço segurado, mas que, sabidamente, sofrerão reajuste e o próprio governo reconhece isso”, apontou.
Elísio Cacildo acrescenta que, já no início do ano, quem quer que seja o eleito, terá dificuldades na base econômica, inevitavelmente. Diante disso, a expectativa é que sejam tomadas medidas para amenizar a situação, como enxugar a máquina administrativa. Para o gerente executivo, o país precisa pensar em trabalhar com uma máquina mais enxuta, economizando, como se faz em casa.
No meu entendimento, o governo tem que olhar é a educação. Precisa investir muito mais do que se investe hoje. Tem gente que não sabe fazer raiz quadrada, a educação tem de ser levada mais a sério. Temos muitos analfabetos funcionais, apenas apresentar números de que tantos alunos concluíram cursos no Senai, Senac, não resolve. Precisamos de mais qualidade do que quantidade”, salientou.
Tributos
Outro ponto a ser observado, analisa Elísio, é o percentual pago em tributos. Ele destaca que o que a máquina gasta excessivamente, se compensa aumentando os impostos. Minas Gerais é um exemplo de tributação elevada. Diversas empresas do polo de Ubá migraram para o Espírito Santo e várias da Zona da Mata foram para o Rio de Janeiro. Quais as grandes empresas que vieram para o Vale do Aço? Temos também o problema de logística. O Vale do Aço foi extremamente prejudicado com o sistema de logística. Talvez não exista uma região tão prejudicada, considerado o potencial econômico que tem”, lamentou.
Lojistas acreditam em período de ajustes
Passado o período eleitoral, os lojistas de Ipatinga, José Assenir Bourguignon, da Usimicro, e Gláucio Sathler Júnior, da Óticas Maria José, opinam sobre o cenário econômico do país a partir da posse dos novos governantes. José Assenir prevê que o ano de 2015 não será tão bom, com muitos segmentos da economia retrancados, necessitando de ajustes.
Lembro especialmente do ajuste do combustível, da energia elétrica e da repressão do dólar frente ao real. O próximo governante terá de pular para resolver estas questões, além de cuidar bem da saúde, educação e segurança. O povo está desconfiado dos nossos governantes. Há uma necessidade latente de restaurar a credibilidade, tanto interna como externa”, avalia Assenir.
Gláucio Júnior observa que, independentemente de quem vença as eleições, o país vive e ainda terá um período de muitos ajustes e apertos”, pois o crédito está caro e em visível queda na atividade produtiva e comercial. As famílias ainda estão muito endividadas. Inflação alta e o desemprego recomeça. Em nossa região, é mais preocupante ainda, por causa da situação da siderurgia”, destaca. Para ele, o ano eleitoral influenciou de forma negativa a economia. A meu ver, sempre (influencia) de forma negativa. Este ano ainda tivemos a Copa do Mundo, que prejudicou muito o varejo”, pontuou.
Por sua vez, José Assenir acredita que é preciso mudar para que novas ideias sejam colocadas em prática. Precisamos de novas fontes alternativas de energia, criar incentivo para a indústria do aço junto ao governo federal, tornando-a mais competitiva em relação ao aço de outros países; liberar os critérios da construção civil e reprimir a bandidagem com mais rigor”, apontou.
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