05 de outubro, de 2014 | 12:30
Falta de acessibilidade impede cadeirante de votar
Diante da dificuldade de levar o idoso ao segundo piso da zona eleitoral, família desistiu da desejada participação democrática do aposentado
IPATINGA Aos 94 anos, João Lourenço Porto aguardava com ansiedade nos últimos meses o momento de ir à urna eletrônica e eleger seus representantes. Cadeirante, ele foi acompanhado dos filhos à zona eleitoral em que vota no bairro Bom Retiro, no fim da manhã deste domingo (5). Ao chegar à Escola Municipal Padre Cícero de Castro, contudo, veio a surpresa: a sessão de João Lourenço foi instalada no segundo piso. A cadeira de rodas do idoso era bastante pesada e na dificuldade de carregar o eleitor até o andar de cima, a família desistiu da ação. É triste isso”, lamentou a filha de João, a pensionista Lúcia Maria Porto, 65.
Ele não poderá votar devido à falta de acessibilidade. Um absurdo!”, disse, indignado, Leonidas Porto, também filho do idoso. Ele afirma que a sessão do pai sempre estivera no andar térreo. A coordenação da zona eleitoral foi procurada, mas o posicionamento dado pelo responsável em nada ajudou. A Justiça Eleitoral deve ser comunicada com antecedência de que o eleitor possui deficiência”.
Desatendidos, João Lourenço e os filhos deixaram o colégio com indignação. Com dificuldades para falar, o idoso abaixou a cabeça e expressou, com gestos, a decepção.
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Força-tarefa para cumprir o desejo do voto
Também cadeirante, o aposentado João Faier, 74, enfrentou dificuldades para votar nos candidatos de sua preferência. Faier vivenciou, nos últimos anos, um drama relatado pelo DIÁRIO DO AÇO. Em 2002, ele foi vítima de um grave acidente no bairro Veneza I. O idoso atravessava a avenida Macapá passando em cima da faixa de pedestre, quando foi atropelado por uma motocicleta em alta velocidade. A recuperação de João Faier nos últimos dois anos é apontada pela família como um milagre.
Agora com mobilidade reduzida, o morador do bairro Amaro Lanari, em Coronel Fabriciano, também foi surpreendido com a notícia de que sua sessão de votação estava no andar superior. O episódio também ocorreu na Escola Municipal Padre Cícero de Castro, no bairro Bom Retiro. Chegar à escola já foi complicado. As calçadas não tem rampas, há desníveis e buracos, e ao entrar soubemos que a sessão está no outro andar. Nos disseram que não há outro jeito senão tentarmos carrega-lo pela escada até lá”, disse o filho do aposentado, João Faber Faier.
Com a ajuda de várias pessoas o idoso foi levado ao segundo piso passando pela escadaria. Na sessão de nº 75, João Faier tirou com satisfação a colinha” que guardou no bolso e confirmou os votos. O nosso país precisa de quem o comande bem. Cidadania é fundamental, independente da idade”, observou finalmente, e satisfeito.
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