07 de outubro, de 2014 | 00:00

“Região poderia eleger mais representantes”

Para especialista em marketing político, entre outros motivos, falta consciência ao eleitor


IPATINGA – Eleitores de todo o Vale do Aço garantiram, no último dia 5, dois representantes para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais: José Célio Alvarenga, o Celinho do Sinttrocel, (PCdoB) e Rosângela Reis (PROS). Em uma região com 366.657 eleitores, a eleição de dois deputados estaduais resume um desempenho modesto, principalmente se comparado ao número de votos obtidos por candidatos de outras localidades nas urnas das principais cidades da Região Metropolitana do Vale do Aço (RMVA).

Especialista em marketing político e diretor da Praxis Opinião e Mercado, André Moreira elenca alguns motivos para o resultado do pleito de domingo, quando foram votados ainda representantes para os cargos de deputado federal, governador, senador e presidente. 

Conforme André, no caso de Ipatinga, por exemplo, onde há 181 mil eleitores, foi registrada uma abstenção de votos em torno de 20% no último domingo. Com esse número, mesmo excluindo a abstenção, sobram praticamente 150 mil votos válidos, que poderiam eleger vários deputados federais. “Uns três ou quatro, uns cinco ou seis estaduais, se houvesse uma consciência política do eleitor no sentido de que é importante ter um candidato local para representar os interesses da sua cidade e região”, aponta André Moreira.

O diretor da Praxis relata que, analisando números de 2006, 2010 e 2014, é possível constatar o crescente número de candidatos “forasteiros”, ao passo que a representatividade local já foi maior. Ele recorda que Ipatinga, em 2006, elegeu  dois deputados estaduais e dois federais, pessoas que tinham raízes na cidade. Já em 2010 elegeu um federal e um estadual. Este ano, elegeu apenas Rosângela Reis.

O resultado não é bom, na sua opinião, por se tratar de uma região que tem potencial para eleger e ter uma representatividade forte. Essa situação se justifica por vários motivos, acredita. O primeiro deles é a falta de consciência política do eleitor, que dá pouca importância à eleição proporcional; e do ponto de vista dos candidatos, não há planejamento estratégico. “Esses indivíduos aparecem com mais furor na época das eleições. A população como um todo não vê o cara. E outra coisa importante é que, normalmente, o candidato local quando aparece, seja vereador, prefeito, etc, quer fazer trampolim para a eleição seguinte, e se candidata só para encher buraco. Quem quer ganhar faz planejamento, pesquisa onde vai caminhar, qual o discurso vai apresentar. O fato de não terem o planejamento financeiro, inclusive, possibilita que outros de fora venham”, enfatiza.

Sistema
André Moreira acrescenta que as pessoas, desacreditadas da política, passaram a se importar ainda menos com a campanha eleitoral. Além disso, cita o dinheiro como o grande termômetro de uma eleição. O eleitor, destaca, vota em quem apresenta soluções para melhorar a vida dele, “pois as pessoas sabem que o seu voto tem preço”. “Na roça, já vi gente dizer que só deixava colocar faixa do candidato se os interessados pagassem por isso”, relata.

Para o especialista em marketing político, é preciso mudar o sistema, pois não adianta eleição proporcional nos moldes de hoje. “O cara lá do norte de Minas e que não tem interesse na região pode ser votado aqui. Com o voto distrital seria diferente, e com uma lista específica, teríamos mais representantes legítimos da região, não esse mundaréu de gente que acaba sendo votado a esmo”, avalia.

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