11 de outubro, de 2014 | 00:00
De volta para casa da família
Trabalho de reintegração familiar reduz número de crianças e adolescentes em abrigos
IPATINGA O número de crianças e adolescentes que vivem em abrigos diminuiu no município de Ipatinga. Desde 2013, aproximadamente 40% das crianças voltaram para as suas famílias. No último ano, as entidades chegaram a abrigar 85 crianças e adolescentes no total, excedendo a capacidade de atendimento, que é limitada em até 20 vagas em cada abrigo, conforme parâmetros do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). Atualmente, 53 meninos e meninas com até 16 anos de idade ainda vivem nas quatro entidades que prestam serviço de acolhimento institucional no município, uma média de 13 crianças por instituição.
A redução do número de crianças institucionalizadas no município é resultado do trabalho de reintegração familiar realizado pela Prefeitura de Ipatinga, por meio da rede socioassistencial e das equipes técnicas das instituições, em parceria com o Poder Judiciário. Um trabalho silencioso, mas que tem dado resultados e reunido novamente famílias antes separadas.
Mesmo depois de um exaustivo dia de trabalho, Elíria Silva Martins está atenta ao que é dito pelos quatro filhos. Agora é rotina na família: a mãe sempre está por perto e o afeto é compartilhado entre os cinco membros da família. É meu momento preferido. É quando podemos ficar mais tempo com ela”, relata Marcos Roberto Silva Teodozio, de 15 anos.
Ao lado dos irmãos Fernanda Silva Teodozio, de 16 anos, e dos gêmeos Jeferson e Guilherme Silva Teodozio, de 9 anos, Marcos disputa a atenção da mãe. Eles estão entre as 32 crianças e adolescentes que, até pouco mais de um ano, moravam em instituições de acolhimento de Ipatinga. Os quatro passaram três anos na Unidade de Acolhimento Institucional SOS Família, no bairro Canaã, e desde o início de 2013 estão sob a guarda da mãe, com quem residem em um barracão no bairro Cidade Nobre.
As crianças estavam a ponto de serem desvinculadas do poder familiar, e seriam encaminhadas para a adoção. O tempo limite de permanência das crianças no abrigo é de dois anos, conforme a lei 12.010/09, mas conseguimos prorrogar para mais um ano”, explicou a coordenadora do SOS Família, Amélia Mafra.
O caso das irmãs Karen e Kariny Cristina Teixeira, de 13 anos e 6 anos, respectivamente, é parecido. Desde o ano passado, elas não escondem a alegria de morar com a mãe, Andressa Cristiane Teixeira. O caminho para recuperar a guarda das minhas meninas foi longo. Foram dois anos e quatro meses visitando minhas filhas no Abrigo Maria-Maria e correndo atrás do direito de tê-las de volta”, descreve a dona de casa.
Depois de estruturar um lar no bairro Vila Militar, ao lado do seu companheiro, Andressa pôde trazer as filhas para casa. Sua família conta ainda com outros dois filhos da dona de casa: Kaio, de 11 anos, e Kaiky, de 9 anos, que moram com o ex-marido de Andressa, no mesmo bairro.
Investimento
Para ampliar o número de crianças reintegradas às famílias, a Prefeitura de Ipatinga criou uma equipe de supervisão e investiu na capacitação dos técnicos das entidades de serviços de acolhimento institucional. Mensalmente, a equipe de supervisão se reúne com os profissionais dos abrigos, monitora e debate caso a caso e os temas acerca do serviço especializado. A prioridade é preparar as equipes técnicas, em cada serviço de acolhimento municipal, para que os psicólogos e assistentes sociais trabalhem com o objetivo de reintegrar essas crianças às suas famílias biológicas ou às famílias substitutas, por meio de adoção”, explica a diretora do Departamento de Proteção Social Especial da PMI, Bruna de Freitas.
Acompanhamento
Na avaliação da psicóloga da Unidade de Acolhimento Institucional Maria-Maria, Mônica Natalina Rosa Grigório, o trabalho da entidade teve muitos avanços com o acompanhamento da administração municipal. Nos encontros de capacitação conseguimos alternativas para cada situação. Temos orientações de como trabalhar a aproximação da criança à sua família, como deve acontecer esse contato, esclarecemos dúvidas e debatemos as nossas dificuldades”, enfatiza a profissional.
Após o retorno das crianças às famílias de origem, os psicólogos e técnicos das instituições de acolhimento do município e da rede socioassistencial dão continuidade ao acompanhamento por, no mínimo, dois anos. As entidades conveniadas à Prefeitura de Ipatinga que acolhem idosos, pessoas com deficiências e em situação de rua também recebem a equipe de supervisão da Secretaria de Assistência Social para capacitação, monitoramento e avaliação dos serviços.
Reforço
A administração municipal também investiu no quadro de profissionais ligados à Secretaria de Assistência Social. Em 2013, o Departamento de Proteção Social Especial contava com 14 servidores e 12 instituições de acolhimento que não contabilizavam o número de profissionais, pois os convênios estavam suspensos por falta de repasse de recursos, pelo governo anterior, desde julho de 2012.
Atualmente, mais de 200 servidores compõem o departamento. Somente na gestão rede socioassistencial estão lotados 31 servidores e outros 178 profissionais atuam nas entidades conveniadas. Assistentes sociais, psicólogos, pedagogos, terapeutas ocupacionais, cuidadores, auxiliares de cuidadores, assistentes administrativos, auxiliares de serviços gerais, vigilantes e motoristas formam o quadro de profissionais da rede de Ipatinga.
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