19 de outubro, de 2014 | 00:00
Eleitores condenam clima de guerra
A uma semana do 2º turno, propostas são exceção nos debates” entre Dilma Roussef e Aécio Neves
IPATINGA Promovidos com a intenção de tornar conhecidas as propostas dos candidatos, os debates realizados pelos vários canais de TV até então faziam parte do ritual que cerca uma eleição presidencial. Apesar da troca de farpas, nas edições anteriores os candidatos procuravam evidenciar as ações que tinham em mente para as várias áreas da administração, na tentativa de ganhar o voto, sobretudo dos indecisos. No entanto, essa dinâmica foi quebrada neste ano, especialmente no duelo entre os dois finalistas de mais uma corrida rumo à Presidência.
Os encontros entre Dilma Roussef (PT) e Aécio Neves (PSDB) está longe de aparentar uma exposição de ideias. A candidata à reeleição e o tucano têm protagonizado discussões vazias e acusações de grosso calibre, deixando em segundo plano a oportunidade de apresentar seus planos de governo.
Essa agressividade tem sido reprovada pelo público em todo do Brasil. De modo geral, há o entendimento que o país está em voltas com um enorme quadro de dificuldades, mas os candidatos deixam de lado essa realidade para se dedicarem à desconstrução” do oponente. Nas ruas de Ipatinga, os eleitores lamentam e condenam essa postura dos presidenciáveis.
Um dos debates mais recentes foi marcado por uma disputa entre Dilma Rousseff e Aécio Neves em torno de números sobre a saúde em Minas Gerais, onde o tucano foi governador, e na esfera federal. Dilma apontou que Minas Gerais não cumpriu o mínimo constitucional de investimento na saúde durante o governo de Aécio. Por sua vez, o candidato do PSDB creditou o baixo investimento à ausência de regulamentação sobre o tema, e assim cabia a cada Estado definir o quanto investir em saúde e educação.
Esse é apenas um exemplo das várias críticas feitas por ambas as partes, que estenderam as acusações também a assuntos importantes como a educação, segurança pública, corrupção, entre outros temas, em vez de deixarem claro as propostas no sentido de alterar a atual situação. A aposentada Zilda Maria Macedo gostaria de ver propostas mais reais” no espaço disponibilizado aos candidatos. Gostaria que tivessem apresentado aquilo que estamos esperando, como mais segurança, mais educação. O Aécio fica batendo na tecla de que Minas é isso e aquilo, mas vemos que não é bem assim, estamos querendo ação e não só essa discussão que não está gerando nada”, resume.
Moradora do bairro Horto, Zilda Maria acrescenta que os eleitores querem ver uma proposição nova, mas concreta. Estamos ao Deus dará. Estamos ouvindo um debate que não vai levar a nada, pois não tem uma meta direta. O eleitor fica perdido nesse tiroteio. Classifico Dilma hoje como o Lula no início. Viajou muito, e teve pouco tempo para fazer, e só agora acordou para isso. Mas se retomar, vai vir com propostas reais. Ainda estou aguardando para resolver a quem vou destinar meu voto”, pontua.
O taxista Hélio Martins acredita que, durante o debate, deveriam ser discutidas propostas, acrescentando que, do jeito como estão se comportando, os dois pretendentes ao cargo estão iludindo o povo. Apontar defeitos não resolve. Já decidi meu voto e o debate não interferiu na minha decisão. Mas é preciso dizer que eles apelaram para a baixaria. O povo tinha que mostrar sua opinião de fato nas urnas, mas tem gente que nem se lembra em quem votou e não cobra a execução dessas propostas. Isso tudo dá margem para os candidatos fazerem essa baixaria na TV”, avalia.
Por sua vez, o servidor público Paulo Cézar também gostaria de ver mais propostas. O nosso Brasil precisa de alguém que olhe pela educação, saúde, e gostei da palavra do Aécio (Neves), achei firme, acredito que precisamos de mudança. Tenho definido meu candidato e os debates ajudaram nessa decisão. A proposta é fundamental para ter certeza em que se vai votar. Nosso país em termos de saúde e educação está péssimo”, apontou.
Votação
O segundo turno das eleições gerais será no próximo domingo, 26. No dia 5 de outubro, os eleitores mineiros foram às urnas para escolher governador (Fernando Pimentel/PT), senador (Antonio Anastasia/PSDB), e as bancadas de deputados estadual e federal.
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