21 de outubro, de 2014 | 00:00
Produtores rurais amargam prejuízos com estiagem
Itens de sacolão têm disparada de preços com a seca; comerciantes estimam que valores continuarão a aumentar
IPATINGA A tradicional Feira de Hortifrutigranjeiro do Ipatingão, realizada toda segunda-feira e quinta-feira no município, reúne pequenos produtores de diversas localidades. E, ultimamente, debaixo de sol forte e um calor escaldante, eles compartilham o mesmo aborrecimento: a dificuldade de ganhar o sustento em tempos em que a água está cada vez mais escassa. Está feio mexer com horta. A gente reza para que a chuva venha logo, ou não sei o que vamos arrumar”, diz, abatida, a produtora Ilda Luiz Fernandes, vinda de Piedade de Caratinga.
Ilda Fernandes, que vende no atacado e varejo na feira livre, cultiva principalmente os produtos folhosos. Na falta dágua, ela mostra que eles estão sem qualidade, com aumento da perda ainda na colheita e reflexos na logística e na exposição no comércio. O brócolis está difícil de encontrar. A cebolinha pior ainda. Eu estou parando de mexer com muito produto nesse tempo, porque não tem como aguar o dia todo”, lamenta. Na barraca dela, o molho de verduras como a couve custa, no mínimo, R$ 0,50 a unidade.
Outro frustrado com a temporada nada boa para quem não dispõe de alta tecnologia é José Leite Ferreira. O produtor de Iapu cultiva bananas e relata que a maturação da fruta tem sofrido com o atual clima. E o cliente só reclama, e com razão, mas o que nos chateia é que não podemos fazer nada”, conta. O limão tahiti virou especiaria. Na feira do Ipatingão, a caixa é comercializada a R$ 100 essa semana. Em tempo normal, não ultrapassaria R$ 35.
A comerciante Maria Ivete Favoreti, de Ipatinga, trabalha com frutas de melhor qualidade. Mas para alcançar essa proeza, os produtos vêm de outros estados, onde os fornecedores trabalham com tecnologias mais sofisticadas de irrigação. O mamão vendido por ela vem da produção do irmão no Espírito Santo; a manga do estado do Sergipe. Cada coisa de um estado. Para produzir a essa altura, só com irrigação”, reforça.
Com isso o preço subiu. A produção ficou mais cara e a logística também. Há 15 dias, o mamão estava a R$ 10. Hoje está chegando a R$ 14”, diz Maria Ivete, em referência à caixa com cerca de 6 quilos. A laranja também encareceu: R$ 14 o saco de 17 quilos, no atacado. Os comerciantes e produtores, porém, afirmam que tentam manter a maioria dos produtos no mesmo preço. Isso porque, se não venderem tudo o que levam à feira no mesmo dia, precisam jogar fora as sobras.
Disparada
O site de pesquisa Mercado Mineiro realizou um levantamento dos preços de alguns legumes, verduras e frutas nos sacolões da capital. Em relação aos legumes, a maior variação encontrada foi no quilo da batata, que tem diferença de 339,71% entre os estabelecimentos, podendo custar de R$ 0,68 até R$ 2,99. O jiló pode ser encontrado a preços que vão de R$ 1,89 a R$ 7,99, uma variação de 322,75%. Dentre as verduras, a salsinha e a cebolinha foram os itens que apresentaram a maior variação - de 113,92% - sendo encontradas pelo menor preço no valor de R$ 0,79 e o maior de R$ 1,69. A alface americana, por sua vez, pode custar de R$ 2,38 até R$ 4,98, diferença de 113,92% entre os estabelecimentos pesquisados.
Já a maior variação entre as frutas foi de 204,80%, índice apresentado nos preços do abacate, que pode custar desde R$ 2,29 até R$ 6,98. A melancia é encontrada a preços que vão de R$ 0,98 a R$ 2,96, diferença de 202,04%.
O site informa que as grandes variações dos preços podem ser explicadas devido à qualidade dos produtos, seu período de safra, influência da seca e também a localização do sacolão.
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