23 de outubro, de 2014 | 00:00
Crise no Hospital São Camilo
Em audiência pública, diretor da unidade em Timóteo apontou que déficit mensal é de R$ 218 mil
TIMÓTEO A falta de custeio para os gastos do Hospital São Camilo/Timóteo por parte de todos os municípios que utilizam os seus serviços, levou a entidade mantenedora, Sociedade Beneficente São Camilo, levantar a possibilidade de suspender o atendimento de urgência e emergência.
Timóteo, único município a contribuir mensalmente, suspendeu o repasse da verba mensal de R$ 127 mil, condicionando a retomada do pagamento à participação de todos municípios que enviam pacientes ao hospital. Além de Timóteo, o hospital macrorregional atende Antônio Dias, Coronel Fabriciano, Córrego Novo, Dionísio, Jaguaraçu, Marliéria e Pingo DÁgua.
A situação crítica, que se arrasta por mais de dois anos, foi tema de audiência pública realizada na noite de terça-feira (21), na Câmara Municipal de Timóteo, requerida pelo vereador Adriano Alvarenga (PSB). Representantes do hospital, do prefeito de Timóteo, Keisson Drumond (PT), vereadores e o superintendente Regional de Saúde, Anchieta Poggiali, participaram da reunião. Prefeitos dos outros sete municípios foram convidados, mas não compareceram à audiência. Cerca de 200 pessoas lotaram o plenário da Câmara.
Durante a audiência, o diretor médico do Hospital São Camilo de Timóteo, Alysson Campos, fez uma apresentação detalhada sobre atendimentos e a situação financeira da unidade. O diretor informou que são gastos mensalmente R$ 749 mil com atendimento de urgências e emergências no pronto socorro. Como a receita é R$ 531 mil, é gerado um déficit mensal de R$ 218 mil, um descompasso que se repete há mais de dois anos, colocando em dificuldade a situação administrativo-financeira da instituição. Em sua argumentação, Alysson Campos reforçou a necessidade de corresponsabilidade de todos os municípios atendidos para ser zerado o déficit.
O Hospital São Camilo Timóteo é referência microrregional, atendendo a uma população média de 260 mil habitantes em oito municípios, inclusive na assistência à maternidade. Entre os pacientes, 50% são moradores de Timóteo, 33% de Coronel Fabriciano, e 17% dos demais municípios. Na apresentação, o médico mostrou que mais de 5 mil pacientes são atendidos no pronto socorro, mensalmente.
Durante a audiência, Alysson Campos reforçou que não há participação financeira de nenhum dos sete municípios no custeio do hospital, e apenas de Timóteo estava contribuinte regularmente. Na avaliação do dirigente, além de ser imprescindível uma ajuda mais substancial do governo federal, os municípios deveriam discutir uma forma de garantir o repasse de R$ 172 mil para evitar um colapso financeiro.
"Não existe problema de gestão, temos uma excelente gestão se comparada nacionalmente aos melhores hospitais brasileiros. Este é um problema que envolve a corresponsabilidade moral e ética que as prefeituras teriam de arcar para manter minimamente os serviços prestados aos seus munícipes", pontuou.
De acordo com os dados apresentados pelo diretor, o hospital São Camilo possui atualmente 77 leitos ativos e taxa de ocupação de 85%. São mais de 140 médicos no corpo clínico.
MP
Como encaminhamento da audiência, ficou definido que o Ministério Público, que já acompanha o caso, deverá convocar os sete demais municípios para solicitar que se comprometam a repassar uma parcela proporcional à população de cada um deles. Na tarde de ontem, uma reunião foi realizada na sede da promotoria, em Timóteo, para tratar do assunto.
A expectativa é que seja firmado com os oito municípios um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para oficializar o compromisso do repasse, evitando assim a suspensão do atendimento, como forma de inviabilizar o funcionamento do hospital.
SRS destaca ampliação de leitos
O superintendente regional de saúde, Anchieta Poggiali, informou que o Estado contribui com o custeio e faz investimentos em equipamentos e melhorias nos hospitais da região. Ele destaca que o São Camilo recebeu, nos últimos dois anos, R$ 2,2 milhões por meio do Pro-Hosp e R$ 2,3 milhões da Rede Resposta.
O Estado faz sua parte para fortalecer os hospitais da região. A tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) está fora da realidade, e há duas décadas não é corrigida. Esperamos que haja contribuição dos municípios proporcional à população e ao atendimento no hospital que é microrregional”, enfatizou Anchieta Poggiali.
Questionado sobre a possibilidade de abertura de um hospital regional no Vale do Aço para amenizar a situação geral de atendimento na saúde, o superintendente disse que os investimentos do Estado em âmbito regional são para a abertura de mais 70 leitos no Hospital São Camilo em Timóteo, 72 leitos no São Camilo de Coronel Fabriciano e 50 leitos no hospital de Belo Oriente.
Teremos ano que vem 200 novos leitos na região. Aumentando essa capacidade de atendimento, trabalha-se no equilíbrio de recursos. Ano que vem, os 10 leitos de UTI Fabriciano vão passar para 20. E vamos duplicar o bloco cirúrgico que hoje possui duas salas. Timóteo, hoje tem oito leitos de UTI e vai contar com 20. Vamos ainda abrir a UTI neonatal e pediátrica com 15 leitos que, inclusive, já está pronta”, ressaltou Anchieta Poggiali.
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