30 de outubro, de 2014 | 00:00
Fique atento com o novo padrão de tomadas
Especialista alerta que adaptadores elevam riscos de acidente com a rede elétrica
IPATINGA Aos poucos, os aparelhos elétricos colocados no mercado eliminam a antiga tomada de dois pinos e a maioria já vem com a nova tomada padronizada, de três pinos, certificada pelo Inmetro. Há mais de três anos a NBR 104136 é o padrão oficial de tomadas no Brasil. O modelo padronizado de três encaixes foi escolhido por ser o mais seguro e contar com o condutor terra.
Embora o novo padrão brasileiro de tomadas e plugues implementado no país seja uma realidade, há tanto tempo, muitos desconhecem ou fogem do assunto. E há, também, os que, em vez de trocar as tomadas nas paredes prefira a aquisição de adaptadores para permitir a conexão das tomadas antigas com as novas. Os adaptadores estão proibidos e não serão mais fabricados. Na opinião do engenheiro eletricista Gustavo Alves Amorim, que atua em Ipatinga, o uso de adaptadores é arriscado e pode elevar o risco de incêndio. Ele orienta, também, sobre a importância do aterramento nas instalações elétricas, algo ainda distante da realidade em toda residência.
DIÁRIO DO AÇO - Adianta trocar a tomada para o novo padrão com três pinos, se a instalação elétrica não possui o fio terra?
GUSTAVO AMORIM - Ainda que a edificação não possua rede de aterramento para tomadas, é importante a troca para o novo padrão para se evitar acidentes que possam ser causados pela má conexão do plugue à tomada. O novo modelo foi criado para oferecer mais segurança aos usuários visto que seu novo design não permite o contato com os pinos metálicos do plugue no momento de conexão com as tomadas. Sendo assim, mesmo que a casa não possua uma rede de aterramento, a troca das tomadas é uma segurança extra para aqueles que manuseiam equipamentos elétricos.
DA - Como é feito e o que é, na prática, o aterramento em uma edificação?
GUSTAVO AMORIM - O aterramento é a ligação de um componente com a terra por meio de fio condutor. Na prática, uma haste de metal é inserida no solo a uma determinada profundidade e a ela é conectada ao fio condutor, que é conhecido como condutor de aterramento. Esse condutor é levado então até à caixa de distribuição dos circuitos da edificação para, de lá, ser distribuído para as tomadas. Vale lembrar que as concessionárias de energia possuem tabelas informando os tipos de materiais e dimensões a serem usadas para o aterramento.
DA Qual a importância prática deste recurso?
GUSTAVO AMORIM - Promover a segurança de qualquer um que venha a entrar em contato com equipamentos elétricos. Um dos casos mais comuns de acidentes são choques indiretos, que são aqueles onde algum fio desencapado encosta na estrutura metálica de algum equipamento, geladeiras, micro-ondas, freezers, etc., e ao encostar nesses equipamentos a pessoa acaba levando um choque. Isso ocorre porque o equipamento não está protegido, visto que, com o aterramento, essa corrente iria para a terra pelo condutor de proteção. É muito comum o relato de pessoas que, ao tomar banho, sentem pequenos choques ao ligar o chuveiro. Isso ocorre também devido à falta de aterramento e, em se tratando do banheiro, esse problema é ainda mais grave por conta do ambiente úmido e propício a intensificar o choque elétrico.
DA - É possível fazer o aterramento nas construções mais antigas?
GUSTAVO AMORIM - Sim, as construções mais antigas podem ser modernizadas com a instalação do condutor de proteção. Para tal, basta recorrer a um profissional especializado no assunto.
DA Quais os custos desse procedimento?
GUSTAVO AMORIM - Os custos serão basicamente com o eletrodo de aterramento (haste metálica), cabeamento e mão de obra - um valor razoável para aumentar significativamente a segurança da edificação. Deve-se observar que o profissional deverá fazer uma avaliação na instalação já existente e que alguns imprevistos podem surgir se tratando de uma instalação antiga, em que provavelmente não há sequer informações sobre o projeto e distribuições dos eletrodutos.
DA - E para as construções novas. É verdade que os atuais projetos elétricos já contemplam o aterramento, obrigatoriamente?
GUSTAVO AMORIM - Desde 2006, de acordo com a Lei 11.337, ficou decretada a obrigatoriedade do aterramento em instalações elétricas. Sendo assim, todos os projetos atuais devem obedecer à referida lei, incluindo o aterramento nos mesmos. O que acontece com alguns pequenos projetos, na maioria residenciais, é que as pessoas até criam o projeto contando com o aterramento, mas na hora de executar querem economizar e acabam realizando a instalação sem o condutor de proteção.
DA - Logo depois da mudança no padrão das tomadas elétricas para três pinos, as fábricas trataram de colocar adaptadores no mercado, para conectar antigas e novas tomadas. Agora, os adaptadores começaram a sumir. Realmente, é arriscado usar adaptadores?
GUSTAVO AMORIM - Sim, os adaptadores para as novas tomadas são tão arriscados como os famosos Ts utilizados nas antigas tomadas. Muitas vezes são fabricados com materiais inferiores e que não foram testados e produzidos para suportar a corrente que os equipamentos consomem. Isso leva ao aquecimento da tomada, podendo causar incêndios. Um exemplo muito comum é a pessoa adquirir um equipamento com uma corrente de 20A, como secador, micro-ondas, e comprar um adaptador e o conectar a uma tomada de 10A. O resultado disso é o superaquecimento da tomada, podendo levar até mesmo a um incêndio.
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