01 de novembro, de 2014 | 00:00

À espera de uma resposta

Quatro anos após acidente com ônibus, sete famílias de alunos da Apae aguardam decisão da Justiça


IPATINGA – Impunidade. Esse é o sentimento de sete famílias de vítimas do acidente que ficou conhecido como “Tragédia da Apae”, envolvendo dois ônibus com estudantes e funcionários da Apae de Ipatinga e atletas da Associação Esportiva e Recreativa Usipa, ocorrido em 2010, no município de Carbonita, no Vale do Jequitinhonha. A tragédia deixou onze mortos e 22 pessoas feridas causando comoção nacional e internacional. Porém, para essas famílias, a dor permanece latente diante da falta de resposta da Justiça.

Desde 2011, tramitam, na Vara da Fazenda Pública na Comarca de Ipatinga, sete processos de famílias das vítimas, todos sob a responsabilidade do advogado Emílio Celso Ferrer Fernandes. Neles, a defesa responsabiliza pela tragédia o Estado, o Município de Ipatinga, e as empresas Talentus Turismo e Translima, que transportavam as vítimas em questão. A defesa pede R$ 1 milhão por danos morais e danos materiais por vítima, cujo valor é calculado com base no tempo de vida que cada pessoa teria.

Em relação ao andamento do processo, Emílio Celso informa que já foi realizada uma audiência entre as partes. “Os acusados contestaram e a Talentus denunciou no processo o motorista do ônibus que, por sua vez, acusou o Estado por falta de sinalização na estrada. Um joga a responsabilidade para o outro”, salientou o advogado.

Emílio Celso explica que falta designar a audiência de instrução e julgamento para ouvir as testemunhas e aguardar uma sentença. “Infelizmente, temos o problema de acúmulo de processos nas varas e poucos juízes. Tinha que haver mais sensibilidade pela gravidade do caso e pela comoção que ele causou. As famílias estão sofrendo muito. O sentimento de perda não tem preço, mas essa é pelo menos uma forma de compensar a dor”, pontuou o advogado.

Inconformados
Wôlmer Ezequiel


emílio celso
Entre os atletas mortos no acidente, estava o conhecido e premiado para-atleta ipatinguense Sandro Alex, de 33 anos. Entre os eventos dos quais participou, ele representou o Brasil nos Jogos Pan-Americanos de Atletismo em 1999, no México, e no Mundial Para-Desportivo, em 1999, na Espanha. Ele também competiu nos Jogos Paraolímpicos de Sidney, na Austrália.

Quatro anos depois, os pais do atleta ainda tentam encontrar um rumo para a vida. A mãe de Sandro Alex, Maria de Fátima Cruz Santos, auxiliar de serviços gerais, procurou a reportagem do DIÁRIO DO AÇO para manifestar sua indignação com a morosidade da Justiça. Sentada na varanda de sua casa, no bairro Vila Celeste, ao lado do marido Edmundo Lino dos Santos, Maria de Fátima conta que faz terapia, trabalha e ajuda em projetos na comunidade para tentar levar a vida adiante.

“Ficamos sem rumo. Isso descontrolou a nossa vida. Um dos maiores objetivos era alcançar a autonomia do Sandro. Quando faleceu, ele estava preparado para o mercado de trabalho. Tinha acabado de fazer Senai e, na semana da formatura, ele morreu”, lembra Maria de Fátima Santos.

Irresponsabilidade
Questionada sobre o que espera da Justiça, Maria de Fátima afirma seu desejo que a irresponsabilidade não se repita. “Porque o filho é o bem mais precioso que a gente tem. Houve muita irresponsabilidade. A empresa continua carregando alunos. Precisamos de uma resposta para amenizar essa dor”, desabafou a mãe de Sandro.

Desacreditado na Justiça do país, Edmundo dos Santos, reclama da morosidade. “A Justiça vem quando ela quer, não tem data. Não é como tem que ser. Tratar desse assunto é sofrer duas vezes. Isso adoece a gente. Um processo de repercussão como esse ficar sem resposta é um absurdo”, pontuou.

Entenda o caso
A tragédia aconteceu em uma viagem de volta dos atletas da Apae, após participação nas etapas finais dos Jogos do Interior de Minas Gerais (Jimi) em Montes Claros. Entre os passageiros estavam alunos da Apae, da Escola Municipal José Alves de Assis, funcionários dos estabelecimentos e um atleta da Usipa. No trecho do município de Carbonita, o motorista de um dos ônibus tentou fazer uma ultrapassagem sobre uma ponte no rio Araçuaí. Não havia espaço para os dois veículos e ônibus com a delegação da Apae despencou de uma altura de sete metros. Os dois ônibus eram fretados pela Prefeitura Municipal de Ipatinga.


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