14 de novembro, de 2014 | 00:00
Região fornece para o setor naval
5º Seminário de Petróleo e Gás aponta oportunidades para empresários locais
IPATINGA Atualmente, cerca de 20 empresas da região já fornecem para o setor naval. Em algumas, a fabricação para este nicho de mercado ocupa 70% a 80% da produção. As informações são do presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas, de Material Elétrico e de Informática do Vale do Aço (Sindimiva), Jefferson Bachour Coelho. Os números sinalizam uma participação efetiva de empresas do Vale do Aço no setor que, juntamente com Gás e Petróleo, é a nova aposta frente à crise da siderurgia.
O assunto, que está na pauta econômica da região, foi abordado no 5º Seminário de Petróleo e Gás do Vale do Aço, realizado na sede da Fiemg Vale do Aço, em parceria com o Sindimiva e o Sebrae-MG. O encontro reuniu especialistas para falar sobre esse mercado, na tarde de ontem. Antes, entre os dias 10 e 12 deste mês, cerca de 50 pessoas participaram do Curso de Construção Naval e Offshore. No auditório da Fiemg, Jefferson Bachour abriu o seminário apresentando números do mercado de petróleo, gás e naval no Brasil.
O Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval) aponta que o setor vai gerar no país cerca de 80 mil empregos. O resumo da carteira de encomendas dos estaleiros soma 381 itens, entre eles navios de apoio marítimo, petroleiros, sondas de perfuração, navios e barcaças para navegação fluvial. Estamos mais próximos do setor naval. Já temos grande número de empresas que fabricam peças e equipamentos para o setor. Queremos que isso se estenda para as demais empresas”, pontuou Jefferson Bachour.
O presidente do Sindimiva destaca que o próximo passo depois de atuar na construção naval será apostar em equipamentos submarinos. Para isso, vamos precisar qualificar melhor a mão de obra. Já estamos implementando o Centro de Tecnologia de Solda no Senai e vamos ter que estruturar mais as empresas na parte de fabricação”, disse Jefferson Bachour.
Intercâmbio
Um dos palestrantes do evento, o analista da Fiemg Vale do Aço, Felipe Faria, falou sobre o resultado do trabalho desenvolvido por Kjell Johannessen, CEO do cluster norueguês NCE NODE, na região ano passado. Ele afirma que o momento foi de muito aprendizado, mas agora é hora de assumir responsabilidades e dar o próximo passo. Entidades, poder público e empresas devem ter os papeis bem definidos agora, para que esse grupo forte consiga ser o motor do desenvolvimento do Vale do Aço”, pontuou Felipe Faria.
Ao fazer um balanço sobre o intercâmbio, Felipe Faria diz que ficou clara a dificuldade de acesso ao novo mercado. Por isso, a região precisa se capacitar e buscar conhecimento para conseguir realmente fornecer para a cadeia de petróleo e gás”, observou. Felipe Faria pontua que as certificações necessárias para entrar como fornecedor ou produtor nesse segmento são onerosas, podendo custar, por exemplo, R$ 300 mil.
Para amenizar o impacto do investimento o analista aponta a importância de empresas se unirem em grupos. É necessário construir conhecimento técnico e principalmente desenvolver a engenharia para não sermos apenas prestadores de serviço e sim ter um produto do Vale do Aço para esta cadeia”, ressaltou Felipe Faria.
Visita
Em julho deste ano, um grupo de empresários mineiros, incluindo alguns do Vale do Aço, visitou a Noruega como parte do intercâmbio para participar da segunda maior feira de petróleo do mundo. Durante o seminário, o consultor Ricardo Marquini fez uma palestra sobre a cadeia de Petróleo e Gás e destacou os resultados da viagem. A ideia é que, depois da viagem, as empresas identificassem equipamentos que possam fabricar no Brasil para se inserir na cadeia. O seminário é reflexo dessa visita para disseminar o conhecimento obtido lá para as demais empresas. Aqui discutimos o que é o setor, as oportunidades e como as empresas podem de fato participar dessa cadeia”, salientou Ricardo Marquini.
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