18 de novembro, de 2014 | 14:58

Trabalhadores “interditam” shopping

Funcionários de uma das empreiteiras que atua nas obras de expansão protestam por salários em atraso


IPATINGA - Um grupo de operários, formado por 106 trabalhadores que atuam nas obras de expansão do Shopping do Vale do Aço, decidiu cruzar os braços nessa terça-feira (18). A maioria dos empregados foi trazida de diferentes estados da região Nordeste do país para trabalhar na construção do empreendimento.

Após cerca de um ano de serviço, eles acusam a empreiteira terceirizada que os contratou – a Vista Empreendimentos - de más condições de trabalho. O estopim da revolta foi o salário do mês de outubro que, até este terça-feira, não havia sido pago. Indignados, pedreiros, armadores, carpinteiros e outros tantos funcionários bloquearam os acessos ao interior do centro de compras no começo da tarde dessa terça-feira.

O 14º Batalhão da Polícia Militar foi acionado para manter a tranquilidade das reivindicações. O protesto gerou bate-boca entre os manifestantes e as pessoas que queriam entrar ou sair do shopping. A ação, iniciada logo no começo da tarde foi encerrada de forma pacífica por volta de 15h. Aos trabalhadores, foi prometido o acerto dos pagamentos em atraso até o fim do dia. Mas eles não retomaram as suas atividades. “Só voltamos a trabalhar quando nos pagarem”, disparou um dos empregados.

A indignação com o serviço está “engasgada” há meses, afirmaram os trabalhadores da empreiteira sublocada por outra no canteiro de obras. O carpinteiro Pedro Alex Leite Ferreira, 35, diz ter vindo do sertão de Pernambuco para um contrato nas obras de ampliação do shopping. Os atrasos de pagamento, que deveriam ser feitos até o 5º dia útil de cada mês, são recorrentes, alega. “Até hoje só pagaram dia 12, 14 ou 15. Agora já é dia 18 e ficou mais complicado. Todo mês é bagunçado”, denunciou.

Fora os salários, a indignação também é com os depósitos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). “Em quase um ano de serviço, estou com R$ 7,56 (FGTS) no extrato que tirei esse mês. Olhe aqui para ver se é mentira! Eles não depositam nem o benefício”, disse, indignado, Natanael de Souza, 27, também vindo do interior do Pernambuco. Para acirrar ainda mais os ânimos, o alojamento onde os trabalhadores estão instalados, no bairro Iguaçu, também é alvo das reclamações. “Dormimos em colchonete, os banheiros têm péssimas condições e a comida é ruim”, relata, por sua vez, o marteleteiro Ednaldo Lourenço da Silva, 38, natural de Maceió (AL).

Wôlmer Ezequiel


trabalhadores shopping
 


Diante de tantas reclamações, retornar ao Nordeste não é uma opção. “Queremos ir embora dessa obra, mas não querem fazer os acertos e pagar os 40% (multa rescisória paga pela empresa quando o funcionário é demitido sem justa causa)”, alegou o pedreiro alagoano Laércio dos Santos, 37. Caso a empresa não solucione os impasses, os trabalhadores disseram que irão ao Ministério Público do Trabalho pedir intervenção no caso.

Pagamento
Por meio de nota, o Shopping do Vale do Aço esclareceu que não tem qualquer responsabilidade sobre as reivindicações dos empregados da subempreiteira Vista. “Todas as obrigações assumidas pelo shopping em relação às obras de ampliação estão absolutamente em dia, sendo certo ainda que alguns pagamentos à empreiteira responsável pela execução das obras foram até adiantados. Ressalta-se, portanto, que nenhum dos pagamentos exigidos pelos empregados são de responsabilidade do Shopping do Vale do Aço”, ressaltou a assessoria de Imprensa do centro de compras.

A administração do empreendimento também informou que, em reunião realizada nessa terça-feira, entre a empreiteira e a subempreiteira envolvidas, ficou acertado que eventuais pagamentos devidos seriam feitos pela contratante à sublocada a partir desta terça e encerrados até esta quarta-feira.

 

JÁ PUBLICADO:

Expansão do Shopping do Vale entra em nova fase - 05/06/2014

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