21 de novembro, de 2014 | 00:00
Criminalidade entre jovens em debate
Seminário reúne autoridades e instituições para avaliar dados regionais sobre as infrações e traçar ações preventivas
IPATINGA O envolvimento de jovens e adolescentes com a criminalidade, as medidas preventivas e punitivas pautaram o Fórum Municipal Criminalização da Juventude: do que estamos falando?”, realizado na tarde de ontem, no auditório da Faculdade Pitágoras (antigo Colégio Assedipa), no Centro. Representantes da Prefeitura de Ipatinga, da Polícia Militar, poder Judiciário, sociedade civil organizada e instituições estiveram no evento para apresentar dados e apontar alternativas para prevenir essa situação.
O fórum foi realizado pelo Centro de Prevenção à Criminalidade, ligado à Secretaria de Estado de Defesa Social, em parceria com a Prefeitura de Ipatinga e Serviço de Medidas Socioeducativas, Centro Socioeducativo, Ministério Público, Unidades Prisionais, Defensoria Pública e Faculdade Pitágoras.
A gestora social do Centro de Prevenção à Criminalidade, Francislaine Sampaio, destacou a importância de o evento reunir diferentes setores para discutir um assunto tão complexo. Fenômenos da violência e criminalidade dependem de muitos fatores. Não é possível tratar isso de forma isolada. É importante esse acesso aos dados dos serviços prestados no município. Muito se diz, mas o diagnóstico normalmente é diferente da realidade”, afirmou Francislaine Sampaio.
Na avaliação da gestora, o envolvimento de jovens com criminalidade é menor do que parece, mas não deixa de ser preocupante. A expectativa é que, do evento, surjam encaminhamentos como fóruns permanentes para discutir políticas voltadas para a juventude ou um grupo de trabalho que possa discutir a empregabilidade do jovem egresso do sistema prisional. A ideia é pensar alternativas à situação que temos hoje. É momento de fazer algo, pois a tendência dos números é de crescimento”, disse Francislaine Sampaio.
Apresentações artísticas de alunos do programa Fica Vivo!, que previne a criminalidade com oficinas esportivas e cultuais, mesas-redondas com apresentação de dados sobre a criminalidade de jovens e relatos de experiências em programas do Núcleo de Prevenção à Criminalidade, marcaram a programação que lotou o auditório. Presente ao evento, a defensora pública da Infância e Juventude da Comarca de Ipatinga, Letícia Fonseca Cunha, apontou, em seu discurso de abertura, a necessidade de discutir multidisciplinares sobre a questão. É de vital importância debater esse tema com um olhar diversificado como o temos neste rico encontro”, comentou.
Educação
O secretário municipal de Segurança e Convivência Cidadã, Leonardo Miranda, espera que o fórum possa resultar em propostas concretas principalmente para a prevenção da criminalidade juvenil. Principalmente oferecendo educação aos jovens e adolescentes para eles não entrarem no mundo do crime. Como políticas públicas em Ipatinga, podemos apontar, por exemplo, os 6 mil alunos inseridos na escola de tempo integral por meio de convênio com a Usipa para a prática de esportes”, exemplificou o secretário.
A diretora do Centro Socioeducativo de Ipatinga, Carolina Abrantes, também acredita que a educação é o melhor caminho para evitar que jovens tenham como destino locais como o CSE. É necessário discutir saídas tanto no sistema de Justiça quanto de defesa social possibilitando escolarização e profissionalização que eles ocupem os espaços de formas diferentes”, frisou a diretora.
Combate
O comandante do 14º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Edvânio Carneiro, chamou a atenção para a importância de Ipatinga possuir o CSE, possibilitando a internação para casos mais graves. Inaugurado em junho deste ano, o Centro possui 60 vagas que estão ocupadas e, na maioria, por adolescentes de Ipatinga. É importante criar alternativas que não seja o encarceramento. Mas para alguns casos, infelizmente, a internação é a única alternativa. Esses encaminhamentos têm surtido efeito, percebemos a redução do número de crimes violentos praticados por adolescentes e atribuímos isso à internação”, salientou o comandante.
Questionado sobre a suficiência do número de vagas disponíveis, o tenente-coronel Edvânio Carneiro diz que, para quem não tinha nada, o número atual contribui bastante. Eles não têm que ficar infinitamente internados. Aqueles que tiverem comportamento melhor, devem retornar à sociedade. O CSE não tem que se transformar em prisão. Temos medidas socioeducativas para casos não tão graves”, pontuou o comandante do 14º BPM.
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