30 de novembro, de 2014 | 00:00

Desafios da educação inclusiva

Seminário promove capacitação de professores com especialistas em Ipatinga


IPATINGA – A legislação e os conhecimentos técnicos em diversas áreas que envolvem o trabalho de educação inclusiva nas escolas foram debatidos no “II Seminário de Educação Inclusiva”, realizado na sexta-feira e sábado, na Faculdade Pitágoras. Com o tema “Somos Iguais nas Diferenças”, o encontro foi promovido pela Escola Estadual Elza de Oliveira Lage, com um público de 200 educadores da região. Na abertura, as discussões foram centralizadas em questões legais envolvendo o tema.

Neste sábado, os educadores participaram de oficinas com especialistas em diversas áreas para levar de maneira prática novos conhecimentos para a sala de aula. A organizadora do evento, professora Elaine Eleutério, afirma que momentos como esse são ricos para o professor que vive a sala de aula intensamente. “O objetivo é trocar experiência e obter dos vários profissionais conhecimentos sobre como trabalhar na sala de aula de maneira inclusiva”, afirmou a organizadora.

Uma das oficinas tratou de autismo no ensino regular, ministrada pelo psicólogo Wederjoubert Ferraz Santos, consultor em educação especial há quinze anos. Em relação às crianças autistas, o especialista explica que muitas famílias se sentem no direito de colocar o filho no sistema regular de ensino e têm receio de inseri-lo na Associação de Pais e Amigos do Excepcionais (Apae), para esconder da sociedade que tem filho com esse quadro clínico.

“Eles têm esse direito. Porém, na maioria das escolas, a única adequação feita é instalação de rampas e andadores. Mas a adaptação de grande porte que é a qualificação profissional deixa um pouco a desejar”, pontua.
Para atender bem o autista, as adaptações necessárias são mais teóricas do que físicas. “Não adianta fazer adaptações na escola sem capacitação. Achar que dar ao professor pós-graduação em autismo ou educação especial resolve, é errado. É preciso ensinar na prática e encontrar profissionais qualificados para isso”, frisou Wederjoubert Ferraz.

Na avaliação do psicólogo, é possível inserir essa criança no ensino regular. Mas para obter eficácia no trabalho de educação, o currículo escolar precisa de maior flexibilidade. “Hoje temos um currículo fechado. Como colocar um autista para estudar currículo antigo? De cem escolas, uma ou duas fazem um trabalho de qualidade. O currículo precisa ser voltado para a funcionalidade. Hoje a escola se preocupa muito com o A, B, C e com a Matemática e se esquece de preparar esse aluno para o mundo”, criticou o psicólogo.

Esporte adaptado
A inserção do esporte adaptado nas escolas também foi discutida no seminário. A educadora física da Apae de Ipatinga, Simone Martinho, pontua que hoje as escolas não estão preparadas para pessoas com deficiência, principalmente com o esporte adaptado devido a estrutura e capacidade profissional dos professores. “Mas vejo que muitos professores desacreditam na pessoa com deficiência. Venho mostrar na oficina que eles são capazes, o que falta é oportunidade. E o esporte adaptado é uma ferramenta muito forte de inclusão social. Traz alegria, prazer, autoestima e reconhecimento próprio com aceitação da deficiência”, ressaltou.

Um dos exemplos recentes do resultado positivo deste trabalho foi a participação de três alunos de Ipatinga na Paralimpíada Escolar, realizada em São Paulo, na semana passada. Os alunos Stefane Rodrigues, Djosef Alves Passos e Kessi Jhones do Carmo. Stefane Rodrigues conquistou uma medalha de ouro e duas de prata no atletismo. Simone Martinho que acompanhou os atletas destaca que experiências como essa incentivam os alunos à prática esportiva e à superação. 

Aprendizagem
Educadora física, Ana Glaice Lopes de Souza, que se especializa em Neuropsicopedagogia, apresentou aos professores a Teoria da Modificabilidade Cognitiva Estrutural, do professor e psicólogo judeu-israelense Reuven Feuerstein. “Ele sempre acreditou que o ser humano pode aprender a aprender com uma mediação neste processo. Isso é importante na educação de forma geral, porque todos precisamos de mediação para aprender. Quando acreditamos que todo ser humano pode aprender e estimulamos as funções cognitivas conseguimos controlar a aprendizagem”,  concluiu a professora.

 


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