07 de dezembro, de 2014 | 00:00
É hora de poupar”
Economista dá dicas para aproveitar melhor o 13º salário e alerta sobre quadro de dificuldades em 2015
IPATINGA Com a primeira parcela do 13º salário em mãos, os trabalhadores podem, enfim, fazer planos para o fim do ano. O valor é um direito garantido pela Constituição Federal, e pode ser um desafogo para o bolso, dependendo da forma como for utilizado. Para sair do sufoco e também ir às compras com o salário extra”, o economista Amaury Gonçalves dá dicas para aproveitar a quantia da melhor forma.
Amaury Gonçalves explica que o trabalhador deve priorizar o pagamento de dívidas, principalmente as de cartão de crédito e cheque especial. Dessa forma, reduzirá o pagamento de juros e terá a possibilidade de entrar 2015 sem esse peso. Por outro lado, se o cidadão não tiver dívidas do tipo, mas tem um financiamento imobiliário, por exemplo, é interessante quitar ou antecipar algumas das parcelas.
Isso vai proporcionar uma folga ao longo do financiamento e ajuda a não gastar esse dinheiro com supérfluos. Há uma cultura de se gastar o 13º porque ele é extra, mas não é. Ele é resultado de um ano de trabalho e é um plus para te dar tranquilidade, principalmente para o próximo ano”, orienta. O economista acrescenta que o salário deve ser gasto com planejamento. Se o trabalhador chegar ao mês de dezembro com as contas em dia, explica, há a alternativa de fazer uma poupança e guardar para uma eventualidade futura. Além dos gastos de início de ano, como IPVA, volta às aulas, e etc.
Por outro lado, aponta o profissional, se a intenção é comprar um bem de maior valor, é possível utilizar o 13º para dar entrada, restando um valor menor a ser parcelado. O importante é não pegar o 13º para criar uma dívida de longo prazo, e aí você compromete 2015 e até mesmo o próximo ano”, salienta.
Impulso
Amaury Gonçalves alerta para que os pais não se iludam com a satisfação dos desejos das crianças, que querem o brinquedo e a roupa da moda. É preciso observar se esse desejo cabe no orçamento e na estrutura familiar. Em janeiro, o brinquedo estará jogado em um canto da casa e o dinheiro foi desperdiçado. O salário não pode ser jogado fora ou gasto de maneira descontrolada. É preferível, que as pessoas pensem com perspectiva no futuro. É importante fazer um planejamento dos gastos e saber se a renda que tem dará conta de pagar todas essas despesas, e o 13º pode ajudar nesse equilíbrio”, avalia.
O economista aponta, ainda, que este salário de fim de ano é um desafogo, principalmente porque a economia não apresenta um crescimento desejável”, e o aumento do salário mínimo será de apenas 1%, reajuste menor do que nos anos anteriores. Essa redução, alerta, compromete a evolução dos gastos, porque a renda não tem aumentado na mesma proporção que no passado. Então, é importante saber que 2015 não vai ser um ano fácil, a inflação está de volta e o governo vai fazer restrições no crédito. Vai apertar um pouco essa liberalidade de consumo, os juros estão elevados, não é hora de gastar, é hora de poupar”, concluiu.
Juros do cheque especial e cartão de crédito batem recordes
Estudos divulgados nessa sexta-feira, 5, mostram que duas modalidades de crédito estão com patamares de juros proibitivos nesse fim de ano. A taxa média de 187,8% ao ano no cheque especial é um risco para o orçamento doméstico, apontam especialistas. A taxa é a maior desde 1999, quando atingiu 193,6%/ano.
No crédito rotativo do cartão de crédito, a situação é ainda mais alarmante. A Associação Nacional de Executivos de Finanças, Contabilidade e Administração (Anefac), divulgou que a taxa de juros somou expressivos 241,6% ao ano em outubro e a tendência é aumentar em dezembro.
O uso da linha do cartão de crédito rotativo (modalidade de crédito que também têm juros abusivos), porém, avançou 15,1% neste ano e 13,7% em doze meses até outubro. A inadimplência do cartão de crédito rotativo, por sua vez, atingiu 36,8% ao ano - patamar muito acima da média de 6,4% de todas as operações bancárias com pessoas físicas.
Opções
Quem precisar de dinheiro, para urgências, deve recorrer a outros meios para empréstimos. A título de exemplo, Por um crédito de R$ 1.000, um empréstimo consignado (desconto em folha de pagamento ou previdência) cobra R$ 19 de juros em 30 dias. O crédito pessoal (empréstimo feito em um banco), cobra R$ 46. No cheque especial, o juro chega a R$ 85/mês e, no rotativo do cartão, mesmo paga a parcela mínima de 15%, são R$ 91 de juros em apenas um mês.
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