24 de dezembro, de 2014 | 00:00

“Natal é a celebração da vida”

Embora tradicionalmente seja um feriado cristão, a data é comemorada por muitos


IPATINGA – No dia 25 de dezembro, cristãos de todo o mundo celebram o nascimento de Jesus Cristo. O DIÁRIO DO AÇO conversou com representantes das Igrejas Católica, Batista Shalom, do bairro Veneza, e do movimento espírita de Ipatinga, que relataram sua visão sobre a data. 

Professor de cultura religiosa por seis anos, o padre Geraldo Ildeo Franco observa que diversas culturas celebram o Natal, porém com motivações diferentes. “Mas de um modo geral, o Natal é celebrado pelos cristãos, católicos, evangélicos, protestantes, a igreja oriental ortodoxa, a igreja anglicana na Inglaterra, a igreja episcopal e todos os que acreditam em Jesus. Os outros festejam na mesma época, por outros motivos”, pontua.

Em Jerusalém, observa o religioso, há uma grande festa no dia 25, local onde há basicamente três religiões: muçulmanos, judeus e os cristãos, que celebram um dia de paz e encontro. Festividade que atinge o mundo inteiro.
Bruna Lage


padre geraldo


Geraldo Ildeo explica que o dia 25 foi escolhido em razão de uma festa antes dedicada ao Sol Invicto e a igreja, em vez de condenar uma celebração pagã, especialmente no império romano, assimilou a data como a do nascimento de Cristo. “Ninguém anotou o dia que Cristo nasceu, mas é uma data artificial para celebrar e que teve início no ano 354. Desde então, Natal é um tempo de renovação. O importante é renovar meu coração e fazer Jesus nascer em mim e na sociedade, renascer para uma vida de amor e justiça”, destacou.

Sobre o entendimento da igreja em relação ao Natal, o padre salienta que, depois de todas as profecias da Bíblia, desde Adão e Eva, Abraão e Isaac, existe uma promessa de que Deus iria mandar um salvador. “O cristão acredita nisso, que Deus fala com seu povo. Deus não criou a violência, a roubalheira, a poluição. Tudo que Deus fez é correto, mas apesar disso a humanidade tomou o caminho errado e ao invés de castigar, prometeu um salvador. Depois de muitos anos acontece a chegada do salvador enviado para mostrar ao mundo outro caminho”, disse.

Intolerância
Recentemente, em Adamantina (SP), o padre Wilson Ramos sofreu com o preconceito por ser negro. Diante de situações como esta, Geraldo Ildeo aponta que se houver caridade, não há racismo. Ele afirma que a igreja não tem uma palavra sequer contra o homossexual, por exemplo, o que o evangelho condena é a promiscuidade. “Não temos o direito, nem autoridade para criticar ninguém, muito menos o racismo. Seja padre, seja prostituta, seja quem for. Quero dizer que a igreja está dentro do evangelho e as minorias devem ser respeitadas, não importa se é negro, branco, prostituta, enfim”, reforçou.
Bruna Lage


Jesa


Caridade
Integrante do movimento espírita de Ipatinga, Jesa Maria Vaz de Oliveira Assis pontua que o Natal é o marco do nascimento de Jesus, figura que para o espiritismo tem muita importância, por ser o irmão maior, o representante de Deus na Terra. “Sempre lembramos de Jesus, todos os dias. Mas sentimos que a atmosfera mundial se torna diferente com a proximidade desse dia, as pessoas ficam mais humanas e daí a importância da data. Mas Jesus tem que nascer para nós diariamente”, avalia. 

Jesa Assis esclarece que muitas pessoas não conhecem e não sabem que o espiritismo é uma religião cristã, que acredita em Jesus e sabe da importância de sua vinda à Terra. Ela lamenta o fato de a data ser tomada pelo consumismo. “Algumas crianças acham que o Natal é o dia do Papai Noel. Temos de conversar sobre a importância da data, mas vai muito além do interesse das pessoas, que se esquecem do real significado. Neste dia 25, oramos em família e agradecemos a Jesus pela oportunidade de estar unidos em prol uns dos outros. Alguns visitam, asilos e orfanatos, mas o mais importante é estar com Jesus sempre, não só no dia do Natal”, aponta.

Uma das bandeiras do espiritismo é a caridade, mas não de bens materiais. Para Jesa, caridade é ouvir uma pessoa e dar atenção a ela. Mais importante que a caridade material, é compartilhar a dor do outro e enxugar lágrimas, ações que devem ser divulgadas principalmente no Natal.

Natal ideal
Para o pastor da igreja Batista Shalom do bairro Veneza, Renato Salmen, o Natal é a celebração da vida e o reconhecimento de que Jesus é o filho de Deus que veio para dar vida em abundância à humanidade. Dentro da igreja Batista Shalom, como um todo, cada uma faz uma atividade. Coral, peça teatral lembrando o nascimento, não há uma padronização. Leituras de textos bíblicos também são feitas, mas nem sempre há uma comemoração específica, depende de cada realidade. 
Bruna Lage


pastor renato


Ele explica que existem dois tipos de Natal: o ideal, onde o foco é Cristo, a preservação do nome Dele e onde Cristo é convidado para participar, presente na comunhão, no diálogo. “Se deixo de fora o aniversariante do dia, não faz sentido. O perigo contra o Natal às vezes é que damos muito mais atenção às ornamentações, ao presente e a comida e esses símbolos não vão refletir a verdadeira importância da data”, salienta.

O pastor acrescenta que devemos nos lembrar da data como um direcionamento para todo o ano. “Se eu faço aniversário hoje, mas morro para todos os outros dias, minha vida não faz sentido. Então, se comemoro Cristo hoje, mas nos outros dias do ano o deixo de fora, a minha fé não faz sentido. É preciso lembrar que Cristo é o salvador da humanidade e veio para nos dar vida e vida em abundância”, conclui.

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