24 de dezembro, de 2014 | 06:33
Morre Maria Augusta Pascoal
Matriarca de numerosa prole, ela foi casada com João Valentim Pascoal e João Padre
Foi sepultado no fim da tarde de quarta-feira, 24, o corpo de Maria Augusta Pascoal, 97 anos, matriarca de uma numerosa prole e viúva de dois personagens históricos em Ipatinga: João Valentim Pascoal e João Padre.
Maria Pascoal morreu na noite dessa terça-feira, 23, internada no Hospital Márcio Cunha. Ela residia na cidade desde 1949, quando chegou ao então distrito de Coronel Fabriciano com o marido, João Valentim Pascoal.
Em busca de melhores dias, o casal deixou Alvinópolis com sete filhos: Lurdes; José Sales; Arcanjo; Antônio de Pádua; Sílvio Geraldo; Lucinha e Paulinho.
Apesar das péssimas condições impostas pela falta de saneamento e infraestrutura, depois da rejeição inicial que a fez pensar em retornar à terra natal, dona Maria Augusta passou a fazer o plantio de frutas e verduras, enquanto o marido instalava a loja A Soberana”, e participava ativamente da vida em comunidade com a organização de festas e horas dançantes.
Esse engajamento levou João Valentim a assumir um papel de liderança que culminou no seu assassinato por um cabo da Polícia Militar. No dia 4 de janeiro de 1952, indignado com o espancamento covarde de um mascate pelo policial, em Ipatinga, Valentim conseguiu emprestado um caminhão com Jair Gonçalves e mobilizou um grupo de pessoas para ir a Coronel Fabriciano realizar um protesto e exigir providências do prefeito eleito, Raimundo Alves de Carvalho.
O político alegou que pouco poderia fazer antes da posse. A caravana já retornava a Ipatinga quando o cabo José Monção interceptou o caminhão e ordenou a Valentim que descesse do veículo. Ele foi agredido com um murro desferido com um aparelho conhecido como soco-inglês. Ao tentar embarcar novamente no caminhão, Valentim foi alvejado pelas costas e faleceu aos 34 anos.
Em meio a essa tragédia, dona Maria Augusta reuniu forças para dar continuidade à criação dos filhos. Quatro anos depois, em 1956, casou-se com João Padre, e dessa união nasceram três filhos: Helvécio, Herivelton e Helton. Em 1985, João Padre faleceu vitimado por um enfisema pulmonar.
A essa altura, no entanto, Maria Augusta já podia colher os frutos que plantara, e seus filhos, atuantes nos mais diversos segmentos, reuniam condições para ampará-la. Nas últimas décadas, residindo na rua Serra do Mar, no Jardim Panorama, ela era uma figura popular no bairro e, além da família numerosa, era muito estimada pela vizinhança.
Dona Maria Augusta Pascoal, além dos filhos, deixa dezenas de netos, bisnetos e tataranetos. O velório será realizado na capela do Cemitério Parque Senhora da Paz, até o sepultamento do corpo, nesta quarta-feira, às 17h. (Informações prestadas por Arcanjo e Érica Pascoal, e dados extraídos do livro Ipatinga, Cidade Jardim, de José Augusto de Moraes).
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Samuel dos Santos Leite Pascoal
25 de janeiro, 2023 | 23:12Minha mãe Terezinha Pascoal me contou essa história, sempre trazida por minha vó(Petrina Pascoal)irmã de João Valentim Pascoal.”