29 de dezembro, de 2014 | 20:00

Canabidiol ameniza doença de criança

Família faz apelo pela continuidade do tratamento, que pode acabar de vez com as crises epilépticas de menina


IPATINGA – A família de Ana Clara Silva Gomes, de 8 anos, é mais uma personagem do Vale do Aço que deposita no uso do Canabidiol (composto retirado da maconha) a esperança de reverter os avanços da Síndrome de Lennox-Gastaut, tipo raro de epilepsia. A confiança na medicação aumentou há 20 dias, quando a menina, acometida com a doença, começou a receber doses pequenas do CBD.

Nesse período, a família do bairro Cidade Nobre viu o que nenhum outro remédio havia provocado: as crises convulsivas da menina caíram de dez para duas, uma ou nenhuma por dia. Em apelo, a mãe de Ana Clara, Adilceia Sousa Silva Gomes, pede ao poder público que custeie a importação de outros frascos, para reduzir, além do sofrimento da criança, a angústia dos pais.

Adilceia Gomes já ingressou com uma ação na Comarca de Ipatinga pedindo à Justiça que determine ao município e ao Estado o custeio da importação do medicamento. O processo de trazer o Canabidiol ao Brasil, além de burocrático, é caro, afirma a família. O primeiro frasco do CBD para Ana Clara foi buscado pessoalmente pelo neurologista e psiquiatra Lucas Magalhães, que atua na região. O segundo, a família conseguiu com o apoio financeiro de amigos. O processo de importação de um frasco de 10 gramas custa em torno de US$ 440, além dos encargos pela entrada no país.

“Meu medo maior agora é pelo fim da medicação, que deverá ocorrer em breve. Percebo que até o cognitivo da Ana Clara apresentou melhoras. Minha filha hoje sorri para mim”, diz, emocionada, Adilceia. A mãe cortou pela metade a dose do medicamento para tê-lo por mais tempo. E apesar de administrar uma posologia inferior à prescrita pelo médico, a criança mostrou avanços significativos no tratamento.

Wesley Rodrigues


Ana Clara Silva e adilceia canabidiol
Ana Clara começou a ter crises convulsivas aos 58 dias de vida, relata a mãe. Com o avançar das perturbações, veio o diagnóstico: Lennox-Gastaut. Dada a progressão da doença, hoje, aos oito anos, a criança já não anda e não fala. O tratamento inclui assistência de profissionais de fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional, além de medicações importadas da Europa. Por meio de decisão judicial, é o município quem custeia o oneroso tratamento. Mas, esse último impetrou recurso recentemente para exigir que a família comprove a impossibilidade de arcar com os remédios importados.

Ao preparar uma dose do Canabidiol para a filha, Adilceia mostra a liberação da Anvisa, concedida após um processo burocrático. A questão maior, diz, é pagar a importação do produto que, nos Estados Unidos, é comercializado como suplemento alimentar. O marido de Adilceia deixou a aposentadoria e voltou a trabalhar. “Mas não temos R$ 5 mil, no mínimo, para pagar o tratamento da minha filha”, contrapõe a mãe, que também tem outro filho adolescente.

Luta
Wesley Rodrigues


Ana Clara Silva e adilceia canabidiol
A filha da dona de casa tem quadro de saúde semelhante ao de Maria Clara Viana, já noticiado pelo DIÁRIO DO AÇO. Maria Clara, residente em Santana do Paraíso, aguarda há quase dois meses a chegada do medicamento. A Comarca de Ipatinga determinou ao município e ao estado a importação do composto, mas a determinação ainda não foi acatada.

Ambas as famílias tomaram conhecimento do Canabidiol após reportagem de uma rede de televisão. “Eu tenho esperanças pela melhora da minha filha. Eu sou mãe e vou lutar por isso. Eu ainda quero dizer que minha filha não tem mais crises. Ela pode vir a andar, a falar, e é isso que eu quero”, diz a Adilceia. Em recesso forense, o Fórum Valéria Vieira Alves retoma o expediente na semana que vem.


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