08 de janeiro, de 2015 | 20:00

“A violência é inaceitável"

Ataque a jornal francês Charlie Hebdo repercute na região


IPATINGA – O atentado ao semanário francês Charlie Hebdo, em Paris, na quarta-feira (7) traz à tona diversas reflexões e questionamentos, apontam fontes ouvidas pelo DIÁRIO DO AÇO em Ipatinga. No campo religioso, o maior receio é que se intensifique a islamofobia, em mais um episódio protagonizado por extremistas religiosos.

A atuação da imprensa também é levantada, uma vez que as informações propagadas podem endossar conflitos e formar opiniões equivocadas. Logo, “até onde vai a liberdade de expressão?”, indagam entrevistados.
 

Chargista do jornal DIÁRIO DO AÇO, João Marcos, condenou o atentado, em que doze pessoas – entre as quais cinco dos principais caricaturistas do semanário - foram mortos. Ele destaca o potencial das charges em escancarar desmandos e mazelas sociais por meio do humor, e diz ser o ataque registrado na quarta-feira, 7, de um simbolismo expressivo.

“Foi atacada uma instituição que é o pilar da democracia: a imprensa”, argumenta. Entre chargistas, cita João Marcos, há nesse momento duas frentes de pensamento: os que defendem a liberdade de expressão a qualquer custo, e os que apregoam maior vigilância ao discurso publicado. 
Wesley Rodrigues


Irmãs Tofik

 

Diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Aloízio Morais Martins, também lamentou o trágico episódio e defende que todas as formas de violência devem ser condenadas. Ele, contudo, diz que o momento, além de dor e solidariedade à França, é de reflexão. Isso porque há uma linha tênue entre a liberdade de expressão e o respeito. “A crença do outro, por exemplo, deve ser objeto de chacota?”, indaga, por telefone.

“A reflexão se resume ao respeito, em quaisquer quesitos”, enfatiza. O jornalista diz que em se tratando de veículos de comunicação e seu poderio na formação de opiniões, essa reflexão é delicada e séria.

Represália

Em 2011, o semanário francês também foi vítima de outro ataque quando os escritórios do jornal foram incendiados, presumivelmente em represália pela publicação de caricaturas do profeta Maomé.
 

Historiador e professor do Colégio São Francisco Xavier, Breno Martins Zeferino, cita conflitos há muito tempo existentes entre culturas totalmente distintas. O educador observa existir um confronto de identidades culturais, que traz um alerta à liberdade de expressão, defendida como intocável no Ocidente. Isso porque o que seria discurso político de um lado, assume uma conotação distinta de outro.  
Wesley Rodrigues


Breno Zeferino

 

“Cada um tem uma concepção do que é sagrado e do que é profano. Para os islâmicos, a atitude do semanário é profana. Para os ocidentais, é provocativo, é liberdade de expressão”, observa. O assunto, que ganha força no aspecto religioso, preocupa o especialista, quando isso pode endossar uma “homogeneização do islamismo”, onde a minoria protagoniza episódios de barbárie.
 

Inaceitável

Em Ipatinga, na casa da família Tufik, de origem sírio-libanesa, mais um atentado provocado por extremistas islâmicos é visto com tristeza. Irmãs, a culinarista Vera Tufik Lauar e a professora Naget Tufik assistem ao noticiário e afirmam que a violência está distante do que de fato é a cultura árabe. “A violência não combina com o que o árabe tem de mais sagrado: a paz, a família, a abundância dos alimentos, alegria, dança, música, poesia”, diz Vera.
 

Elas acreditam que conflitos mundiais cada vez mais trágicos estão embasados em fatores políticos e econômicos. Na opinião das irmãs, essa discussão, contudo, vai muito mais a fundo e é complexa: devem ser levados em conta fatores históricos para a sua compreensão. E há, para elas, a necessidade de também olhar com mesma preocupação as milhares de pessoas que são mortas no Iraque, Síria e Afeganistão, por exemplo. “A violência é inaceitável. É a concepção da estupidez”, encerram.

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