14 de janeiro, de 2015 | 20:00

Famílias comemoram liberação do canabidiol

Medicamento foi reclassificado pela Anvisa como substância controlada


DA REDAÇÃO – No Vale do Aço, famílias de crianças que precisam do canabidiol para o tratamento de casos raros e graves de epilepsia comemoraram um avanço significativo em torno da liberação do medicamento, ocorrido nessa quarta-feira, 14. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), deliberou pela reclassificação das substância, que passou de remédio proibido para medicamento de uso controlado. Parentes dos pacientes relatam a esperança por uma melhor qualidade de vida.
 

Mãe de Maria Clara Viana, de sete anos, Tatiane Viana Oliveira revela confiança em mais avanços a partir de agora quanto ao uso terapêutico do canabidiol. “A esperança agora é pela produção do medicamento no país, para a redução dos custos de importação”, comenta. A filha dela sofre, desde os primeiros anos de vida, da Síndrome de Lennox-Gastaut. Após ter cerca de 40 crises convulsivas por dia, Maria Clara teve os acessos contidos ao fazer uso do canabidiol no mês passado. “Quem nos conhece, viu o quanto ela melhorou”, resume.
 

A família desembolsou cerca de R$ 1.500 pela importação de um pequeno frasco. Mas o produto acabou e falta dinheiro para comprar mais. Sem a medicação, as crises recomeçaram. Os pais de Maria Clara esperam na Justiça pelo produto. Uma liminar expedida em novembro, no Fórum Valéria Vieira Alves, em Ipatinga, determinou que o município de Santana do Paraíso, onde reside a família, e o Estado de Minas Gerais, façam a importação do canabidiol para ser aplicado à garota. O caso ainda não alcançou um desfecho.
 

Já Adilceia Sousa Silva Gomes diz que, graças à atenção dada pela mídia ao assunto, melhorias foram conquistadas, e o novo entendimento da Anvisa ao CBD “é um grande passo”. “Mas há muito pela frente”, pondera a moradora de Ipatinga. A filha de Adilceia, Ana Clara Silva Gomes, de 8 anos, também tem a Síndrome de Lennox-Gastaut. Com a gravidade do caso, a criança já não anda e tampouco fala.
 

Wesley Rodrigues


Ana Clara Silva e adilceia canabidiol
Adilceia também ingressou com uma ação na Comarca de Ipatinga para que o Estado banque a importação do medicamento. Os laudos solicitados pela Justiça são pleiteados junto ao município. Ana Clara faz uso do canabidiol, mas o conteúdo do frasco está no fim. “É uma notícia muito boa a reclassificação da Anvisa, mas uma criança que precisa urgentemente do canabidiol não pode ficar esperando tanto”, lamenta a mãe, sem recursos para comprar novos frascos do CBD.
 

Na prática, a medida da Anvisa ajudará a mobilizar esforços em torno da pesquisa da substância que é derivada da maconha, o que pode levar ao registro de um medicamento em território nacional. A decisão também deverá ter efeito na disposição dos profissionais de saúde em utilizar o CBD como recurso quando a avaliação médica apontar essa necessidade.
 

A Anvisa informa que também normatizou a importação específica do CBD e agora, a expectativa é que o prazo médio de resposta do órgão aos pedidos de importação do produto ocorra em até dois dias. Mas o processo de importação é oneroso às famílias. Há cerca de um mês, a agência recebeu o primeiro pedido de registro de um medicamento no país com CBD. O pedido, apresentado por um laboratório estrangeiro, ainda será analisado.

 

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