14 de janeiro, de 2015 | 20:00
Oficinas ajudam a combater a criminalidade
Projeto Fica Vivo! reduz o número de jovens no mundo do crime no Bethânia
IPATINGA Para diminuir o alto índice de adolescentes e jovens envolvidos com o mundo dos crimes, o Núcleo de Prevenção à Criminalidade atende a comunidade do bairro Bethânia com uma série de ações voltadas para esse público. Entre elas, está o projeto Fica Vivo!, programa de controle de homicídios do governo do Estado que, por ano, contempla em média 400 a 600 adolescentes e jovens com 17 oficinas de esporte e cultura ministradas em três escolas do bairro.
Um dos resultados das várias atividades executadas pelo Fica Vivo! ao longo do ano passado é a exposição Expressão Urbana, com telas em graffiti, em cartaz no Shopping do Vale do Aço durante esse mês. Os trabalhos devem circular por outros espaços da cidade no próximo mês.
A gestora social do núcleo de prevenção, Francislaine Sampaio, informa que as obras são resultado de oficinas ministradas para 25 jovens e adolescentes com eixos temáticos sociais: juventude, liberdade de expressão, criminalidade, violência e projeto de vida. A partir dessas discussões, os participantes criaram as telas, que refletem como essa juventude, que muitas vezes é discriminada, se vê e como a sociedade a enxerga”, afirmou a gestora.
Muito mais que telas criativas, a exposição tem um grande significado na vida dos jovens atendidos pelo programa. Francislaine aponta que as oficinas com os jovens em situação vulnerável propiciam novos caminhos, em uma fase que eles carecem de visibilidade na sociedade. Essa juventude, muitas vezes discriminada por causa do local em que mora, busca status com um revólver na mão ou praticando algum crime. Com o programa, pode ser reconhecida e expressar isso em uma linguagem que não seja a violência”, ressaltou a gestora social.
Perfil
Em relação ao perfil dos jovens atendidos pelo Fica Vivo!, Francislaine Sampaio conta que alguns têm ou já tiveram envolvimento com crimes. Outros têm essa possibilidade pelo contexto em que vivem e pela falta de acesso a alguns direitos. Prevenção é muito difícil de quantificar. Mas temos recebido respostas positivas em relação à participação dos jovens na trajetória do Fica Vivo!. Hoje temos, por exemplo, oficineiros que já foram atendidos pelo programa”, pontuou.
A gestora social do Núcleo de Combate à Criminalidade diz que os homicídios na região do bairro Bethânia tiveram alta em 2014, em relação ao ano anterior. Mas, entre os envolvidos, o número de jovens reduziu. Alguns participam e outros saem e continuam no crime. Nosso trabalho de mobilização da rede de proteção envolve polícias Civil e Militar, Justiça, entre outros agentes. Segurança pública não se resolve só com polícia, com olhar mais ampliado conseguimos mais resultados”, citou. Em Ipatinga, o telefone de contato para inscrições em oficinas do programa é o 3827-3795.
Mais de 10 mil jovens atendidos em Minas
Em Minas Gerais, o programa Fica Vivo! atendeu 11.500 jovens e adolescentes no ano passado. A diretora do programa no Estado, Michele Duarte, salienta que a iniciativa foi criada há dez anos com o objetivo de pensar o envolvimento de jovens com a criminalidade não só com repressão mas, sobretudo, com proteção à vida dos jovens. No Brasil, em 2013 foram 50 mil mortes de jovens com idade até 29 anos de idade por homicídio e esse número cresce a cada ano. Em Minas Gerais o índice teve queda de 2003 até 2010 e, a partir de 2011, começou a subir. Onde o Fica Vivo! desenvolve seu trabalho há redução de até 50% na mortalidade desses jovens”, observou Michele Duarte.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]
















