21 de janeiro, de 2015 | 20:00
Convivência entre crenças
Filósofo e líderes religiosos debatem o combate à intolerância aos credos
IPATINGA O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa foi lembrado nessa quarta-feira (21). A data foi instituída devido à morte da iyalorixá baiana Gildásia dos Santos e Santos, a Mãe Gilda, que sofreu um infarto há 15 anos, após ver seu terreiro depredado por integrantes de outro segmento religioso. Casos de discriminação às variadas formas de se professar a fé no divino não são isolados e fazem vítimas em diferentes crenças e culturas. No Vale do Aço, entrevistados debatem o assunto que ainda figura como polarizador de polêmicas ao redor do mundo.
Na opinião do professor universitário, filósofo e especialista em sociologia, Mauro Machado, a causa da intolerância religiosa remonta a tempos muito antigos nos anais da história. Nos tempos atuais, porém, pode ser compreendida no chamado fundamentalismo, afirma. A intolerância está posta em razão do desconhecimento das religiões, da ignorância, e também da falta de respeito, diálogo, prudência e temperança entre as crenças”, resume.
O estudioso das relações humanas que já percorreu territórios israelenses, palestinos e a França, por exemplo - palco de conflitos recentes -, salienta que a busca por uma convivência entre diferentes formas de fé ou a ausência dela - somente ocorrerá no respeito mútuo. O combate à intolerância só tem um caminho: construindo uma sociedade da paz. E a paz se estrutura no respeito, no amor e na aceitação dos princípios das respectivas religiões”, enfatiza.
O pároco Roberto Gualberto da Costa, da Paróquia Cristo Rei, em Ipatinga, cita o discurso do Papa Francisco, líder da Igreja Católica, ao apelar recentemente pelo diálogo entre religiões e respeito pela liberdade de culto. No Brasil, há um certo fechamento por parte de grupos religiosos. Também há católicos fechados ao diálogo. Onde há fechamento e distâncias entre as pessoas, não há presença de Deus. Deus está presente onde há o amor e há abertura para acolher o outro, o diferente”, discursa o sacerdote.
Adepto do Candomblé e líder do terreiro Manzo Ngunzo Amazilemba, de Coronel Fabriciano, Tatetu Aladey pontua que, apesar de maior aceitação da sociedade ao sincretismo religioso, os casos de intolerância são muito comuns. Ele lembra o caso das crianças de sua religião que, ao usarem os preceitos, são alvos de zombaria na rua, ou ainda os vizinhos que sequer o cumprimentam, ou têm medo de se aproximar da porta do terreiro. Por falta de conhecimento, atribuem nosso credo ao maligno”, lamenta.
O pastor evangélico Renato Salmen, da Igreja Batista Shalom Veneza, em Ipatinga, reprova a não aceitação de religiosos com outras doutrinas e a partir daí, a perseguição e prática de atos de intolerância. Ele salienta, porém, que tudo remete à falta de conhecimento e informação. Algumas pessoas cristãs não compreendem a história de Jesus Cristo, e por isso acabam usando o seu nome para perseguir e discriminar as pessoas. Uma palavra machuca, destrói e pode levar até à morte. O conhecimento é o que traz luz aos nossos pensamentos obscuros que nos leva a cometer alguns atos que vão contra o próximo”, observa.
Já o presidente do 16º Conselho Regional Espírita de Minas Gerais com sede em Ipatinga -, Carlos Roberto Corrêa, acredita que o problema maior está no condicionamento ou comportamento” que é incutido nas pessoas e comunidades. Ele destaca a importância da imprensa no combate as distorções existentes quanto à liberdade de fé. Os canais de imprensa são fundamentais no que diz respeito à divulgação das várias escolas religiosas”, defende. O espírita diz que há grandes avanços na convivência religiosa e reforça que a busca pela informação é a principal arma contra a intolerância. Vivemos a era da razão”, encerra.
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