24 de janeiro, de 2015 | 20:00
O aposentado é sucateado”
Fim da redução salarial e do fator previdenciário são algumas das lutas da categoria
IPATINGA No mês em que se comemora o Dia do Aposentado, a luta por melhores condições de vida ganha destaque nos movimentos da categoria em todo o país. Neste domingo (25), ocorre a tradicional missa em homenagem aos aposentados, na Basílica de Aparecida do Norte (SP). A exemplo de anos anteriores, a intenção é somar força nas reivindicações como o fim do fator previdenciário, em análise há 12 anos e que pode voltar à pauta da Câmara federal.
Os deputados que tomam posse no dia 1º de fevereiro poderão decidir pelo fim ou pela manutenção do fator previdenciário. Esse mecanismo de cálculo das aposentadorias foi instituído em 1999 (Lei 9.876/99) com o objetivo de criar uma relação entre o tempo de contribuição do segurado e o valor do benefício. Ele se baseia em quatro elementos: valores recolhidos, idade do trabalhador, tempo de contribuição à Previdência Social e expectativa de sobrevida da população, segundo projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).
Presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Timóteo (AAPT), José Maria Gomes explica que, atualmente, evitar a perda salarial é a principal luta da categoria. Tais perdas chegam a mais de 60%. Estamos em busca de melhorias e vamos batalhar pelo mesmo índice de correção do salário mínimo. Além disso, queremos receber o mesmo salário com o qual aposentamos. Alguns recebem menos da metade de quando se aposentaram. Estamos em busca e não descansaremos enquanto não houver melhora”, resume.
Já o presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Ipatinga (Aapi), José Clementino de Carvalho, observa que a preocupação é defender a qualidade de vida, mas a principal reclamação é a defasagem de salário. Quem tem 10 anos de aposentadoria tem uma perda de mais de 50%. Nossa intenção é que isso seja revisto, porque assim vai ter uma melhor qualidade de vida e isso tudo custa dinheiro. Nosso aumento deveria ser maior que o salário mínimo, o que não ocorre”, aponta.
O dirigente acrescenta que há vários projetos agarrados” no Congresso pedindo o reajuste, e já foram feitos diversas manifestações. Acredito que agora, com outros deputados, a situação ande. Vamos fazer nossos manifestos e conseguir que essa situação seja revista”, vislumbra Clementino.
Sucateados
Para Teodósio Francisco de Almeida, de 58 anos, que atuou como servidor público, o aposentado é sucateado”, por razões como o fator previdenciário e o achatamento do salário, que tem diminuição de tempos em tempos. Para ele, a situação é desrespeitosa, pelo fato de o trabalhador ter batalhado 35 anos ou mais para se aposentar. É necessário que a presidente (Dilma Rousseff, PT) cuide mais do trabalhador e o respeite. Se hoje o Brasil anda para frente, é porque os anteriores ajudaram a chegar até aqui e prosperar. O aposentado teria de ter a parte da saúde mais bem cuidada, pois não consegue fazer algumas cirurgias, consultas, e às vezes morre à míngua, sem uma assistência digna do governo”, lamentou.
Já a aposentada Maria Moreira Martins Pereira, de 81 anos, relata ter uma vida boa”, apesar de saber que a realidade do país não é a mesma. Vivo com meus filhos e aqui todo mundo tem seu dinheiro. O salário do aposentado poderia ser melhor, porque tudo sobe muito mais do que o salário. Para quem vive sozinho, sem família e paga aluguel, é complicado. O salário é pouco. Além disso, a dificuldade é para quem não tem um plano de saúde. É uma dificuldade. Precisava ter um planejamento melhor nesse sentido, o aposentado trabalhou a vida toda e quer ter tranquilidade”, opina.
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