24 de janeiro, de 2015 | 20:00

Pet shops da região devem se adequar

No Vale do Aço, uma delegacia da categoria será inaugurada na semana


IPATINGA – Os pet shops, a partir de agora, precisam obedecer a uma série de normas para expor e vender animais. Procedimentos recomendados pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) estão em vigor em todo o país. Entre as determinações mais polêmicas, os donos de estabelecimentos não podem mais deixar os bichos em gaiolas à frente do comércio. No Vale do Aço, uma delegacia da categoria será inaugurada nessa semana, para intensificar a fiscalização que deve ser rigorosa.

O mercado de atendimento aos animais está de vento em popa nos centros urbanos. O CFMV estima que, só em 2014, o segmento de pet shops tenha gerado um faturamento de R$ 16 bilhões no país. Na região, esse cenário já foi divulgado pelo DIÁRIO DO AÇO. Há “acãopamentos”, especializados  em vestuário casual e chique para cães e gatos, entre outros suportes. Os bichos também têm seu espaço e, por isso, as regras visam frear abusos e maus-tratos. 

A Resolução nº 1.069/2014 entrou em vigor em 15 de janeiro. No texto da norma, é descrito que pet shops e locais de comercialização de mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes devem manter os animais em ambiente livre de excesso de barulho e com acesso restrito à população. O local deve ter luminosidade e espaço adequados, estar livre de poluição e ser protegido contra intempéries ou situações que causem estresse. 
Wesley Rodrigues


Rômulo Edgar


À frente da unidade regional do CFMV e da Associação dos Veterinários do Vale do Aço (Açovet), Rômulo Edgar comenta que os animais somente podem ter contato com os clientes nas lojas, casas de ração e ruralistas, quando houver intenção de venda. “Os pet shops ou terão de colocar as gaiolas atrás de alguns cercados, obedecendo às questões de acomodação e higiene, ou em gaiolas de vidro, para que as pessoas não tenham contato direto”, frisa.

Situações de cachorros engaiolados onde qualquer popular possa passar e tocá-los são comuns na região. O fato de acabar com o contato direto, diz Edgar, se deve à proteção da saúde do animal. “A situação dos animais estarem em uma gaiola já gera estresse. O contato direto com pessoas estranhas, além disso, pode levar à transmissão de doenças. Também é uma forma de preservar o direito do consumidor. A pessoa compra o filhote, cria expectativas, esse animal adoece, há gastos e acaba vindo a óbito. A iniciativa visa beneficiar ambas as partes”, enfatiza.

Outras regras
Estabelecimentos menores deverão ser mais impactados. É necessário ter espaço e as adequações poderão ser onerosas. A norma obriga ainda que esses locais mantenham um veterinário responsável, que deverá fazer inspeções diárias para observar as condições de higiene e comportamento dos animais. Caberá a esse profissional notificar as irregularidades que terão de ser corrigidas. Caso as falhas não sejam sanadas, o conselho será notificado. Os estabelecimentos e médicos veterinários que descumprirem as novas regras estarão sujeitos à multa e punições administrativas pela prática de infração ética.

Delegacia
O Vale do Aço terá a partir do dia 30 de janeiro, uma delegacia regional do CFMV. A unidade funcionará na avenida Carlos Chagas, 504, sala 2, no bairro Cidade Nobre, em Ipatinga. O órgão contará com fiscal e outros profissionais, que serão contratados por meio de concurso público, terá abrangência regional. Após sua implementação e funcionamento, uma visita deverá ser feita aos pet shops para conhecimento da realidade e informa-los das adequações. “É importante criar normas. Se deixa muito solto, infelizmente ocorrem abusos”, encerra Rômulo Edgar.

 

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