24 de janeiro, de 2015 | 20:00
Crise do São Camilo reflete no HMC
Maior impacto é percebido nos atendimentos da maternidade desde dezembro
IPATINGA O anúncio de suspensão do atendimento do Hospital São Camilo Timóteo pelo Sistema Único de Saúde (SUS) marcado para começar nesta terça-feira (27) já impacta o atendimento do Hospital Márcio Cunha, em Ipatinga, que passa a ser a principal opção para receber os casos graves e maternidade. O superintendente do HMC, Mauro Oscar Soares de Souza Lima, adiantou que foi enviado ofício ao Ministério Público e Polícia Militar solicitando reforço na segurança como medida preventiva, a partir de terça-feira, assim como fez a diretoria do Hospital São Camilo Timóteo.
Mauro Oscar afirma que os reflexos eram percebidos desde dezembro do ano passado na maternidade. Em novembro, foram realizados 1.288 procedimentos entre partos, curetagens e consultas de urgência. Em dezembro, o número de procedimentos subiu para 1.359. Já sentimos o aumento da procura, principalmente na maternidade. Desde dezembro, muitos pacientes já estavam sendo direcionados de Timóteo para cá. Com alguma antecedência eles já são orientados a nos procurar. O prazo do dia 27 deveria ser cumprido”, reclamou Mauro Oscar. Ano passado, o HMC fez 5.711 partos e deve ficar na posição de segunda ou terceira maternidade do Estado em número de partos em 2014.
Em relação ao atendimento de urgência e emergência, Mauro Oscar disse que todos têm direito a acessar o hospital, porém passam pela classificação de risco para avaliar a gravidade. O nosso foco de atendimento são pacientes classificados em vermelho e laranja. Os demais não devem vir ao HMC, que é uma unidade chamada de terciária, mais complexa”, orientou o superintende do HMC.
A maior preocupação dos reflexos da crise no Hospital São Camilo, que denunciou o contrato com o SUS ao Estado alegando insuficiente de recursos repassando pelo governo, além de oito municípios da microrregião, é que o Hospital Márcio Cunha já opera com a quase totalidade de sua capacidade. Mauro Oscar informa que a taxa de ocupação é de 86%. Oferecemos 529 leitos nas duas unidades é difícil ter outros espaços. Essa taxa de ocupação não significa que temos 14% livre, porque o restante são leitos que às vezes são dedicados.
Leitos de pediatria, por exemplo, podem estar sem paciente. É muito difícil ir além do que já fazemos hoje em dia. O HMC e a Fundação São Francisco Xavier podem contribuir, mas nunca vão resolver toda a situação de saúde que está sendo criada pelo São Camilo Timóteo”, frisou o superintendente.
Atualmente, dos atendimentos realizados pelo Márcio Cunha 53% são de pessoas de Ipatinga e outros 47% de outras cidades da região. Mauro Oscar explica que, em todas as regiões do Estado, o que prevalece no atendimento à saúde é o conceito de rede entre hospitais com diferentes focos de atendimento que se complementam. É comum precisar do apoio financeiro dos municípios atendidos, mas essa demanda nem sempre é atendida. Mas somos cobrados por isso, pois no conceito de rede que os hospitais trabalham temos que cumprir a meta de atendimento tanto para munícipes de Ipatinga, quanto para outras cidades”, explicou.
Repasses
Questionado sobre os problemas comuns de hospitais com repasses dos governos federal, estadual e dos municípios, o superintendente do HMC frisa que o mais importante é saber equilibrar recursos e manter o atendimento. Mesmo sabendo dos atrasos nos repasses de verbas, dos extra tetos do SUS que muitas vezes demoram a chegar e, alguns nem chegam, continuamos sendo parceiros do SUS. Porque enquanto somo empresa cidadã sabendo da nossa responsabilidade social nunca deixamos de atender ninguém, nunca fechamos a porta”, relatou Mauro Oscar.
Ao lembrar da crise na saúde regional em 2012 com o fechamento do antigo Hospital Siderúrgica, Mauro Oscar chama a atenção para não se permitir que esse capítulo se repita. O problema principal é a gestão que faz toda diferença, pois os problemas são iguais; do mesmo jeito que reclama-se das tabelas do SUS. Até porque se for analisar a vertente social e econômica o SUS ele é um projeto socialmente ambicioso, mas economicamente subfinanciado. Mas essa é a regra para todo mundo”, pontuou.
Na opinião do superintendente, por meio da gestão é possível equacionar os problemas do dia a dia e manter um atendimento com alto padrão, qualificado, humanizado e digno. Acho que outras instituições devem procurar também esse caminho. De fortalecer a gestão e equacionar esses problemas que na verdade são da área da saúde como um todo”, comentou Mauro Oscar.
Comunidade
O superintendente do HMC chama a atenção para a importância da participação da comunidade nesse processo. Às vezes, a questão fica só para a gestão política, mas a comunidade tem que se manifestar e entender. Na crise de 2012 tivemos problemas semelhantes a esse e fomos ao MP para defender que o SUS esteja de portas abertas para o que realmente é devido para o hospital. A comunidade deve colaborar”, concluiu Mauro Oscar.
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