27 de janeiro, de 2015 | 20:00
Estiagem interfere no preço de hortifrútis
Sem chuva, produção de alimentos perde em quantidade e qualidade
IPATINGA A falta de chuva tem sido inimiga da produção de legumes, verduras e hortaliças. A estiagem está provocando a queda da qualidade dos produtos, assim como a redução da oferta de alguns alimentos. Caso não chova nos próximos dias, a estimativa é que os consumidores sintam no bolso, a partir do próximo mês, um aumento considerável no preço dos hortifrútis. O secretário executivo do Sindicato dos Produtores Rurais de Ipatinga, Jozian Miranda Chaves explica que, desde o mês de setembro, não há chuva suficiente. A situação é relatada por representantes de hortifrútis e mercados de Ipatinga.
Gerente comercial do Hortifrutas Nobre, Jean Carlos Nunes, pontua que a falta de chuva reflete diretamente nos produtos, tanto é que, desde o início do mês de janeiro, há falta de alimentos e queda na qualidade. A exigência para comprarmos tem sido muito maior, porque precisamos manter o padrão”, observa. Ele acrescenta que o preço sofreu elevação em itens como batata, tomate, cebola, e, recentemente, nas hortaliças.
Se não chover, a tendência é que no mês que vem seja pior ainda”, aponta o gerente. Ele recorda que, desde o mês de dezembro, o preço do tomate subiu. Antes custava em torno de R$ 1,99 e hoje está a R$ 3,99. O quilo da batata subiu em média 60% e as verduras de folha 30%. Itens como o quiabo, por outro lado, que tem a produção ampliada em períodos de sol, estão com preço abaixo do normal, assim como o maracujá e limão.
Vemos a dificuldade na roça, pessoas que não estão plantando, porque já sabem que não vai ter como aguar a produção e o reflexo vem daqui a 30 dias, quando não haverá o que colher. Não me lembro de nenhum outro período tão grande de estiagem como esse”, frisou.
Proprietário do Mercafrutas Esperança, Jaider Pereira de Miranda, há 35 anos no mercado, também não se lembra de um período de estiagem tão extenso. Com isso, se perde qualidade em algumas mercadorias por causa do calor. O quiabo produz muito por causa do sol e está barato, maracujá também. Mas se continuar assim, sem chuva, os produtos perdem qualidade. Hortaliça, jiló, pepino, todos caem de qualidade sem chuva, pois falta umidade e pode ocasionar aumento do valor”, salienta.
Produtores preocupados
O secretário executivo do Sindicato dos Produtores Rurais de Ipatinga, Jozian Miranda Chaves , observa que é possível perceber preocupação por parte do produtor, que não tem produzido e, em razão disso, perdem mercado. Existe a incerteza do recurso financeiro para manter a família e esse produtor passa a questionar a viabilidade de se manter na atividade rural. Vemos os jovens abandonando a atividade rural e os mais idosos também, porque apesar de ter tido uma vida inteira na roça, as privações os fazem pensar em vir para a cidade”, avalia.
O sindicato tem como filiados produtores de Ipatinga, Santana do Paraíso, Mesquita, Joanésia, Coronel Fabriciano e Iapu, que produzem derivados do leite e hortaliças. Percebemos a inviabilidade de ficar na zona rural e a possibilidade da perda de um conhecimento passado de pai para filho, caso essa cultura seja perdida”, lamenta Jozian Chaves.
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