28 de janeiro, de 2015 | 20:00
Alerta regional para consumo de água
Diretor da Copasa afirma que se gasto não cair 30%, medidas enérgicas” podem ser adotadas
DA REDAÇÃO Rios visivelmente mais secos, falta de chuva e temperaturas altas. O cenário da região, que se repete em várias cidades brasileiras, reflete em falta de água, assunto que entrou na pauta de vários debates permeados pela pergunta: por que nada foi feito antes? Agora, companhias de abastecimento fazem forças-tarefas para reduzir o consumo e evitar o racionamento.
Em algumas cidades da região, especialmente em Ipaba, a escassez de água já castiga moradores há duas semanas. O recurso é distribuído na vizinha cidade com ajuda de caminhão-pipa, escoltado pela Polícia Militar e há longas filas de pessoas com baldes e bacias.
Para evitar que essa situação se generalize na região, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) implementa várias ações no Leste para reduzir o consumo em 30%. Em entrevista ao DIÁRIO DO AÇO, por e-mail, o diretor de Operações Centro-Leste da Copasa, Frederico Lourenço Ferreira Delfino, o Fred Ferramenta, afirma que, se o consumo não for reduzido, medidas mais enérgicas, como sobretaxa e rodízio, não estão descartadas.
DIÁRIO DO AÇO - Qual o volume consumido pela região Leste e o número de consumidores?
FRED FERRAMENTA - Na região Leste, as localidades operadas pela Copasa atendem a uma população de 1.036.517 pessoas que consomem, em média, 108 milhões de litros de água por dia.
DA - Como está a situação dos reservatórios de água que abastecem a nossa região?
FRED FERRAMENTA - A maioria das cidades situadas no Leste de Minas Gerais e atendidas pela Copasa não utilizam reservatórios como fonte de produção para o abastecimento público de água. Os municípios são atendidos por meio de poços profundos ou córregos, ribeirões e rios, sendo a água captada diretamente no leito destes cursos dágua. Os municípios que usam o sistema de reservatórios na região são Resplendor e Itueta, que se abastecem por meio da barragem da Hidrelétrica de Aimorés, além de Pedra Corrida, que utiliza a barragem de Baguari e Peçanha, com água captada do açude alimentado pelo Córrego da Divisa.
DA - Como está o nível dos cursos dágua para captação? Há alguma situação de alerta?
FRED FERRAMENTA - Dado o prolongado período de estiagem, todos os cursos dágua foram impactados com a redução da vazão e do nível da água. As situações de alerta decorrem principalmente das captações irregulares feitas para irrigação de culturas e pastagens. Muitos deles fazem a irrigação durante o dia, desperdiçando energia elétrica e água, pois grande parte da água respingada sob o sol forte evapora. Isto compromete a eficiência da irrigação e reduz a quantidade da água para abastecimento público.
DA - O município de Ipaba está em situação crítica com falta de água há duas semanas. Quais municípios do Leste estão em situação preocupante em relação ao abastecimento?
FRED FERRAMENTA - Em Ipaba, o abastecimento público está comprometido. Houve redução da quantidade de água disponível para captação, de 118.800 litros por hora para 10.800 litros por hora, em função das captações irregulares. A Polícia Ambiental, a pedido da Copasa, está percorrendo os afluentes do ribeirão Água Limpa para identificar e autuar os infratores. A Copasa equipou e está utilizando um novo poço profundo para melhorar o abastecimento da sede do município. Temos também situação de alerta em Iapu, São João do Oriente, Dionísio, Periquito, Serraria, Entre Folhas, Alpercata, Engenheiro Caldas, Fernandes Tourinho, Sobrália, Virginópolis, Virgolândia, Santa Bárbara do Leste, Itanhomi, Tarumirim e Edgard de Melo.
DA - Tendo em vista a visível seca nos rios Doce e Piracicaba, essa situação pode prejudicar o abastecimento da região?
FRED FERRAMENTA - No Vale do Aço, Ipatinga, Coronel Fabriciano, Timóteo e metade de Santana do Paraíso utilizam como fonte de produção o aquífero aluvionar do rio Piracicaba, que é um reservatório de água subterrâneo de características muito singulares e com capacidade para suportar o abastecimento da região mesmo em situações de estiagem prolongada e de baixo nível das águas do rio Piracicaba. As localidades que captam água diretamente no rio Doce (Alpercata, Tumiritinga), no rio Piracicaba (Antônio Dias) e no rio Santo Antônio (Conceição do Mato Dentro e Naque) estão em estado de alerta, mas não tiveram o abastecimento público comprometido.
DA - As empresas consomem muito? Como elas podem contribuir para evitar o desperdício?
FRED FERRAMENTA - As grandes empresas da região possuem fonte própria de abastecimento e a Copasa não tem acesso às informações sobre o consumo de água delas.
DA - Em relação à falta de chuva, até que ponto a continuidade desta seca pode agravar o abastecimento?
FRED FERRAMENTA - Existem localidades que já sofrem o impacto da estiagem tais como Ipaba, Dionísio, Serraria e Edgard de Melo. Em outras localidades, o impacto ocorrerá entre 15 a 30 dias, se a estiagem se prolongar.
DA - Na RMBH, a Copasa estuda o rodízio e oneração da conta como formas de controle do gasto de água. Essas medidas podem ocorrer na região?
FRED FERRAMENTA - Sim, caso persista a estiagem e não haja redução de 30% no consumo estas possibilidades não estão descartadas.
DA - Quais ações a Copasa pretende implementar para reduzir o desperdício?
FRED FERRAMENTA - Em Ipatinga, estamos implementado ações para adequação das pressões nas canalizações, reduzindo onde a pressão é muito alta e aumentando onde ela é muito baixa, de forma a reduzir vazamentos e fazendo com que a água que anteriormente era perdida seja utilizada para abastecimento das regiões mais altas e mais distantes, como é o caso do bairro Forquilha, por exemplo. Em todas as localidades onde a empresa atua, estão sendo implementados procedimentos para reduzir o desperdício, como reduzir o tempo para correção de vazamentos, substituindo canalizações e equipamentos com alto índice de ocorrências de manutenção, automatizando processos, entre outros procedimentos.
DA - Como a população pode colaborar para reduzir o consumo de água?
FRED FERRAMENTA - Fazendo uso racional da água, evitando usar mangueira como vassoura para lavar passeios, lavar carro com balde, escovar os dentes e fazer barba com a torneira fechada, reduzir o tempo de banho, utilizar toda a capacidade das máquinas de lavar roupa e louças, ensaboar e enxaguar louças e vasilhas de uma vez com a torneira fechada, dar manutenção periódica nas canalizações, torneiras e válvulas de descarga. Recomendamos utilizar o hidrômetro para controlar o consumo diariamente ou pelo menos uma vez por semana. Ele é um ótimo indicador de vazamentos nas redes internas do imóvel, de descargas do vaso sanitário e nas boias do reservatório domiciliar. E há outras dicas que podem ser obtidas no site www.copasatransparente.com.br.
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