09 de fevereiro, de 2015 | 20:00
Indústria lidera uso alternativo de água
Vale do Aço possui mais de mil outorgas para extração de água na bacia hidrográfica do Rio Doce
DA REDAÇÃO Os municípios do Vale do Aço que utilizam a bacia hidrográfica do Rio Doce gastam, por segundo, 17,905 m³ de água captada em fontes diretas, superficiais ou subterrâneas. Os dados são do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam-MG). De acordo com levantamento do órgão em relação à finalidade do uso desta água, o setor industrial é o maior consumidor com 4,136 m³ por segundo. Em segundo lugar, aparece o consumo público e humano que gastam 2,534 m³ de água por segundo. Em terceiro lugar está a irrigação, com 1,546 m³ de água consumida por segundo. Para saciar a sede de animais no campo, o uso é de 0,782 m³. Para outros usos, que não foram especificados pelo Igam, o gasto é de 8,760 m³.
Toda pessoa física ou jurídica de direito privado ou pessoa jurídica de direito público que utilize os recursos hídricos, superficiais ou subterrâneos, deve obter a outorga de direito de uso ou cadastro de uso insignificante junto ao órgão ambiental competente. O Igam explica, em nota, que a outorga é o instrumento legal que assegura ao usuário o direito de utilizar os recursos hídricos. No entanto, essa autorização não dá ao usuário a propriedade de água, mas, sim, o direito de seu uso.
A partir do fim de 2014, esse uso da água passou a ser mais controlado mediante a crise hídrica vivida no país. A resolução conjunta da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e o Igam, nº 2.249, torna obrigatória a instalação de equipamento hidrométrico e horímetro nas intervenções de águas superficiais, com vazão outorgada a partir de 10 litros por segundo. Empresas e proprietários de casas que vão instalar poços ou cisternas devem primeiramente acionar o Igam e fornecer uma série de informações como o uso e a quantidade da água a ser extraída para obter a autorização.
Em 2014, os municípios do Vale do Aço que utilizam a bacia hidrográfica do Rio Doce somaram 1.463 outorgas vigentes entre superficiais e subterrâneas, considerando pedidos liberados e ainda em análise, segundo dados do Igam. Mas o volume de pedidos que chegam ao órgão é maior e reflete em atraso na liberação de outorgas e autorizações para uso da água, conforme aponta a engenheira civil e perita judicial ambiental, Cláudia Brum. Ela afirma que, durante o trâmite, as licenças e autorizações esbarram na morosidade. O órgão é muito falho, demora muito para regularizar, principalmente a outorga. Esse fator tempo desanima muitos em buscarem a regularização”, criticou a engenheira.
Em sua avaliação, a demora se deve em razão da burocracia e de poucos técnicos para analisar os processos. Se um documento vence, pedem de novo e o processo recomeça. É complicada a análise. No momento, o escritório do Igam de Valadares, que atende o Vale do Aço, possui 2 mil processos de 2012 para análise”, exemplificou Cláudia Brum.
Trâmite
Em relação ao processo de pedido de autorização ou outorga para uso da água, Cláudia explica que, uma vez obtida a liberação, a pessoa ou empresa deve mostrar para qual finalidade e a quantidade a serem usadas. O mais comum é as pessoas buscarem a regularização depois que já fizeram os poços. Mas o importante é fazer o processo com ajuda profissional”, salientou Cláudia Brum.
Ao preencher os formulários informando o uso da água, o solicitante da licença deve cumprir rigorosamente o que declarou, pois do contrário pode cometer crime ambiental. Hoje as pessoas estão muito bem informadas e a denúncia é comum. É preciso estar atento”, pontuou.
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