26 de fevereiro, de 2015 | 14:15

Trabalhadores voltam a “interditar” shopping

Empresa informou que irá viabilizar o retorno dos operários ao Nordeste do país


Com atualização. 

IPATINGA – Pagamentos em atraso e más condições de trabalho. Foram esses os motivos que levaram, novamente, dezenas de operários que atuam nas obras de expansão do Shopping do Vale do Aço a cruzarem os braços nesta quinta-feira, 26. No início da tarde, eles bloquearam o acesso ao interior do centro de compras, mas por pouco tempo. O ato foi desfeito após negociação com a Polícia Militar, o Sindicato da Indústria da Construção Civil e a PHV Engenharia.

Por meio de nota, a administração do Shopping do Vale esclareceu que ocorreu uma reunião ainda hoje entre a PHV (empreiteira responsável pelas obras do Shopping), empregados da Vista (empreiteira prestadora de serviços para a expansão) e representantes do Sindicato da Construção Civil. No acordo feito, “os empregados solicitaram o desligamento da empresa, receberam um adiantamento e dentro de aproximadamente dez dias receberão todos os seus valores devidos, sob a supervisão do Sindicato da Construção Civil”. A PHV, por telefone, salientou que disponibilizará um ônibus para o retorno dos funcionários da Vista Empreendimentos ao Nordeste.

Protesto
Os cerca de 50 trabalhadores foram trazidos do estado do Alagoas pela empreiteira Vista Empreendimentos, sublocada que presta serviços às obras de expansão. Os pedreiros, armadores, carpinteiros e outros tantos funcionários pararam o trabalho ainda pela manhã, nesta quinta-feira. Eles afirmam que há trabalhadores com atraso de 20 dias no pagamento e também há outros que os vencimentos não são pagos há três meses. “Infelizmente só é resolvido assim, fechando o shopping e chamando a atenção das pessoas e da imprensa”, informou o pedreiro José Cláudio da Silva.

Wôlmer Ezequiel


protesto trabalhadores shopping
Além dos vencimentos em atraso, o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) não é depositado há meses. “Queremos nosso acerto e ir embora, mas não querem fazer acordo. Viemos para cá iludidos”, denunciou o servente de pedreiro Adeilson Paulino da Silva, que deixou a família no Alagoas. O atraso nos pagamentos é recorrente, e em novembro de 2014, os funcionários da Vista trazidos do Nordeste do país e com a promessa de um trabalho digno bloquearam o acesso de centenas de pessoas ao interior do Shopping do Vale do Aço.

Outra razão do protesto dessa quinta são as condições análogas a de escravo vivenciadas no alojamento em que os operários se amontoam no bairro Iguaçu. A reportagem foi ao local e a infraestrutura assusta. Há cerca de 15 dias os serviços de água e luz foram cortados por falta de pagamento, e os trabalhadores fizeram um “gato” na rede. O local é mal ventilado, com odor forte e muitos dormem em colchões espalhados pelo chão, junto de materiais de depósito. No imóvel localizado na rua Berilo, além disso, 40 homens disputam um único banheiro. Com o aluguel do imóvel também sem pagamento por parte da empresa, o proprietário solicitou a saída dos operários do local.

Wôlmer Ezequiel


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Organização
Advogado do Sindicato da Construção Civil, José Barbosa de Andrade criticou o modelo de contratação dos trabalhadores e disse que dessa forma é difícil eles localizarem um sindicato da categoria para a cidade que são levados. “O Sindicato tomará todas as medidas contra esse modelo de construir shoppings contratando trabalhadores de locais distantes, os colocando nessas condições de trabalho”, frisou. Trabalhadores reiteraram que as denúncias já foram protocoladas no Ministério Público do Trabalho.

 

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