28 de fevereiro, de 2015 | 20:00

Alta de combustível aquece venda de motos

Comerciantes desse segmento apontam aumento de 20% na procura pelo veículo desde janeiro


IPATINGA – O aumento no valor do combustível, principalmente a gasolina, provoca uma série de mudanças no comportamento das pessoas na tentativa de gastar menos. Para se deslocar com menos custo, muitos optam pela condução sobre duas rodas e estão indo para o trabalho ou estudar de motocicleta ou bicicleta. Na região, desde janeiro as vendas seguem numa crescente média de 20%, conforme relato de comerciantes. A procura por manutenção de bicicletas nas lojas e oficinas também aumentou desde o início do ano. 

Nas concessionárias de motocicletas, o movimento de clientes fechando negócios e pesquisando preços é intenso. Os modelos prediletos são os de 125 e 150 cilindradas, devido ao custo-benefício em relação ao gasto de combustível e potência. Proprietário da MG Motos, Lourival Fonseca informa que, com a média de 40 quilômetros rodados por litro de gasolina, as motocicletas atraem muitas pessoas. “A moto oferece uma economia de 70% de combustível. Muitos que têm carro compram moto para se deslocar para o trabalho e escola”, pontua.

Além da economia no bolso, a mobilidade no trânsito cada vez mais lento e com menos vagas de estacionamento é outro fator de peso na hora da compra da moto. “Quem vai para Centro de Ipatinga, por exemplo, quase não consegue estacionar. A motocicleta oferece essa facilidade”, comenta Lourival Fonseca. Em relação ao perfil dos clientes, o empresário revela que muitos já possuem carro e que homens e mulheres dividem ao meio o número de motos adquiridas. “As mulheres já estão ultrapassando essa procura. Temos vários modelos específicos para elas”, destacou o empresário. 

Desde o aumento no preço do combustível no início do ano, a gerente da Mil Motos, Késsia Rovênia, percebeu um volume muito grande no fluxo de clientes na loja. “Tivemos um crescimento representativo. A procura da moto por venda imediata, à vista ou por financiamento teve grande crescimento em detrimento do consórcio”, informou.

Em relação aos clientes que procuram a loja para comprar uma motocicleta, muitos têm idade entre 19 e 24 anos e procuram o veículo para se locomover de forma rápida, principalmente nos deslocamentos rumo ao trabalho ou à faculdade. “Grande parte tem idade entre 19 e 24 anos. Os modelos mais procurados são os de 150 e 125 cilindradas. A economia é muito alta, nas vendas mostramos aos clientes que, com o valor poupado com uso da moto em comparação com o carro, ele paga a prestação da motocicleta”, salienta Késsia Rovênia.

Cinquentinhas
Aqueles que não possuem habilitação para pilotar moto recorrem aos modelos de 50 cilindradas, as “cinquentinhas”, para se locomover com rapidez e menos gastos. O gerente da Moto Vale, revendedora da Shineray em Ipatinga, Ewerton Ricardo Nogueira, afirma que, desde o início do ano, as vendas aumentaram 15% a 20%. “Nosso perfil são pessoas sem habilitação ou que querem deixar de gastar muita gasolina e pagar imposto mais caro por motos mais potentes. A economia é grande porque as nossas motos fazem 50 a 65 quilômetros por litro de gasolina”, destacou.

Ewerton Nogueira revela que a maioria dos clientes tem 30 anos de idade, em média. “Esclarecemos que menores de 18 anos não podem pilotar, mas há  casos em que adultos compram e passam para menores, apesar da nossa orientação em contrário”, frisou o gerente.

Economia e praticidade
Promotora de vendas, Josy Heliodora Araújo pilota moto há sete anos e garante que a economia e agilidade valem a pena. Ela vai trocar a moto atual por um modelo mais novo. Com o carro na garagem, a promotora utiliza a motocicleta para se locomover no dia a dia. “Tenho carro, mas infelizmente para trabalhar como promotor de vendas o gasto fica muito maior. A moto ajuda a economizar e dá comodidade de andar no trânsito com mais agilidade. A economia é de mais de 60% em relação ao carro. Eu prefiro moto ao carro, que só uso por causa dos meus filhos”, garantiu Josy Araújo.

 

Aumento na manutenção de bicicletas

 

Polliane Torres


bicicleta
Há também aqueles que, para reduzir o gasto com combustível, tiram a poeira da bicicleta parada na garagem para usá-la no lugar do carro. Nas lojas e oficinas houve aumento na procura por manutenção da famosa “magrela”. Na Roda Viva, o proprietário, Marcelo Anício, conta que ainda não sentiu aumento na venda de modelos novos, mas a demanda manutenção como lubrificação e troca de pneus, está em alta. “Acho que muitos estão arrumando as bicicletas que estavam paradas enquanto usavam carro, para agora andar de bicicleta e deixar o veículo mais parado”, afirmou.

Na Minas Bike, o vendedor Werley de Brito também confiurma o aumento na procura por manutenção de bicicletas. “A venda está estável, mas temos muita procura por serviços de lubrificação e pneus. Isso também coincidiu com o retorno às aulas. Muitos estudantes usam bicicleta. Daqui pra frente é que veremos que a população vai trocar veículos pela bicicleta”, comentou.
 
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