10 de março, de 2015 | 20:00
Tragédia da Apae” sem previsão de sentença
Necessidade de novos depoimentos adia a expectativa por uma decisão judicial
IPATINGA Familiares de sete vítimas da Tragédia da Apae”, acidente que matou onze pessoas, vão continuar na espera de uma decisão judicial em primeira instância. A audiência de instrução, realizada na tarde dessa terça-feira, na Vara da Fazenda Pública da Comarca de Ipatinga, com o objetivo de unificar os processos, terminou sem um avanço no caso. Representantes do Estado, Município de Ipatinga, e as empresas Talentus Turismo que venceu a licitação para prestar o serviço de transporte e a Translima, que foi sublocada para realizar a viagem, e o motorista que conduziu o ônibus compareceram à audiência.
Porém, durante a instrução, a Talentus denunciou o motorista, que será integrado como réu nos sete processos e ainda terá prazo para apresentar defesa. Já a Translima denunciou a seguradora, com sede em Porto Alegre, que não enviou representante. O advogado das sete famílias, Emílio Celso Ferrer Fernandes, explicou que a seguradora será citada por meio de carta precatória, expedida em Ipatinga. Quando a carta precatória for juntada ao processo, a seguradora terá 15 dias para a defesa. Vai demorar mais. Os atos processuais precisam ser regularizados para evitar possível nulidade”, detalhou o advogado.
Todos esses trâmites necessários acabam por atrasar a definição de um desfecho para o caso. A cada tempo que passa aumenta a angústia das famílias. A seguradora não enviou representante para ganhar tempo, protelar. Não está sendo sensível com as famílias de vítimas de uma tragédia de repercussão nacional. Vemos boa vontade do juiz e a presença de quase todos na audiência, mas os atos processuais precisam ter andamento. Não há previsão de sentença”, falou o advogado.
Ansiedade
O acidente com o ônibus que transportava uma delegação da Associação de Pais e Amigos do Excepcional (Apae) de Ipatinga, matou onze pessoas, em 2010, em Carbonita, no Vale do Jequitinhonha. O fato envolveu dois ônibus com estudantes e funcionários da Apae de Ipatinga e atletas da Associação Esportiva e Recreativa Usipa, e deixou também 22 pessoas feridas, causando comoção nacional.
Desde 2011, tramitam na Vara da Fazenda Pública na Comarca de Ipatinga sete processos de famílias das vítimas. A defesa pede R$ 1 milhão por danos morais e danos materiais por vítima, valor calculado com base no tempo de vida que cada pessoa teria. Os familiares compareceram à audiência na tarde dessa terça cheios de angústia e esperança. A família do atleta Vinícius Nonato Nunes, 18 anos, que morreu no acidente, foi ao Fórum com camisas personalizadas em homenagem à vítima.
A tia do jovem, Maria perpétua Socorro, ressalta que o dinheiro não trará ninguém de volta, mas ameniza a dor. É uma falta de respeito esperar tanto tempo. Estamos ansiosos para colocar um ponto final nisso. Esperamos que a situação não se arraste por mais quatro anos”, desabafou. O marido de uma monitora de crianças com deficiência que morreu na tragédia, Luiz Carlos Nogueira, espera que a justiça seja feita. Quanto mais tempo se arrasta, mais dói. Sentimos a dor da perda e também desse processo que não nos deixa esquecer o fato”, afirmou.
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