27 de março, de 2015 | 20:39

Eleição conturbada no Consurge

Após duas horas de discussão, Elisa Costa (PT) foi eleita presidente do Consórcio


IPATINGA - Prefeitos dos Vales do Aço e Rio Doce, filiados ao Consórcio de Urgência e Emergência (Consurge), se reuniram em assembleia na manhã dessa sexta-feira (27) em Governador Valadares, para eleger o novo presidente da entidade. Por 40 votos a 6, a prefeita de Governador Valadares, Elisa Costa (PT), foi escolhida após o outro candidato, o prefeito de Periquito, Geraldo Godoy (PMDB), deixar a disputa. A eleição ocorreu na sede da Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Doce (Ardoce), no bairro Ilha dos Araújos.

Atual presidente do Consurge, o prefeito de Belo Oriente, Pietro Chaves (PDT), explicou que o estatuto da entidade prevê alternância regional bianual na gestão do consórcio. Pietro abriu mão de concorrer à reeleição, fato que deu início à polêmica em torno do pleito. Ao abrir os trabalhos, o presidente explicou aos presentes que a candidatura da chapa de Elisa Costa esbarrava no estatuto e na regra da alternância. Por não concordar com o fato, parte dos prefeitos defendeu que a decisão fosse tomada pela assembleia, que decidiu aceitar a chapa. Antes disso, o prefeito de Central de Minas, Genil Mata Cruz (PP), chegou a disputar o microfone com Pietro Chaves.

Geraldo Godoy retirou seu nome da disputa. “Já que o estatuto não está sendo cumprido, não quero participar e fazer parte do consórcio”, disse. Diante da desistência de Godoy, o presidente em exercício, Pietro Chaves, questionou se algum representante do Vale do Aço gostaria de se candidatar, fato que também gerou polêmica, uma vez que o prazo para inscrição de chapa havia expirado na véspera. Nenhum dos representantes da região se candidatou à disputa. Com apenas uma chapa concorrendo, Elisa Costa foi eleita por 40 votos a 6. A posse deve ocorrer no dia 1º de abril, às 19h.

Sobre a eleição, o prefeito de Engenheiro Caldas, Juarez Contin Júnior (PMDB), destacou que o interesse é de união para um melhor atendimento e um consórcio mais fortalecido. “Em relação ao entendimento do estatuto, a polêmica foi criada porque o estatuto foi feito num momento muito rápido e acabou deixando lacunas. Há entendimento no sentido de poder ter a eleição, até porque o atual presidente abriu mão e só ocorreu a votação por isso. Se ele continuasse à frente do consórcio, estaríamos juntos até o final”, afirmou.

Estatuto
Sobre a eleição de Elisa Costa, o presidente do Consurge, Pietro Chaves destacou que, infelizmente, o que se viu foi um descumprimento do estatuto, e que qualquer alteração tem de ser feita com seis meses de antecedência. De acordo com Pietro, o artigo 18 diz que a eleição será de um ano, sendo de dois anos para a regional do Vale do Aço e dois anos para a regional do Vale do Rio Doce, para não haver disputa entre as regionais. “Considero que muitos pontos do estatuto foram desrespeitados. Vamos agora, de maneira sensata, avaliar qual a decisão e talvez até ir à justiça, fazer cumprir o estipulado no estatuto”, pontuou Pietro.   

Questionada se acredita na unidade entre os prefeitos após o debate em torno de sua eleição, Elisa Costa disse que sim, em razão de a chapa apresentada ter a participação das duas regionais de saúde. “Agora, vários prefeitos já demonstraram interesse em ampliar a sua participação. Nosso consórcio é um só, a chapa mais ampla e mais democrática significa garantia da unidade e mais que isso, o fortalecimento para que o Consurge venha a ser inaugurado e possamos salvar muito mais vidas em nossa região”, destacou a presidente eleita. 

Assim que tomar posse, Elisa Costa adiantou que o próximo passo será reunir a atual diretoria, que estará aberta para receber novos prefeitos que quiserem aderir, para que a composição fique “ainda mais democrática e representativa”. “Vamos elaborar um cronograma de trabalho junto a Secretaria de Estado de Saúde e o Ministério da Saúde para que possamos garantir a efetivação do Consurge. Seja com a central operativa de regulação, seja no Ministério da Saúde com as ambulâncias, para que tenhamos de fato um espaço para inauguração definitiva do Consurge”, vislumbrou a prefeita de Valadares. Dos 86 munícipios, 77 já aderiram à entidade.

Avaliação
Com fim do mandato previsto para o dia 31 de março, Pietro Chaves relatou que, durante o período à frente do cargo, visitou vários consórcios que já estão implantados como Teófilo Otoni e Juiz de Fora, conhecendo e aprendendo com estas experiências. “Mas, infelizmente, o governo do Estado não assinou convênio ano passado e tomamos uma decisão de não ir para reeleição. Com a eleição de uma nova diretoria, esperamos ter o prosseguimento do consórcio, que é uma coisa tão necessária para discutir pontos como o Samu regional, que vai nos proporcionar salvar vidas, e isso é importante”, ressaltou.

 

Implantação do Samu Regional

 

Presente ao evento, o prefeito de Dionísio, Frederico Henriques Figueiredo Coura Ferreira (PSDB) relatou que o município avalia se será viável o serviço do Samu. “Juntamente com a secretária de Saúde, estamos analisando se será viável economicamente e vantajoso para a população, porque casos que necessitam de Samu em Dionísio são raridade. Vamos ver o balancete do custo financeiro, para ver se vai ser vantajoso ou não. Às vezes, é mais vantajoso alugar uma UTI móvel em vez de pagar o Samu, porque o índice de acidente nas estradas é muito grande”, ponderou.

A prefeita de Coronel Fabriciano, Rosângela Mendes (PT), disse que o município tem esperado o Samu regional com expectativa, porque se tratar de uma região metropolitana e o Samu tem que ser tratado como tal. “Esse assunto carece da atenção de todos nós, e não de cada município de forma separada. A Elisa é uma pessoa com um trâmite muito bom em Brasília, com o governo do Estado e com todos nós prefeitos”, avaliou.

Prefeita de Ipatinga, Cecília Ferramenta (PT) frisou que é muito importante participar da escolha do novo presidente e de discussões como a do Samu regional, porque, até hoje, Ipatinga tem o Samu e muitas vezes tem de atender outros municípios, assim como o custeio disso. “Então, é importante nos reunirmos e estar em um consórcio para distribuir essas despesas, os recursos e atender cada vez melhor a nossa população. É um momento importante e todos os prefeitos têm de entender que não estamos brigando por essa ou aquela região e sim para fortalecer todas as regiões do Leste de Minas”, frisou.

O prefeito de Timóteo, Keisson Drumond (PT), por sua vez, lembrou que é preciso tratar o Samu de forma regional. “Agora tem o tripé que deve ser respeitado: primeiro, a união dos municípios, segundo, o apoio do Estado e, terceiro, a implantação do consórcio tripartite. Daí teremos condição de implantar o Samu em todos os municípios. Trabalhar isolada a implantação é muito difícil, o município não tem condição e esse consórcio vem resolver esse problema”, concluiu.

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