28 de março, de 2015 | 20:00

Momento econômico gera demissões no Vale do Aço

Queda de produção da indústria e crise da Petrobras são alguns dos motivos apontados por empresários


IPATINGA – O momento econômico vivido pelo país tem atingindo diretamente o Vale do Aço. A fase turbulenta da Petrobras, com investigação sobre corrupção, queda do preço do petróleo no mercado internacional e troca de diretores, tem prejudicado os prestadores de serviço, caso das empresas do setor metalomecânico da região. O atraso no recebimento de contratos tem ocasionado cortes de pessoal. 

Diretor-presidente da Viga Caldeiraria e vice-presidente da regional Vale do Aço da Fiemg, Flaviano Gaggiato explica que, desde o ano passado, alguns os contratos não estão sendo renovados. Com a situação da Petrobras, quando estourou a operação Lava-Jato, pontua, a empresa parou de pagar os fornecedores, que são os estaleiros. “Eles (estaleiros) são nossos clientes, que também pararam de nos pagar e, quando pagam, às vezes atrasam um mês, 45 dias, dois meses, e isso gera um descompasso violento, porque para muito estaleiro nós fornecemos matéria-prima, para a grande maioria fornecemos o material deles. Então, nosso trabalho é mão de obra e, se não recebemos, temos dificuldade de pagar nossos empregados”, pontua Flaviano Gaggiato.


Conforme o dirigente, a situação se complicou muito, haja vista que o preço do minério e do petróleo caiu e a crise da Petrobras está refletindo em todo o setor. “Já reduzimos bastante o nosso quadro de pessoal, em relação ao que tínhamos ano passado. Estávamos com 210 funcionários e, hoje, estamos em torno de 140 funcionários. Infelizmente a tendência, se não conseguirmos reverter, é diminuir o quadro mais ainda”, lamentou. 
Wôlmer Ezequiel


Crise


O empresário frisa que todas as empresas do setor metalomecânico estão sofrendo, desde a quebra da MMX, empresa de Eike Batista. Nos pátios da Viga Caldeiraria, no distrito industrial de Santana do Paraíso, é possível ver equipamentos que seriam destinados à MMX. “São 2,1 mil toneladas de equipamentos prontos, que não podemos entregar porque o nosso cliente, que vende para o Eike, está com ele na Justiça. As peças tomam espaço em nossa área e não podemos mexer porque estamos como fiéis depositários e o que acontecer é culpa nossa. Além de não ter mais serviço, deixamos de receber. Estamos sofrendo bastante”, relata.

Alternativas
O diretor-presidente da Viga Caldeiraria conta que tem feito todos os esforços possíveis, inclusive trazendo clientes para mostrar o avanço da obra, e que a empresa precisa receber e pagar os funcionários. Entretanto, essa não é a única preocupação no médio prazo, uma vez que o empresário não vislumbra melhora no quadro. A crise, mais do que econômica, destaca, é política e, enquanto não for resolvida, não haverá aprovação de medidas, o Brasil não anda e o orçamento fica enrolado.

“O governo gastou muito mais do que está recebendo e a tendência é a arrecadação diminuir, porque diminuindo o faturamento das empresas, diminui os impostos. Se ocorre demissão, vai aumentar a carga de pessoas que vão atrás do seguro-desemprego. Quem sobreviver esse ano vai ter que dar graças a Deus, sinceramente, e acho que só vai melhorar a partir de 2017”, estimou.

Vice-presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Vale do Aço (Sindimiva) e presidente da Líder Indústria Mecânica, Jeferson Bachour Coelho acredita que a crise não é oriunda somente da Petrobras, mas generalizada no Brasil e na economia.

A empresa de Jeferson Coelho trabalha para alguns estaleiros espalhados pelo país. Num primeiro momento, observa, no fim do ano passado e em janeiro desse ano, enfrentou alguns problemas em razão do atraso no pagamento por parte dos estaleiros. Alguns deles já acertaram, outros ainda não. “Acredito que essa crise não é oriunda só da Petrobras, é uma crise que está instalada no Brasil e na economia brasileira. São alguns processos que já vinham ocorrendo desde o ano passado e agora estouraram. O câmbio está muito alto, a inflação, a energia elétrica, a crise hídrica, são diversos fatores que estão influenciando e não só a Petrobras”, avalia. 
Wôlmer Ezequiel


Crise


O empresário salienta que a empesa continua atendendo os estaleiros, e 80% estão mantendo o pagamento em dia. “Já sobre esses 20% precisamos compreender, porque o problema não foi causando por eles, foi um problema que veio de uma crise econômica e não vamos abandonar esse segmento. Vamos trabalhar até onde for possível, sem que prejudique a empresa”, pontuou.

Na Líder Indústria Mecânica houve uma redução de pessoal em torno de 20%, situação sentida em todos os segmentos da indústria, não só as ligadas à Petrobras. “A indústria vem tendo uma queda em sua produção há alguns anos e isso está refletindo diretamente aqui”, pondera. 

Polo
Em relação à produção do polo metalomecânico, Jeferson Coelho pondera que crescimento não houve, algumas empresas conseguiram manter o faturamento, outras tiveram queda, mas não é só em um setor, e sim em todos os setores. Para ele, o Arranjo Produtivo Local (APL) continua sendo o carro chefe da região. O governo federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, contratou uma empresa que vai fazer a governança do APL.
Existe um projeto da Petrobras que foi solicitado pelo Sindimiva, para a criação de um centro de engenharia no Vale do Aço, e já existem encaminhamentos nesse sentido. “Acredito que a crise pode ser revertida, ainda no segundo semestre desse ano. As coisas devem chegar no lugar até o fim desse primeiro semestre, já com uma condição melhor para as empresas”, concluiu Jeferson Bachour Coelho. 

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