28 de março, de 2015 | 20:00

Dura e longa batalha pelo canabidiol

Famílias da região buscam judicialmente o acesso ao medicamento derivado da maconha


IPATINGA – A Justiça foi o mecanismo encontrado por algumas famílias do Vale do Aço que precisam do canabidiol (CBD) para o tratamento de crianças portadoras de casos raros e graves de epilepsia. O medicamento de uso controlado e extraído de composto da maconha, foi reclassificado de uso proibido para controlado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas ainda é preciso percorrer um longo caminho para que ela seja mais acessível aos pacientes.

A substância custa em média US$ 490, além de outras taxas e burocracias no processo de importação. No caso de ações judiciais, os demorados trâmites levam famílias a fazerem “vaquinhas”, rifas e eventos com objetivo de levantar verba para comprar o medicamento, com a devida autorização e prescrição médica. Em relatos comuns, as mães de crianças com crises convulsivas frequentes atestam melhoras de movimentos e na parte cognitiva, com o uso do medicamento. 

A dona de casa Adilcéia Sousa Gomes, conta as últimas gramas do medicamento que dá para a filha, Ana Clara Silva Gomes, de 9 anos. Ela entrou com uma ação contra Estado de Minas gerais e o Município de Ipatinga para custear o medicamento e conseguiu decisão favorável, mas o medicamento ainda não foi disponibilizado. “O medicamento que tenho deve acabar neste fim de semana. Fico com uma ansiedade porque as crises já começaram a voltar e mais forte, desde que reduzi a dosagem para pelo menos manter a substância agindo no organismo de Ana Clara”, relata Adilcéia Sousa.

Wôlmer Ezequiel


tatiane e maria clara
Para tentar aproveitar a promoção do canabidiol nos Estados Unidos, que está no valor de US$ 159 até o fim de abril, Adilcéia promove com ajuda de doação, uma ação entre amigos de um celular para levantar recursos e efetuar a compra. “Estou correndo contra o tempo, vendendo rifas para não faltar. É uma luta, espero não ter que correr sempre, pois esse é um direito que a Ana Clara conquistou na Justiça e deve ser cumprido”, afirmou Adilcéia Sousa.

Burocracia

Questionada sobre o prazo para a compra do remédio, a Secretaria de Saúde de Ipatinga informou, em nota, que “o processo de compra do medicamento RSH CBD OIL BLUE LABEL 14% - 25% TUBE 10G (Canabidiol) foi iniciado em 20 de fevereiro, data da comunicação do mandado judicial. O governo do Estado foi acionado juntamente com o município para o cumprimento da ação judicial”.

Porém, a importação do remédio impõe algumas burocracias para a compra. “Apesar do empenho, o município vem enfrentado entraves burocráticos e legais para a aquisição do mesmo por se tratar de uma medicação de controle especial e importado. A Secretaria Municipal de Saúde mantém contato com a Secretaria de Estado de Saúde, que detém vasta experiência na compra de medicamentos importados”, esclarece a nota da Prefeitura de Ipatinga.

Sem resposta
Outra família da região que vive a angústia da espera pela Justiça é a de Tatiane Viana Oliveira, mãe de Maria Clara Viana, de sete anos. No seu processo, o Estado recorreu da decisão e sua defesa apresentou recurso. “O Estado recorreu e ainda estou sem respostas. Espero que a Justiça se cumpra”, afirmou Tatiane Viana. Sua filha estuda com acompanhamento de monitor e, desde que começou a usar o CBD, no fim do ano passado, as cerca de 40 crises convulsivas que tinha por dia reduziram drasticamente. “Ela teve melhoras em vários aspectos. Mas para comprar o medicamento contamos com ajuda de amigos e familiares, pois o custo é muito alto”, disse Tatiane Viana.

Álbum de família


sonia e lucas dias
Duas semanas
Outra criança da região que começa a apresentar resultados dos benefícios do medicamento é Lucas Dias Ferreira, de 8 anos. Depois de peregrinar por vários médicos e passar por muitos tratamentos, o garoto está utilizando o remédio comprado pela família há duas semanas, associado a outros medicamentos. A mãe dele, Sônia das Dores Dias, informa que algumas melhorias já foram percebidas. “Já vi uma diferença enorme. Meu filho está bem mais esperto, atento, ainda tem crises, mas elas não estão deixando ele tão debilitado. Na verdade, nos últimos dois dias ele não teve crise”, frisou Sônia Dias.

Com o valor alto do medicamento, Sônia também entrou com ação judicial em janeiro que pede, além do CBD, o custeio do Levetiracetam, de uso controlado. Porém, ainda não houve sentença. “Na primeira aquisição de CBD gastei R$ 3 mil para comprar algumas ampolas e no último dia 15 fiz um festival de sorvete para arrecadar dinheiro. Também conto com doações de amigos, de coisas que posso rifar para levantar verba, enquanto não há uma decisão judicial”, contou a dona de casa. 

 

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