08 de abril, de 2015 | 20:00

Praça da Estação sem estacionamento

Descumprimento de lei frustra comerciantes em Coronel Fabriciano


DA REDAÇÃO – Está em vigor, desde o final do ano passado, a lei que autoriza a exploração da Praça da Estação, no Centro de Coronel Fabriciano, como estacionamento para veículos automotores leves. No entanto, absolutamente nada foi feito para que a norma seja de fato aplicada, trazendo frustração ao comércio local, que ainda aguarda a sua efetiva regulamentação e aplicação. “A lei não propõe acabar com a praça, mas fazer com que ela tenha função dupla. Entendemos que se trata de uma proposta totalmente exequível”, afirma o autor, vereador Beto Cavaleiro (PPL).

Segundo o vereador, a lei está em vigência desde 29 de dezembro de 2014 e precisa ser executada pela Prefeitura de Coronel Fabriciano (PMCF). Em nota enviada ao Sindicato do Comércio Varejista e Atacadista de Bens e Serviços (Sindcomércio) do Vale do Aço, a PMCF declarou o seguinte: “Para utilização da Praça da Estação como área de estacionamento, a Prefeitura de Coronel Fabriciano afirma que, por ser uma Lei autorizativa, o município não é obrigado a colocá-la em prática.” O Executivo alega, ainda, que irá manter sua política de valorização dos espaços públicos que promovem o lazer e a interação dos moradores. Afirma também que “o município intensificou a fiscalização do estacionamento rotativo. No momento, a prefeitura está elaborando proposta para aumentar o número de vagas no Centro”.

O presidente do Sindcomércio, José Maria Facundes, ressalta que nada menos que 13 vereadores foram a favor Lei nº 3.971/2014. “Sua não aplicação tem trazido muita revolta aos comerciantes estabelecidos no Centro”, diz o dirigente patronal. O Sindcomércio procurou os lojistas da cidade e atestou que, de fato, há muita frustração com a possibilidade de a norma se tornar “letra morta”.

Daniel Lopes de Souza, proprietário da relojoaria Mirian, é um dos lojistas indignados. “Entendemos que o problema de estacionamento atinge as cidades de todo o Brasil, mas nem todos os municípios do país têm, como em Fabriciano, um espaço que possa ser usado para desafogar a falta de vagas para veículos nas ruas. Amigos lojistas e clientes questionam diariamente o porquê de não se usar a praça no período comercial, com uma função dupla, uma vez que se trata de um espaço que, durante o dia, está completamente ocioso”, desabafa Daniel.

Sem projetos
Marcelo Pereira Machado, dono da relojoaria Hora Certa, também não entende a inércia da prefeitura diante da lei. “Nunca é demais lembrar que Fabriciano vive e depende do comércio. Então, as coisas vão ficar ainda mais complicadas se a prefeitura deixar de colaborar conosco como está fazendo ao ignorar esta lei. Ainda estamos em um ano de expectativa de crise econômica mas, independentemente disso, a questão de mais estacionamentos é uma necessidade constante”, relata.

Assim como os outros comerciantes entrevistados pelo Sindcomércio, Marcelo relata que a praça não perderá a sua função principal. “No dia em que houver shows ou outros eventos, fecha-se o estacionamento”, explica, para continuar: “A gente acredita que a maioria absoluta da população gostaria de ter mais locais pra estacionar, embora saibamos que as vagas na Praça da Estação não vão resolver todo o problema, mas ajudariam muito.”

O empresário reitera que há falta de interesse do Executivo municipal em colaborar com os lojistas. “Não me lembro de nenhuma obra ou projeto nos últimos anos que tenha sido para alavancar o comércio de Fabriciano. A cidade precisa investir em seu visual e na limpeza das ruas. O asfaltamento do Centro também poderia atrair mais comerciantes e clientes para cá, alavancando a economia como um todo”, enumera.

Inválidos
Já Odiel Braz Monteiro, proprietário da loja de roupas N.O., afirma que os argumentos usados pela prefeitura para não implantar o estacionamento são inválidos. “Falam que o peso dos carros vai fazer o piso afundar. Então, que se faça um novo para que isso não aconteça. Se quisesse e tivesse interesse, a prefeitura poderia disponibilizar funcionários para cuidar e vigiar o estacionamento sem nenhum tipo de cobrança, fazendo assim algo diferenciado das outras cidades”, comenta o lojista. “A prefeitura costuma falar que o estacionamento na Praça da Estação é vontade de meia dúzia de empresários que quer sucatear a praça, mas o que a gente tem visto é uma cidade sucateada”, alfineta o lojista.

De acordo com Odiel, a falta de estacionamentos não só afasta os clientes das lojas, mas também impede que novos empresários se estabeleçam na cidade. “É a praça vazia que está espantando os consumidores e impedindo que novos comerciantes abram lojas e, consequentemente, aumentem a receita do município”, dispara.

Topografia
Por sua vez, a proprietária da loja Point Jeans, Ludimara Costa Andrade, lembra que a própria topografia do município desfavorece o número de vagas para estacionamento. “De um lado temos um morro. Do outro, está o rio. Então ao contrário de outras cidades, não há ruas paralelas para que os carros possam estacionar. Acredito que o problema de estacionamento em Coronel Fabriciano é bem maior do que em Ipatinga e Timóteo, pois aqui as pessoas sobem e descem as ruas à procura de vagas. Não acham e acabam indo para Timóteo ou para o shopping”, comenta.

A criação de vagas na Praça da Estação, reforça Ludimara, aumentaria consideravelmente o desempenho do comércio do Centro de Fabriciano. “Sabemos que há verba para a implantação do estacionamento na Praça da Estação. O que falta, na verdade, é interesse do poder público em fomentar o comércio”, opina a comerciante, reclamando ainda que o Centro de Fabriciano é cercado por bairros com alta incidência de crimes, o que tem trazido muita insegurança para lojistas e consumidores.

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