18 de abril, de 2015 | 20:00

Atendimento restrito no São Camilo sobrecarrega Ipatinga

Sem pediatra nas unidades de Timóteo e Fabriciano, HMC e UPA recebem demanda reprimida


REDAÇÃO – A falta de médicos pediatras no Hospital São Camilo de Timóteo, desde o início de abril, já pressiona o funcionamento da Unidade de Pronto Atendimento de Ipatinga (UPA) 24 Horas e o Hospital Márcio Cunha (HMC). Em Timóteo, a busca por pediatras pode ser feita no Pronto Socorro João Otávio, no bairro Olaria.

Emergências médicas podem ser buscadas no hospital São Camilo de Fabriciano. Mas os outros municípios da microrregião de Coronel Fabriciano ficam sem referência e acabam batendo na porta das unidades em Ipatinga em busca de socorro.

Na quarta-feira, 15, reunião na sede da Superintendência Regional de Saúde (SRS), com representantes do Estado, da superintendência e dos municípios de Coronel Fabriciano, Timóteo e Ipatinga, discutiu novos repasses para o São Camilo para o atendimento por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), que é feito atualmente por força de liminar judicial.

Havia expectativa da assinatura do novo contrato entre Estado e Sociedade Beneficente São Camilo, na noite de sexta-feira, 17. Porém, ainda não há data confirmada para a retomada do atendimento pediátrico ser retomado no hospital em Timóteo. A microrregião da saúde de Coronel Fabriciano abrange os municípios de Antônio Dias, Córrego Novo, Dionísio, Timóteo, Jaguaraçu, Marliéria e Pingo D’Água.

O balanço feito por gestores da UPA e HMC mostra, no entanto, que o problema na cidade vizinha também atinge a clínica médica, maternidade e a ortopedia.

A UPA 24 Horas de Ipatinga faz cerca de 10 mil atendimentos por mês. Embora não seja de responsabilidade do município, desse total, 3% são pacientes residentes em Coronel Fabriciano, Timóteo e outros municípios não informados. Outros 25% são pessoas de outras cidades da microrregião de Ipatinga.

A Procuradoria Geral a secretaria de Saúde de Ipatinga não descartam adotar medidas para cobrar que o São Camilo Timóteo retome imediatamente os serviços ambulatoriais de urgência pediátrica à população dos municípios referenciados na instituição. 
Polliane Torres


Eduardo Penna


O secretário municipal de Saúde, Eduardo Penna, afirma que os reflexos da crise no São Camilo refletem na UPA desde o início do ano. “De janeiro para cá houve redução no atendimento do São Camilo em clinica médica e ortopedia. Desde aquela época já estamos sofrendo os reflexos”, admite. O secretário informa que a UPA possui pactuações com todos os municípios da região. “Hoje das 25 mil internações em Ipatinga, o município utiliza apenas 40% dos leitos”, pontua.

A UPA 24 Horas é a referência em urgência e emergência médicas para cerca de 370 mil habitantes dos 11 municípios da microrregião de Ipatinga. Conforme padrões técnicos do Ministério da Saúde, a unidade é dimensionada para atender uma área de abrangência de no máximo 300 mil pessoas. “Já estamos com o limite extrapolado. Trazer mais quase 200 mil habitantes da microrregião de Fabriciano para UPA é inviável, vai causar um caos. Já atendemos 370 pacientes por dia”, salientou Eduardo Penna.

Questionado sobre o atendimento de pacientes de outros municípios, Eduardo Penna, salientou que se a classificação for laranja ou vermelha (urgência ou emergência) qualquer pessoa será atendida. “Não negamos atendimento a ninguém que esteja com risco de morte ou em quadro clínico com risco de agravamento. Na classificação de risco não haverá restrição quanto à cidade de origem”, pontuou.

A retomada do atendimento para os próximos dias é aguardada com ansiedade. “Esperamos que a São Camilo tenha definição e garanta imediatamente uma porta de atendimento de pediatria. Pois tirando o Pronto Socorro de Timóteo, para os moradores da microrregião, sobram 150 mil que hoje não têm referência em pediatria para atendimento”, enfatizou Eduardo Penna.

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Fabriciano não deve contribuir com hospital - 18/04/2015

“Qualquer fechamento de porta tem um impacto importante”

No Hospital Márcio Cunha os reflexos da crise no São Camilo são sentidos desde o fim do ano passado, quando aumentou a demanda de atendimentos na maternidade. O superintendente do HMC, Mauro Oscar Soares de Souza Lima, reclama que o fechamento da pediatria agravou ainda mais o quadro. Ele lembra que o Vale do Aço possui atualmente número de leitos abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

“A OMS recomenda 2,6 a 3 leitos para cada mil habitantes. Nós temos 1,45 leitos. Já trabalhamos em uma relação muito precarizada. Qualquer fechamento de porta tem impacto importante”, pontuou. Os casos mais graves em pediatria do município já são encaminhados para o HMC.  
Polliane Torres


Mauro Oscar


O superintendente observa que nesta época do ano os casos de crianças com doenças respiratórias aumentam devido a mudança de estação, o que aumenta ainda mais a demanda por pediatria.

“Tivemos impacto na pediatria principalmente nos fins de semana, quando o São Camilo de Timóteo não atendeu casos tanto via SUS quanto convênio”, informou. Em relação à aceitação dos pacientes, Mauro Oscar Soares, disse que os HMC não negará atendimento via SUS, porém eles passam pela classificação de risco. “Pacientes classificados em vermelho e laranja sempre são atendidos no hospital independentemente de onde venham”, esclareceu. 

Ao avaliar a situação de crise no São Camilo e seus reflexos, Mauro Oscar Soares reforça que é necessário pensar e organizar a saúde de maneira metropolitana. “Precisamos reorganizar a rede dentro dos padrões estabelecidos, afinal somos a segunda maior região metropolitana do Estado. Não podemos perder isso de vista. Não podemos deixar desconstruir essa rede, pelo contrário é necessário aperfeiçoá-la e melhorá-la, onde cada um enxergue seu papel de maneira harmônica”, enfatizou Mauro Oscar.


 


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