20 de abril, de 2015 | 20:00
Professor lamenta esquecimento” de Tiradentes
Historiador acredita que com o passar do tempo menos pessoas sabem do significado trazido pela data
IPATINGA Neste dia 21 de abril, muitas pessoas que programaram viagens e momentos de lazer não sabem a razão do feriado. Desde 1893, nesta data, comemora-se o Dia de Tiradentes, cujo nome completo era Joaquim José da Silva Xavier, considerado pela história oficial um dos líderes do movimento que pretendia tornar o Brasil independente de Portugal. Apesar de questionamentos acerca da construção da figura de Tiradentes como herói cristianizado, seu nome continua forte na nossa história. Porém, na memória de muitos, nem tanto. Na avaliação do professor de História, Breno Martins Zeferino, a cada ano que passa menos pessoas sabem o significado da data.
Para Breno Zeferino, apesar dos pertinentes questionamentos a Tiradentes na atual historiografia sobre quem de fato foi o líder da Inconfidência Mineira e quais eram seus reais propósitos, não impede a identificação de brasileiros com ele. Quando se fez a República do Brasil, era necessário fazer também os brasileiros e criar símbolos para a identidade (nacional). Um deles foi Tiradentes pelo papel histórico que ele havia desemprenhado pelo menos a partir de uma história oficial, que tem sido revisada com muito rigor”, afirmou o professor.
O professor cita como exemplo o livro O Manto de Penélope”, de João Pinto Furtado, que reconta a história de Tiradentes mais como bode expiatório, de um movimento elitizado. Já Os Bestializados” de José Murilo de Carvalho, mostra como o povo não entendia de fato o que representava a independência. Vale lembrar que, para o bem ou para o mal, ele é um símbolo da nação, precisamos nos identificar nele. Nossa história era até aquele momento carente de heróis identitários dessa bandeira de nacionalismo que ainda não tínhamos”, pontuou.
Escolas
No lugar de troca de conhecimento e aprendizado na escola, a figura de Tiradentes não tem o seu devido valor, na opinião de Breno Zeferino. Essa data é um momento cada vez mais distante do povo brasileiro, pela falta de informação e dedicação ao tema que se tem dado nas escolas. Por muito tempo ele foi o grande herói da nação”, falou. O professor de História destaca que, nas salas de aula, o símbolo de Tiradentes está cada vez mais apagado. De maneira geral, esse é um símbolo que está cada vez mais distante, não sei se por questão de geração ou de estrutura do ensino. Não sei onde nós, como educadores, temos falhado. Cada vez menos pessoas são identificadas por esses marcos que nossa história, oficial ou não, nos traz à tona. O que temos lutado é para rever esses símbolos e reconstruí-los à luz dessa nova, dispersa e impessoal geração de jovens estudantes brasileiros”, frisou Breno Zeferino.
João de Deus
Ao falar de herói brasileiro, o professor de História lembra da importante figura que foi João de Deus Nascimento, líder da Conjuração Baiana, em 1798. Mas seu nome não teve tanto destaque porque ele não atendia aos padrões europeus de heroísmo. No momento em que o país tinha acabado de se republicanizar e abolir a escravidão, a sociedade tinha projetos de embranquecimento por trás do pretexto da demanda de mão de obra, com a imigração europeia. Não seria adequado para aquela época colocar um negro como herói. Infelizmente, para entendimento de todas as questões raciais que isso antecipa, optaram por Tiradentes, por questão da proximidade europeia”, esclareceu.
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